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Grupo Sinos
Publicado em 30/10/2014 - 08h02
Última atualização em 31/10/2014 - 11h24

Multa por ultrapassagem perigosa vai ficar mais cara

Alteração que entra em vigor neste sábado dobra pena em caso de reincidência e também aumenta rigor sobre rachas

Amilton Belmonte - amilton.belmonte@gruposinos.com.br

A ultrapassagem perigosa vai ser ainda mais penalizada. Comum especialmente em época de estradas lotadas rumo às praias, essa prática vai doer mais no bolso a partir de sábado. A consequência das ultrapassagens irregulares, muitas vezes, é uma batida de frente. Apesar de representar apenas 3% do total de acidentes nas BRs, a colisão frontal é responsável por um terço das mortes, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Um total de 11 artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) sofreu alterações, em consonância com a Lei Federal 12.971/14, publicada em maio. As novas regras vão punir, por exemplo, quem usar de veículos para disputar “rachas” em vias públicas, praticar manobras perigosas, ultrapassar pelo acostamento, praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor, dirigir alcoolizado e ultrapassar pela contramão em faixas de pedestres, pontes e aclives ou declives. A dor no bolso pode ser ilustrada para quem cometer uma ultrapassagem perigosa, que gerava multa de R$ 191,54. Agora vai custar R$ 1.915,40. Além disso, o motorista infrator vai perder o direito de dirigir.
 
 
Multas vão pesar mais bolso
 
15 mil multas por velocidade
Respondendo por 6,5 mil quilômetros da malha federal no Rio Grande do Sul, a superintendência regional da PRF se prepara para intensificar as fiscalizações a partir de 1o de novembro. Até agosto deste ano, um total de 15 mil multas por excesso de velocidade foi aplicado pela corporação no Estado e que, em nível nacional, 3% dos acidentes decorrem de ultrapassagens perigosas. Mais de 30% das mortes vem daí, dessas ultrapassagens indevidas.

150 mil multas por ultrapassagem
Levantamento do CRBM mostra que de janeiro de 2010 ao final da primeira quinzena de setembro de 2014, a ultrapassagem perigosa foi responsável por 153.855 multas em estradas e vias sob fiscalização da corporação no Estado. O coronel Alberto Grilo Moreira observa que estudo em construção mostra, preliminarmente, que pelo menos em metade das ocorrências envolvendo ultrapassagem perigosa houve vítimas fatais.
 
Infratores reagem de formas diferentes
À frente do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), responsável pelo policiamento da malha rodoviária do Estado, o tenente-coronel Alberto Grillo Moreira avalia que as mudanças na legislação precisam ser vistas sob a ótica de dois tipos de condutores. “Os que forem autuados e flagrados, num primeiro momento vão lembrar que a infração sairá mais caro. A grande maioria fará isso, terá essa postura”, opina. Entretanto, projeta que outra parcela considerável terá comportamento indiferente. “Tem um extrato que fará de novo. Ou seja, mesmo aumentando o valor, pra esses não terá efeito”, acredita Moreira.
 
Para o coronel, uma das formas de fazer valer as novas regras é visibilizar a legislação por meio de propaganda, políticas públicas e da própria mídia. Enumera que nos mais de 10 mil quilômetros de rodovias estaduais sob fiscalização do CRBM, o pior trecho é o da Rota do Sol (RS-453), onde diariamente condutores são flagrados em excesso de velocidade.
 
Fiscalização é fundamental
Diretor-geral adjunto do Detran-RS, Denilson da Silva aponta onde a nova legislação precisa repercutir na sociedade para ser respeitada. “Penas mais duras podem, no curto prazo, reduzir vítimas no trânsito, mas a presença da fiscalização é fundamental para que a população e o condutor percebam que não há impunidade no controle do Estado para coibir esse tipo de risco”, opina ele. Destaca que nos próximos dias será dada a largada a uma campanha midiática para chamar a atenção às mudanças no CTB. Ressalta, ainda, que o item “ultrapassagem perigosa é o mote da campanha Viagem Segura, de Finados. “Temos sido mais agressivos nisso justamente para tentar sensibilizar aos riscos quando as pessoas desprezam esses cuidados. Rachas e ultrapassagens indevidas têm potencial de risco destrutivo enorme e elevam a abreviação da vida”, salienta.
 
Multa e educação
Referência em prevenção no trânsito, a presidente da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga – Vida Urgente, Diza Gonzaga, faz uma reflexão sobre as novas regras. “Discordo do que ouço em congressos técnicos de trânsito, que o órgão mais sensível do brasileiros é o bolso. Não é porque tem multa que eu preciso colocar o cinto, é preciso educação, não passar o sinal amarelo, por exemplo, e achar que está correto”, assinala.
 
Favorável às novas regras de trânsito, que na sua análise “vem pra salvar vidas”, Diza aponta para outro tema paralelo e de impacto direto na melhoria do trânsito, a infraestrutura. “Se os condutores serão melhor fiscalizados e punidos mais fortemente em caso de infrações, é preciso que o Estado também faça a sua parte. Que são estradas em melhores condições. Não pode ter ‘curva da morte’ e ‘estrada do inferno’ ”, opina.
 
 
 
 
 
 

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