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Luiz Coronel

O ritual de fertilidade

"Veja comigo: o gol, no futebol, a cesta no basquete e assim por diante, são momentos de orgasmo"
10/06/2018 07:00

Luiz Coronel é poeta
www.luizcoronel.com.br

1. Tenho a mais atlética convicção de que jamais seria um bom jogador de futebol. Menino, amanhecia com a bola nos pés. A bola corria dos calcanhares para a cabeça, retornava para acomodar-se em cima do pé, qual um pássaro na ramagem, ou galinha no poleiro. Eu era uma foca amestrada. Recebia palmas, por vezes. Mas em campo, esvaziava toda e qualquer perspectiva otimista. Estava mais para gandula. Digamos, eu já dava muitos sinais de “apoteose mental”, isso é, impulso para sair voando da realidade para o estádio das reflexões, para o País das metáforas.

2. Em Bagé, a paixão clubística dividia as famílias. Bagé e Guarani eram legiões irreconciliáveis. Montéquios e Capuletos, a bem dizer. Lembro-me – e eu deveria ter menos de uma dúzia de aniversários – chegando ao estádio Estrela D’Alva, ante porteiros e fiscais, guardiões do templo, eu me credenciava como o “filho do tio Peri”, sócio benemérito do Guarani e torcedor arrebatado. Guarani, sou até hoje e sempre, e tenho memorável gratidão àquele gesto de passarem a mão em minha cabeça e tocarem em frente o “filho do tio”. As cores do vinho e do sangue já me seduziam.

3. Sou um caso raro em termos de opção entre Internacional e Grêmio. Fui a muitas partidas até assumir a condição de colorado. E observo não serem muito nítidas as razões para essa definição entre estes dois times gaúchos da capital gaúcha. Não se trata de definição geográfica, time de bairro; étnica, um pouco, mas percebo algumas diferenças assinaláveis. Os gremistas são mais soberbos. Os colorados, talvez menos radicais. Reconheço um gremista de longe. Pode colocar gigantescos óculos de sombra. E, se for mulher, pode vestir uma burca. Gremista não torce, combate. O Grêmio é um hino. O Inter, um samba, uma milonga. O Grêmio marcha; o Colorado, dança.

4. Tenho uma teoria um pouco estapafúrdia sobre os jogos. Psiquiatras recomendam que escreva um ensaio sobre o tema. No fundo, para mim, todos os jogos são “projeções anímicas do ritual da fertilidade”. Explico-me: a bola é o sêmen. A rede, o hímen. Os jogos são instantes de fecundação. Veja comigo: o gol, no futebol, a cesta no basquete e assim por diante, são momentos de orgasmo. O triunfo do sêmen vitorioso! Não é uma bela tese? Ou será que estou me comportando como um sexagenário compulsivo? Julgue o eventual leitor. Hoje, a lógica e a razão estão no banco de reservas. A tese põe a bola no meio de campo. Ouça o apito. Podes começar rumo às traves, ou melhor, ao hímen das redes.


Diário de Canoas
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