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Transplante

Quanto mais doações de órgãos, mais recomeços

É importante que pessoa avise sua vontade de ser doadora; atualmente, 43% das famílias se recusam a autorizar ação
02/04/2018 10:29 02/04/2018 14:53

O Rio Grande do Sul tem cerca de 1,2 mil pacientes à espera de um transplante. No País todo, este número chega a 40 mil. Considerando que apenas uma pessoa pode salvar até oito vidas com a doação de órgãos, essa fila tem chances de avançar, mas um dos empecilhos para que isso ocorra é que ainda 42% das famílias se recusam a autorizar a doação de órgãos de parentes, conforme a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Afinal, caso a pessoa não tenha deixado registrado em cartório sua vontade de ser doador, o processo de doação só pode ser iniciado depois do consentimento da família, quando é confirmado caso de morte encefálica.

“O debate ainda é um tabu para muitos que não conhecem a fundo o assunto”, observa a professora Rosália Borges, coordenadora da Especialização em Transplantes de Órgãos e Tecidos da Unisinos. Para ela, é importante desmistificar o tema e deixar claro ao público como funciona o processo de doação. “Não é simplesmente retirar o órgão. Tem todo um cuidado com o corpo. Existe respeito à situação da família e ao corpo do paciente”, esclarece.

O Brasil chegou a identificar doadores com registros no RG, mas a medida não prosperou. Conforme a lei brasileira, quem tem interesse em ser doador deve notificar a família, pois é ela quem podem autorizar a doação. No caso de não familiares, a doação só acontece mediante autorização judicial. “Não basta haver legislação, comitês e organização de equipes, a população também precisa se conscientizar”, salienta a professora.

Avaliação

É possível doar órgãos como coração, pulmão, fígado, pâncreas, intestino, rim, córnea, osso e pele, mas não é qualquer pessoa que entra em óbito que poderá ser doadora. “O coração pode estar batendo, mas eu não tenho o cérebro funcionando. Então se faz alguns testes, sempre com dois médicos que não são da equipe, para ter um diagnóstico preciso de morte encefálica. Se faz vários exames para ver se o órgão pode ser doado para outro paciente”, diz. Há ainda doações que podem ser feitas em vida, como o transplante de rim, que pode ser doado por um familiar de até quarto grau.

Especialização

Para qualificar profissionais para atuar de maneira multidisciplinar com a doação de órgãos, a Unisinos oferece a Especialização em Transplantes de Órgãos e Tecidos: integralidade do cuidado e multidisciplinaridade. O curso é o único no Brasil a ter enfoque multiprofissional e proporcionar estágio prático em um hospital que é referência em transplantes na América Latina, o Hospital Dom Vicente Scherer, da Santa Casa de Porto Alegre.

A aula inaugural será no dia 2 de agosto. O foco no cuidado humano acontece por meio do acompanhamento em todo o processo – pré-, intra- e pós-transplante, englobando áreas de enfermagem, nutrição, serviço social, fisioterapia, farmácia e psicologia, medicina e biomedicina.

Nova chance para outra família

Embora seja um momento difícil para quem perde alguém da família, a doação de órgãos significa um recomeço para outra pessoa. “Com a doação, pacientes crônicos poderão voltar às suas atividades habituais, pacientes que estavam praticamente desenganados podem ter uma nova possibilidade de vida”, destaca a professora.

Ela acredita que esta seja a principal questão a se pensar no momento da decisão pela doação. “Se faz uma conversa com a família sobre o que isso vai representar para outra. A preocupação que nós temos como profissionais é mostrar que, ao mesmo tempo, pode ajudar outra pessoa”, diz.

Para a transplantada Liège, a dica é se colocar no lugar do outro. “É um momento triste, mas é preciso se conscientizar. E para quem vai passar pelo transplante, é não deixar o medo tomar conta. Há riscos, mas o foco precisa ser a segunda chance de vida que está vindo.”

De paciente a campeã mundial

Eduardo Cruz/Eduardo Cruz/Arquivo pessoal
Liège Gautério, 45 anos, recebeu, em 2011, um novo pulmão esquerdo
Vitoriosa. Essa é a sensação da educadora física Liège Gautério, 45 anos, que recebeu, em 2011, um novo pulmão esquerdo. Não bastasse vencer as dores iniciais, a agonia da espera entre o diagnóstico e a cirurgia, Liége tornou-se campeã mundial no Atletismo. “Eu estava muito positiva, tinha esperança que tudo ia dar certo. Eu só contava com a minha mente, já que meu corpo não respondia tanto mais”, diz.

Em 2003, sentiu fortes dores nas costas, que pensava ser algo muscular. Porém, logo foi levada à emergência de um hospital de onde veio o diagnóstico de fibrose pulmonar. “Me disseram que era uma doença progressiva e sem tratamento e que só o transplante ia me salvar. Mas, como não tinha sintomas clássicos, como falta de ar, fui convivendo com a doença até que, em 2006, fui para a avaliação na Santa Casa. Em abril de 2011, entrei para a lista de espera”, conta.

Ela explica que ficava em casa a maior parte do tempo, tomava banho de três em três dias devido ao extremo cansaço, mas que ainda assim lia, meditava e cuidava para que nada de ruim lhe abalasse. Cinco meses depois veio a cirurgia. Totalmente recuperada, ela se formou na faculdade e dá aulas de Pilates, musculação e treinamento funcional.

Dedicada à saúde, Liège ainda se inscreveu nos Jogos Mundiais para Transplantados. A nova atleta brasileira conquistou, em 2015 em Mar del Plata, Argentina, medalha de ouro nos 100 metros rasos e prata nos 200 metros. Em 2017, tornou-se bicampeã: foi ouro nos 100 metros rasos da edição da competição em Málaga, na Espanha.


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