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Enganado pelo cérebro

Memória falhou: é só um lapso ou preciso de um médico?

Em dias de correria e muito cansaço, vale a atenção quando o esquecimento se repete muito ou então piora
18/06/2018 10:19 19/06/2018 10:26

Adriana Lima/Adriana Lima/GES-Especial
'Surge uma doença quando você começa a alterar o seu comportamento ou coisas atuais da sua prática, restringir suas atividades', afirma Bolsonello
Pense em um super computador com seu disco rígido – ou HD – em que os mais diversos dados são armazenados. Cabe a planilha completa do escritório, aquela imagem do beijo roubado no namorado, o som das primeiras palavras do filho. Assim é nosso cérebro, uma máquina perfeita, em amplo funcionamento, capaz de assimilar os mais variados estímulos ao mesmo tempo, mas que, puxa, não sabe mesmo responder agora onde está a chave do carro. “Eu juro que deixei aqui. Onde estou com a cabeça?” – é a pergunta nesse momento.  Quero lhe dizer que ela segue acima do pescoço [brincadeirinha, hehe], mas outras questões parecem fora do lugar. Isto porque, em meio à correria e ao cansaço, nossa mente começa a fazer uma certa seleção.

“Pequenos lapsos de memória são extremamente comuns desde a infância até a fase senil e nem sempre é doença. Na maioria das vezes, nosso cérebro, num processo de escolha das memórias mais necessárias, acaba excluindo aquelas que não são ou as deixando menos acessíveis. Estas memórias menos necessárias, as periféricas, podem se perder, então ocorrem pequenos lapsos de esquecer a chave do carro ou datas, por exemplo. O cérebro para teoricamente ‘ocupar menos espaço’ numa comparação com um computador, por exemplo, acaba deixando de lado, mas se você buscar mais tarde, vai consegue lincar. Você não perdeu a memória, ela apenas ficou menos acessível”, explica o neurocirurgião do Hospital Sapiranga, Cleyton Angelo Bolsonello.

Alerta

Adriana Lima/GES-Especial
Cleyton Bolsonello, neurocirurgião
O médico ainda alerta em quais casos se deve acender o alerta. “Surge uma doença quando você começa a alterar o seu comportamento ou coisas atuais da tua prática, restringir tuas atividades, como começa a ter dificuldades de sair de casa e comprar alguma coisa, tem perda de orientação espacial, perda de orientação temporal, não sabe que ano ou dia é, tem dificuldade em fazer cálculos, coisas que antes tinha facilidade. São sinais precoces e a família não percebe, geralmente o paciente chega ao consultório quando já tem alteração de comportamento ou alguma atividade clara para todos. Antes havia a facilidade em desenhar, em fazer trabalhos manuais e agora não mais, afinal, a memória não é um projeto só de lembranças, também são atividades”, ressalta.

Em qualquer idade

Perdas de memória podem sim ocorrer em qualquer fase da vida. “É mais comum acima dos 60, 65 anos de idade, mas qualquer insulto ao cérebro mesmo quando mais jovem, pode gerar dificuldades em memorizar. Existem áreas do cérebro que são especializadas em memórias de curto, médio e longo prazo e, se você tiver um dano nestes circuitos, como traumatismo craniano, infecção ou AVC, você pode sim ter uma perda de memória”, cita o médico.

Quando procurar um médico?

O neurocirurgião destaca que a ida a um consultório médico por perda de memória é bastante frequente, mas há alguns sintomas que devem ser prontamente levados a um profissional de saúde. “Às vezes, o paciente tem algum problema psicológico associado como depressão, sofre com algum stress agudo, teve um problema clínico, como infecção, e perdeu a lucidez durante a internação, então esses casos precisam de um médico. Casos de pessoas que dizem, por exemplo, ‘esqueci a carteira no banco ontem e hoje eu esqueci de novo em casa’, não são preocupantes, só é preciso ver tua forma de organização. Caso exista dúvida, sempre é bom passar por uma avaliação neurológica, porque pode com 50 ou 60 anos ter alguns pequenos lapsos de memória, a pessoa ou a família não percebe, aí lá na frente chega a um problema sério. Nem toda perda de memória precisa ser vista por um médico, mas aquela que se repete ou que piora, sim”, reforça.

A famosa amnésia

A amnésia se caracteriza por uma perda de memória temporária ou um estado confusional agudo. O paciente tem um certo lapso, perde a lembrança daquele período e depois retorna ao seu estado normal. Geralmente, é mais comum em pessoas acima dos 65 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. “É menos comum em pessoas mais jovens porque geralmente a amnésia coexiste com outras doenças, por exemplo, em pacientes diabéticos, hipertensos, ou com complicações clínicas destes estados metabólicos. Geralmente a perda é da memória recente, pacientes que, por exemplo, tiram a roupa, fazem as necessidades em locais inadequados, a família precisa conter a situação e geralmente acaba trazendo para um pronto-socorro porque é difícil lidar com a situação. Esta prediz até alguma evolução futura para uma doença mais séria, seja da memória ou neurológica mesmo. Outra situação que pode causar as amnésias são quadro infeccioso, efeito colateral de um medicamento, traumas, insultos isquêmicos, situações de stress extremo e aí a amplitude, tempo que ela consome da memória, é variável, por exemplo, não se lembra do que fez em um dia. O extremo que eu já vi foi de um ano, o paciente não se lembrava de nada que tinha acontecido neste tempo, estava com uma namorada nova e não a reconhecia. Depois de cinco dias ele conseguiu recobrar o tempo perdido”, destaca.

Alzheimer e a insistência em não mudar nada

Principal demência trabalhada na área médica, o Alzheimer, conforme o médico, é a doença que afeta a capacidade do cérebro de assimilar e guardar novas informações. “Há dificuldade no processo de memorização, os circuitos cerebrais são interrompidos por algum motivo degenerativo e o paciente não tem mais a memória a curto prazo e, algumas vezes, de médio prazo. A tendência do cérebro então é buscar informações que eles ainda mantém vivas, do passado. Pessoas com Alzheimer ficam inseguras de ir à rua e, por isso, acabam ficando mais reclusos. Também tem dificuldades de fazer cálculos, se orientar em tempo e espaço, dificuldade de desenhar, por exemplo, perdem aquele movimento firme. Começam a trazer os pertences para perto, para dentro do quarto, por exemplo, começam a guardar comida embaixo da cama, talher no guarda-roupa. Outra dificuldade muito grande é a de sair do ambiente onde se sentem mais confortáveis, porque lá tem o cheiro, luz, a iluminação que os deixam tranquilos. Às vezes alguém diz: ‘vamos levar o vô na praia’ e, no terceiro dia, o vô surta querendo voltar. Porque ele não se adapta àquela situação, é um stress muito grande para ele, nada é igual nem fácil para ele”, detalha.

Que exames eu posso fazer?

Casos em que a perda de memória é resultado de um traumatismo severo ou um acidente vascular cerebral (AVC), os exames de imagem apontarão em que local o cérebro foi afetado. E com a memória? “Começamos com um exame físico porque memória é função, você não a vê na ressonância magnética, ali se vê a anatomia. Mas a ressonância ou tomografia podem indicar uma causa que provoque perda de memória secundariamente, como hidrocefalias em geral, que podem começar com perda de memória, com dispraxia [disfunção neurológica que afeta a coordenação dos movimentos], incontinência urinaria. Estes são, sem dúvida, exames necessários para excluir as perdas de memória secundárias a outros processos do sistema nervoso central. Então, se faz ressonância para ver se não há algum tumor, hidrocefalia, ou outras causas de perda de memória. Em seguida, é preciso primeiro tentar por meio de testes funcionais detectar que tipo de perda de memória há, temos vários testes validados, com o apoio dos neuropsicólogos”, cita.

Partiu exercitar o cérebro?

“As pessoas têm a tendência de se acomodar ao longo da vida. Com certeza é mais difícil fazer algumas coisas na terceira idade, mas não é nada impossível, como aprender uma nova língua. E isso deve ser estimulado, até como exercício para tirar nosso cérebro da comodidade, ficar numa situação de insegurança e busca melhoria em termos de dinâmica. O paciente que não lê, não busca novas atividades, a tendência é de que as sinapses de memória [trocas elétricas de mensagens entre as células do cérebro] fiquem cada vez menos facilitadas, tem que estar sempre relembrando. A forma mais comum de aprender é através da repetição, treino e aplicação. É preciso ler, informar, fazer palavras-cruzadas, trabalho manual, artesanato, manter o cérebro sempre em atividade”, lembra Bolsonello.

Graus de perda da memória

1 - Estado confusional (a pessoa retoma a lembrança, lincando o fato com outras coisas)

2 - Amnésia aguda (há um lapso de memória e é preciso atendimento e investigação médica)

3 - Demência (não há melhora, apenas acompanhamento médico para tentar conter o avanço)


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