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Ivar A. Hartmann

A greve do paradoxo

"No lado de quem executa a greve, avanço notável da capacidade de organização. E no lado de quem pretende por fim à greve?"
27/05/2018 07:00

Ivar A. Hartmann é professor da FGV
ivar.hartmann@fgv.br

A greve que paralisou o País nos últimos dias tem diversos elementos muito evidentes, como a comoção causada pela falta de combustível, que gerou aumentos astronômicos registrados em diversas cidades. Os elementos mais interessantes, no entanto, são os menos evidentes. Um deles é o paradoxo da capacidade de organização entre dois polos da greve: quem a executa e quem tenta por fim a ela.

Há vinte anos uma greve nacional significaria, por exemplo, meses de planejamento, organização cara, deslocamento entre Estados para reuniões e altos gastos com divulgação entre potenciais participantes. A entidade sindical estabelecida, custeada pelos trabalhadores, com líderes selecionados, estrutura e hierarquia era o cérebro sem o qual a massa de operários nunca conseguiria articular reivindicações.

Hoje os movimentos grevistas, assim como protestos de rua, muitas vezes não são o resultado da ação organizada por uma entidade fixa. São espontâneos e sem liderança. Assim como não havia líderes claros e definidos dos protestos de 2013, também não há líderes para a atual greve. Os caminhoneiros afirmam que a mobilização se deu em função de ideias individuais e despretensiosas que circularam por WhatsApp. A Internet garantiu capacidade de mobilização antes impensada. Ela serve inclusive para que os caminhoneiros expressem descontentamento com seus sindicatos. Acham que não estão sendo devidamente representados.

No lado de quem executa a greve, portanto, um avanço notável da capacidade de organização em duas décadas. E no lado de quem pretende por fim à greve?
Os problemas são os mesmos de vinte anos atrás. O governo federal não dialoga com o governo estadual. A União faz promessas que dependem dos sacrifícios dos outros. As declarações que chegam à imprensa sobre o que está sendo feito para encerrar a greve são desencontradas.

A causa real da calamidade não é a greve, mas sim a precariedade do sistema nacional de transporte. A logística é primitiva. Há muitos gargalos para a locomoção e poucas vias alternativas. Rodovias, portos e aeroportos ainda são majoritariamente administrados de maneira amadora. Em um país desenvolvido, a mesma greve não teria gerado os problemas que a população aqui está enfrentando.

Esse é o paradoxo da greve. De um lado, uma sociedade civil mais eficiente e mobilizada. De outro, um Estado que permanece abraçado a modelos e alternativas falidas de fazer de política e de gerir recursos públicos.


Diário de Canoas
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