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Grupo Sinos
Publicado em 23/12/2014 - 09h25
Última atualização em 23/12/2014 - 09h30

Região contabiliza estragos do temporal de sábado

Para alguns, os serviços de luz e água ainda nem voltaram

Jeison Silva e Daniele Balbinot

Foto: Paulo Pires/GES
Canoas -
Sobrou pouco da peça que funcionaria como sala de religião, no Loteamento Prata. O telhado foi arrancado pelo vendaval do vento do fim de semana. A copeira Cristiane Prestes, 30, busca maneiras de reconstruir o local, que manteve de pé apenas as paredes amarelas. De da casa, podia-se ver o céu azul do verão que chegou ontem. Para os canoenses, a semana começou com tempo bom. Ninguém pensou muito na chegada da nova estação, mas no clima favorável para reconstruir o que a natureza levou. A poucos metros da casa de Cristiane, o pavilhão de madeira, onde ocorreria uma festa comunitária de Natal, domingo, foi destruído.
 
Conforme a Defesa Civil, 47 casas foram atingidas no Prata e na Vila de Passagem, além de outras 42 em diversos locais da cidade. “Repassamos ontem 934 telhas a moradores carentes cadastrados. Hoje, faremos nova distribuição e o número deve aproximar deste”, diz o secretário especial Rodolfo Pacheco. Lonas já haviam sido entregues no fim de semana. “Dez casas no Paquetá foram atingidas e entregamos 180 telhas”, completa Pacheco. Casas ficaram encharcadas por dentro e o sol de ontem ajudou a secar móveis e roupas. “O colchão está ensopado, as roupas ficaram todas molhadas, as telhas quebraram tudo”, lamenta o ajudante Valdeci de Souza, 43.
 
Só na vela
Grávida de oito meses, a secretária Miriam de Lima Ramos, 22 anos, aproveita a luz do dia para as tarefas domésticas. À noite, depende das velas, desde sábado, para garantir a luminosidade na pequena casa na Rua Canjerana, bairro Califórnia, em Nova Santa Rita. Se na escuridão consegue dar um jeito, para o calor não tem solução. “Só temos ventilador em casa, mas não dá para usar.” Na geladeira, o prejuízo da falta de luz desde sábado. Produtos estragaram.

A família “sem”
Sem luz, sem água, sem telefone e sem Internet. Assim está a família da auxiliar administrativo Adriane Lopes, 19, desde o temporal do final de semana. Moradora de um beco na Avenida Getúlio Vargas, no Califórnia, está quase presa na via por causa de três postes que caíram. Com dez ligações feitas para a AES Sul, sempre a mesma resposta: de que a energia seria restabelecida em duas horas. Lucro para alguém
Dona de um mercado na Avenida Santa Rita, Maria Luiza Geottshalk da Cunha, 52, indica onde falta energia elétrica e vê familiares passarem apuros na escuridão. Para ela, que ficou só uma noite sem luz e não sofreu perdas em seu estabelecimento, é hora de faturar. Entre domingo e ontem, vendeu quatro caixas de velas. Muita gente se valeu de gelo para conservar alguns alimentos.

Sem água
Moradores dos bairros Igara, Mathias Velho, São Luiz, Nossa Senhora das Graças, Guajuviras, Estância Velha e Olaria estão sem água desde sábado, após o temporal que deixou um rastro de estragos pela região. Conforme o coordenador operacional da Corsan Canoas, Rafael da Cunha, o abastecimento pleno só seria normalizado às 22 horas, caso a AES Sul conseguisse restabelecer o fornecimento de energia elétrica nas estações de tratamento do Rio Branco e da Base Aérea, até o meio-dia.
 
No sábado, todas as estações de tratamento ficaram sem luz. A ETA Niterói já funciona completamente e a ETA Esteio trabalha com 70%da capacidade. A água dos hospitais e UPAs da cidade é garantida por caminhões-pipa, fornecidos pela Corsan, informa Cunha. O autônomo Sérgio Carvalho, 61, mora no bairro Nossa Senhora das Graças e nem a caixa d’água de 500 litros conseguiu dar conta de48 horas sem abastecimento da Corsan. “É um desrespeito pois a gente liga para a Corsan e não consegue falar com ninguém”, desabafa. “Tive que comprar bombonas de água para não ficar mal.”
 
Sem luz
Semágua quente no chuveiro, comida estragando na geladeira, sem televisão e outros eletrodomésticos. A falta de luz chegou a gerar protestos de moradores nos bairros Estância Velha e Niterói. Na Rua Farroupilha, entre a Alberto Bins e Rio Branco, mais de 30 pessoas colocaram fogo em pneus para chamar atenção para o restabelecimento do serviço. Já no Beco Andreaza, próximo à Avenida do Nazário, houve bloqueio da via. Conforme a AES Sul, até as 21 horas de ontem, cerca de 15 mil residências ainda estavam sem luz na região metropolitana de Porto Alegre.
 
Uma das famílias mais prejudicadas pela demora da concessionária em lidar com os efeitos do vendaval foi a de Rafael Marques, 30. Desde que sofreu um acidente há cinco anos, o paciente vegetativo se vê obrigado a viver na cama. Sem luz, os três aparelhos que ajudam Marques a viver melhor, simplesmente não funcionam. “Sem o aspirador, ele pode se asfixiar com as secreções”, alerta a mãe Silvia Machado, 50. De acordo com ela, o cuidado tem que ser redobrado neste período. “Cheguei a avisar a concessionária de que tínhamos pessoa doente em casa, mas falta luz mesmo assim.” O que já era difícil fica ainda pior. “Ele toma duas caixas de leite especial por dia, ao custo de R$ 50 e sem luz estraga.”
 
Falta de energia testa a paciência em Nova Santa Rita
Nova Santa Rita - Dois dias depois do temporal que varreu a cidade na noite de sábado, dia 20, três locais foram os mais atingidos: os bairros Berto Círio e Califórnia e o Loteamento Popular. Segundo o secretário do Gabinete de Gestão Integrada de Nova Santa Rita, Alexandre Alberto Rocha, 45 casas foram atingidas. A administração já comprou e hoje fará a distribuição de 350 telhas a esses moradores. Nem mesmo a prefeita, Margarete Ferretti, saiu ilesa do mau tempo. Moradora do bairro Califórnia, ela teve a casa destelhada e também estava sem luz.
 
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Batistella, está sendo feito levantamento comas empresas prejudicadas com a demora no restabelecimento da energia elétrica. Batistella comentou que desde sábado fez contato com a gerência da AES Sul, mas “não fomos atendidos conforme nossa necessidade. Já entregamos relatório sobre postes que precisam ser trocados. E quando acontece isso, não há equipes suficientes para atender nossa cidade”, reclama. “Há 15 dias tivemos reunião com a AES Sul para pedir manutenção dos postes em Nova Santa Rita. Vou cobrar de novo nesta terça-feira. É preciso prevenção, troca de postes podres, podas de árvores”, falou a prefeita.
 
 

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