Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Domingos Martins, 400 - Centro - Canoas/RS - CEP: 92010-170
Fones: (51) 3462.7000 - Fax: (51) 3462.7007

PUBLICIDADE
Dia Internacional da Mulher

Elas já são 42% da força de trabalho de Canoas

Pesquisa do Unilasalle aponta que mulheres até já superaram os homens quando o assunto é escolaridade
08/03/2018 10:52 08/03/2018 10:52

Neste Dia Internacional da Mulher, vale a pena conhecer a Andréia Quadros. Aos 44 anos, Andréia cumpre uma rotina, no mínimo, pesada. A moradora do bairro Mathias Velho, em Canoas, acorda às 6 horas todos os dias. É que às 7 ela já tem que estar pegando no batente na Universidade La Salle, onde trabalha como Auxiliar de Serviços Gerais. E terminado o turno de limpeza, nada de casa. É hora de estudar. Afinal, ela cursa na própria universidade o 4º semestre do curso de Processos Gerenciais. "Não tenho nada contra fazer limpeza. É um trabalho digno, mas quero algo mais na minha vida", diz.

Com uma história de vida de muita luta, a trabalhadora Andréia virou dona de casa em 1996. Um casamento e dois filhos depois, se viu na obrigação de voltar ao mercado de trabalho há aproximadamente três anos. "Eu trabalhava em escritório, mas passei muito tempo fora do mercado. Quando voltei, descobri que não havia mais espaço para mim. Então tive que voltar a estudar", conta. A jornada dela, como antes dito, não é fácil, e ao retornar para casa às 22h30 sempre há uma "coisinha" ou outra para fazer. "Quase nunca dá para ir dormir direto. Sempre tem que fazer alguma coisinha", reforça. "Só que eu acho que vale o esforço. Faço tudo pelos meus filhos." Está certa a Andréia.

É claro que a trabalhadora não é a única canoense a ir, literalmente, à luta em busca de melhores oportunidades. Pelo menos é o que aponta uma pesquisa feita pela Universidade La Salle, que confirma que a situação delas no mercado de trabalho é boa. De acordo com os números apontados pela La Salle, as mulheres representam hoje 42% da força de trabalho da cidade. Este número sobe para 58% quando o assunto é trabalho com nível superior de ensino. Quer dizer, as mulheres estão cada vez mais escolarizadas, conforme aponta o economista e professor da Universidade, Moisés Waismann.

"Os homens não estão perdendo o espaço, as mulheres é que estão ganhando naturalmente por se preocuparem mais com a escolaridade", frisa.

Obstáculos: número de empregos caiu e mulheres ainda recebem menos que os homens

Apesar do espaço conquistado no mercado de trabalho, ainda há obstáculos a seres superados. É que caiu 8% o número de vagas de trabalho para mulheres só em Canoas entre 2016 e 2017. Também preocupa que as mulheres estejam recebendo de 9 a 26% menos que os homens. Conforme Moisés Waismann, infelizmente, a passagem dos séculos ainda não foi suficiente para provar que as mulheres desempenham tão bem qualquer função quanto os homens. "Com a tecnologia à disposição hoje, não há função que a mulher não possa desempenhar. Só que mesmo assim é raro encontrar mulheres à frente do topo de grandes empresas", observa.

O professor inclusive cita Mary Barra, que gerou comentários em todo o mundo quando assumiu a dianteira dos negócios da poderosa General Motors. "Foi muito noticiado porque ainda é raro", destaca. "A mulher é tão ou mais capaz de tomar decisões do que o homem, porém o preconceito ainda é muito grande", avalia. "Há 300 anos que a maternidade e a menstruação já deixaram de ser encarados como problema no ambiente de trabalho", defende. "E mesmo assim elas continuam sendo minorias em cargos que exigem grande responsabilidade no mundo todo."

Nara começou a trabalhar no Dia da Mulher


Divulgação
Nara começou a trabalhar em um 8 de março
A data é 8 de março de 2006. Há exatos 12 anos, Nara Regina Oliveira começou a trabalhar "pra fora." Por necessidade passou a fazer bolos e doces para vender. "Sempre fui a dona de casa responsável por criar os filhos. Foram cinco. Nunca passamos necessidade. Só que na época o meu marido adoeceu e não pode mais trabalhar", lembra. "Sempre tive uma mão muito boa para comida e então comecei a criar coisas para vender fora de casa. Deu certo", garante a trabalhadora, que desde então conquistou uma enorme lista, mas não de clientes e sim de amigos para quem vende suas criações. "Me viro nos 30 que nem dizem memso", brinca. "Meu marido morreu há 9 meses e passamos por momentos difíceis, mas nunca parei de trabalhar. Gosto e tenho orgulho do que faço. Não foi por acaso que comecei a trabalhar aos 52 anos e em pleno Dia Internacional da Mulher. Hoje, mais do que nunca, me sinto livre."

Mudança de comportamento em casa

Assistente administrativa, Suelen Rossi tem 39 anos. Ela diz que lembra MUITO BEM da mãe em casa, cuidando dela e esperando o pai chegar em casa. Isso lá por 1988. Mãe de uma filha de 8 anos e com o marido trabalhando como metalúrgico, ela garante que não é possível nem se quisesse ficar em casa só cuidando da filha. "Eram outros tempos", comenta. "Só o dinheiro do pai já sustentava a casa", comenta. "Só que hoje a gente já soma a renda e tem dificuldade dependendo o mês." Bem isso.

Segundo o professor Moisés Waismann, tudo se deve a uma mudança no próprio padrão de vida ocorrido no Brasil e no mundo nos últimos 30 anos. "O custo de vida hoje é muito mais caro. Naquela época a mãe ficava em casa porque era possível. Só o dinheiro do pai sustentava em casa", esclarece. "Só que a renda familiar hoje conta com a mulher obrigatoriamente e são raras as famílias em que o pai trabalha e a mãe fica só em casa. Afinal, isso é coisa do passado."

Saiba mais

Desde 1975, o dia 8 de março é comemorado pelas Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional da Mulher. A inspiração para a data vem do esforço de profissionais liberais norte-americanas no início do século passado. As trabalhadoras da época exigiam condições melhores de trabalho. Por isso, originalmente chamado de o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora foi celebrado em 1909, em Nova York, nos Estados Unidos. Porém, levaria ainda muito tempo para que a data fosse discutida ao redor do mundo, o que culminou com o reconhecimento da ONU somente em meados dos anos 70.

Crescimento só através do estudo

Aos 31 anos, Ana Cristina Steffen deixou a carreira no setor administrativo na busca pela realização pessoal. Terminada a faculdade de Letras, garantiu uma bolsa integral de mestrado, largou o antigo emprego e hoje se dedica somente aos estudos. "Queria trocar de área. Hoje eu sei que tomei a decisão certa", garante.
De acordo com o professor Moisés Waismann, a estudante não poderia estar mais certa. "Ela não poderia ter tomado decisão melhor. Quer crescer profissionalmente? Então vá estudar. Isso vai gera frutos que vão muito além da questão financeira. Antigamente era raro ver mulheres cursando mestrados e doutorados, mas hoje elas são a maioria."

Campanha

Pensando no Dia Internacional da Mulher, a Universidade La Salle ouviu a história delas. Por meio da campanha institucional “A Universidade Também é Delas”, sobre mulheres que se desafiam diariamente para estudar, trabalhar e dar contar de outras tantas jornadas, sem abandonar seus sonhos e projetos de vida. Desenvolvida pelo setor de Marketing da Universidade, a campanha garantiu o destaque a trabalhadoras como Andréia Quadros, citada nesta reportagem.


Diário de Canoas
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS