Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Domingos Martins, 400 - Centro - Canoas/RS - CEP: 92010-170
Fones: (51) 3462.7000 - Fax: (51) 3462.7007

PUBLICIDADE
Amadeu Mota

Mesa vazia ontem, casa aberta hoje

Português cresceu com a cidade; bar foi ponto de encontro e de articulações políticas
11/07/2018 11:20 11/07/2018 11:20

{$midia.ds_cremd}/{$midia.ds_midia_credi}
{$midia.ds_midia}
Um bar não é só um bar. Quem conheceu o bar do Amadeu, sabe disso. Um bar é quase um templo profano do convívio urbano (etílico ou não), um local de encontro. É onde políticos articulam, boêmios celebram (e lamentam), e senhores e senhoras vêm a vida passar, lembrando de outros tempos (comentando sobre “como tudo mudou na cidade”, em geral, “não para melhor”). Em torno do antigo bar do Amadeu, de 1962 a 2005 (onde funciona hoje o Café Imperial no Calçadão), boa parte da fisionomia de Canoas se alterou, se expandiu, ficou mais acelerada. O estabelecimento mudou junto, modernizou-se, transferiu-se para a esquina da Avenida Victor Barreto com a Rua Fioravante Milanez, no Centro, há 13 anos. O que a família do ilustre português Amadeu da Mota, 79, falecido na noite de segunda feira 9 de julho de 2018, em decorrência de problemas cardíacos promete é que o gosto de café passado em casa vai ser preservado junto com a tradição familiar do estabelecimento.

Mesa vazia ontem pela manhã
Todo dia pelas 6 horas, Seu Amadeu chegava e pedia o tradicional cafezinho passado para os funcionários. Sentava em uma mesinha perto da parede repleta de fotos e lia o Diário de Canoas. Ficava por ali saboreando por cerca de uma hora, observava o movimento, e depois voltava para casa. O filho Amadeu Leandro da Mota, 49 anos, e a nora Caroline Galvão Frozza, 37, é que tocavam o negócio desde a mudança de endereço.

Era muito próximo da equipe, pois a vida toda foi mais que um “empresário” colocava a “mão na massa”, como se diz. “Ele era muito feliz, fazia questão de dar dicas de como ele mesmo fazia as coisas”, lembra o caixa-operador Fernando Hertcert, 48, funcionário há oito anos. “O cafezinho passado é a marca da gente, trocamos a máquina, era de porcelana, mas adquirimos uma que preservasse aquele gostinho de café passado em casa.”

Despedida
O velório de Amadeu ocorreu ontem pela manhã no Cemitério São Vicente. O comerciante estava internado havia dois dias no Hospital Nossa Senhora das Graças. Deixa esposa, três filhos e dois netos. Um cartaz no vidro justificava as portas fechadas em pleno dia de semana, algo raríssimo ali e informava aos clientes do luto e da retomada do atendimento apenas nesta quarta-feira. “Seu Amadeu falava com todo mundo, o Leandro agora tem este desafio de manter o legado deixado pelo pai”, destaca a nora. “Canoas e ele cresceram juntos, boa parte dos clientes jovens mencionam que vem até aqui indicado pelos pais e avós.”

A tradição em forma de café

amadeuPróximo à mesa de Seu Amadeu há fotos de políticos ilustres, personalidades locais e até uma imagem em preto e branco do embarque do menino português rumo a terras brasileiras. O local sempre foi ponto de encontro, de reuniões de trabalho e parada obrigatória entre uma compra e outra nas lojas do centro.

Da próxima vez que você for ao Amadeu e pedir um cafezinho, preste bem atenção no que está recendo. Estará tomando não apenas uma bebida escura de grãos torrados, mas um pouco da história de sua cidade, uma história que nem sempre se encontra nos livros, está quase sempre nas ruas, na memória dos mais antigos e, claro, nas mesas de bar.

Amigos lembram

“É com profunda tristeza que recebi nesta quarta-feira a notícia da morte de dois grandes amigos: o Amadeu Mota e o Silmar Lottici. Durante décadas, o Amadeu esteve à frente de um dos estabelecimentos mais tradicionais de Canoas, o Café Imperial. Já o Silmar, além dos laços familiares, tivemos um longo período de parceria o que resultou numa grande amizade. São dois amigos que se vão, mas que deixam a contribuição registrada na história de Canoas. Meus sentimentos aos familiares.” Luiz Carlos Busato, prefeito de Canoas

“Desde que começou nos Anos 60 eu ia lá. Hoje tenho 92 anos e já não é tão fácil lembrar detalhes. Mas posso dizer que a turma passava quase a noite toda tomando uma cervejinha. Era aquele clima da malandragem antiga, falávamos de assuntos gerais, de futebol e de mulher. Seu Amadeu era muito espontâneo e correto. Não abusava nos preços, era sério. Foi sempre uma figura muito conhecida e querida em Canoas. Não era só um bar, era um ponto de convergência de amigos. O primeiro estabelecimento, pelo que lembro, já chamado de Avenida, muito depois virou Amadeu. O pai do arquiteto Vargas foi o fundador. Lamento muito. Semana passada falei com o Amadeu.” Canabarro "Seu Tonito" Tróis, jornalista


Diário de Canoas
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS