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Mauro Blakenheim

Esquerdas Humanas

"O que pode acabar com o Brasil, como ao Rio de Janeiro já está acontecendo, é a bandidagem por baixo da superfície visível"
25/03/2018 06:30

Mauro Blankenheim é publicitário
mauroblankenheim.com.br

O assassinato da vereadora causou grande comoção na sociedade brasileira. Justo. É inaceitável que alguém seja eliminado fisicamente por causa de suas convicções, embora no mundo real isso aconteça com certa frequência.

O que me causa espanto e uma certa descrença no modelo midiático de repercussão deste assassinato, é que desde a morte da parlamentar carioca, dezenas de pessoas sem notoriedade, perderam a vida em incidentes semelhantes ao da vereadora, por balas perdidas. E isso passa batido todos os dias por nós, sem nos causar qualquer reação de frieza ou pressão alta. Já faz parte, como inaugurou certa vez um Big Brother, vencedor do reality mais abjeto do País.

No caso de Marielle surpreende e em muito o post mortem. Uma verdadeira avalancha de notícias difamadoras tapou as redes sociais, meio que justificando a execução da mulher. Foi um julgamento póstumo sentenciado de morte, que não houvesse o atentado, jamais teria vindo à tona da forma que veio. Ou seja, é mais fácil, hoje, bater em morto.

Lógico que a mídia é sujeita a avaliações de currículo. Stephen Hawking ganha mais espaço do que um desconhecido professor de Física de uma escola da região. Nada contra isso. Resumindo a tese, se é que aí temos uma, é que muitas vezes a ponta visível do iceberg merece mais atenção do que o iceberg em si. Sabemos que o Titanic foi afundado por um monte de gelo não aparente que cortou o casco blindado, como a tampa de uma lata de sardinhas.

O que pode acabar com o Brasil, como ao Rio de Janeiro já está acontecendo, é a bandidagem por baixo da superfície visível. O crime não visível a olho nu. O que mata por bala perdida. Em série. No atacado. Não basta voltarmos toda a nossa atenção e capacidade investigativa para um determinado crime de grife, enquanto anônimos morrem aos magotes todos os dias, vítimas de um processo de crescimento do crime organizado que solapa todos os alicerces da nação, invertendo as prioridades e falsificando as verdades.

A tal chamada intervenção militar demorou e ao que parece ainda está funcionando em ritmo de soft opening, sem o alvará financeiro do Congresso.

Esse texto é uma homenagem aos que rezam em casa pela volta do regime militar, sem assumir publicamente. A pressão da patrulha ideológica de meia-esquerda é tão cruel quanto as baionetas. O que mais impressiona no Brasil é a confusão que as pessoas fazem entre política, ideologia e comportamento. Para defender os negros, ser homossexual ou defender os pobres, tem que ser de esquerda. Nada a ver. Pelo visto ainda temos muito a amadurecer.


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