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Mauro Blankenheim

Deu nó na gravata

"Agarrar-se à gravata parece ser uma atitude de quem não quer se despregar do passado"
17/06/2018 06:30

Mauro Blankenheim é publicitário
mauroblankenheim.com.br

A charmosa gravata, tão incensada durante décadas em vários formatos, está em vias de desaparecer definitivamente. Embalada pelas ações de altos executivos, mormente os CEOs, a gravata, cartão de visitas da categoria do profissional, está relegada a um fim nada honroso.

Quanto mais top o profissional, menos ele se vale da nobreza do acessório, pois não quer parecer nada além ou nada mais, do que todos aqueles que estão à sua volta. Mais do que ser humilde, parecer humilde é fundamental. Afinal ninguém mais quer ser julgado pelas aparências, embora elas ainda contem muito quando se trata de exibir um relógio de pulso de valor, um celular de última geração, um sapato caro ou um carro valioso.

As aparências não enganam mais, apenas iludem. É preciso se justificar a cada momento para não perder credibilidade e a gravata que alargou, estreitou, voou tipo borboleta, abdicou do seu papel de testemunha. Chega a ser quase um símbolo do ontem.

O estilista Ricardo Almeida criou para a seleção brasileira de futebol, um figurino atraente que combinou o clássico tom sobre tom, em matizes azuis, remetendo à nossa bandeira. A gravata está ali, mas não está, porque perde em visibilidade sobre o blazer e a camisa de tons semelhantes.

Ou seja, em lugar de desaparecer com ela, torná-la invisível. Mais uma prova de que ela está com os dias contados. Sendo bem franco, é um negócio até meio careta meter uma gravata no peito. Como tantas coisas que vão mudando na velocidade da luz, agarrar-se à gravata parece ser uma atitude de quem não quer se despregar do passado. A lapela cada vez mais estreita, autorizou ainda mais a suspensão duvidosamente temporária do laço, transformando-se no foco da atenção de quem examina com ares de crítico, o visual do homem moderno.

As gravatas com estampas coloridas, temáticas, com ícones, personagens e outras ideias, tornam-se ainda mais deslocada, pois as pessoas não querem mais ter sua personalidade revelada no início do jogo, por uma preferência, lado, partido, ou hábito. Assim, vamos mergulhando cada vez mais fundo na era pós-gravata, talvez porque de algum modo estejamos nos sentindo sufocados por coisas que não podemos mudar.

Um pescoço livre para girar, inclinar-se sem impedimentos, tem enorme valor quando os medos nos apertam e as dúvidas nos assolam. Com tudo isso, vamos seguir usando gravatas em casamentos?


Diário de Canoas
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