
Novo Hamburgo - Março de 2008: uma série de assassinatos cometidos em Novo Hamburgo por um adolescente de apenas 16 anos vem à tona, chocando o País. Março de 2010: após dois anos cumprindo medida no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) - Regional de Novo Hamburgo, o jovem, hoje com 18 anos, pode ganhar liberdade ainda no mês de março, no mais tardar em setembro próximo ou março de 2011, quando terá cumprido o máximo de três anos previsto em lei.
Diante disso, uma questão central permeia e reacende uma antiga discussão: menores infratores como o serial killer hamburguense realmente estão aptos a voltar ao convívio social? Nesta polêmica, há duas alas distintas: uma composta por quem defende que sim, onde estão incluídos o advogado e os pais, e outra formada por quem acredita que não está e não deve, como o promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim, que atuava em Novo Hamburgo na época. ‘‘Em dois meses, ele vai matar de novo’’, avalia Amorim.
‘‘Acredito que ele está preparado, pois o trabalho realizado em Novo Hamburgo está surtindo efeitos. Além disso, ele voltou a tomar gosto pelos estudos’’, contrapõe o advogado do interno, Rafael Ermel. ‘‘Ele é um guri normal, trabalhador, inteligente. Com certeza, sempre demos a educação correta para ele’’, comenta o pai, um pintor de 41 anos. O adolescente ingressou no Case em 27 de março de 2008, aos 16 anos.
Seis confissões e motivos fúteis
Sobre o jovem pesam seis acusações de assassinato: cinco em Novo Hamburgo e uma cometida em Dois Irmãos. Em três delas foi condenado e em uma foi absolvido, enquanto outras duas ainda aguardam julgamento. A suspeita inicial de que seriam 12 homicídios, alguns cometidos com o auxílio de um comparsa de 25 anos, acabou não se traduzindo em processos judiciais, o que não diminui o impacto.
Em comum, os crimes tinham o fato de que ele dava o primeiro tiro para derrubar – geralmente na cabeça – e, depois, descarregava a arma na vítima.
A frieza da justificativa para os crimes impressionou até os mais experientes agentes de Polícia: ‘‘Eu não mato por dinheiro. Só mato quem faz alguma coisa para mim ou para minha família’’, declarou à reportagem do Jornal NH. Na ocasião, disse que mataria mais três pessoas para fazer justiça: dois homens que teriam assassinado primos seus e um terceiro que tentou estuprar sua irmã. ‘‘Eu senti o prazer da vingança’’, revelou, ao falar sobre o assassinato, com três tiros, de um homem que havia lhe dado um soco.
Outro homem foi morto com 20 tiros porque deu-lhe um tapa e o impediu de entrar no baile que organizava.
O único arrependimento revelado foi após um dos assassinatos. Mas arrependimento não em função de culpa. ‘‘É que depois que matei um veio um monte de azar. A Polícia se encarnando em mim...’’.
A liberação do Case depende da avaliação de uma equipe formada por técnicos da instituição. A análise, revela o advogado, será finalizada nas duas últimas semanas de março. Caso não seja liberado, uma nova avaliação será marcada para meados de setembro. Se novamente for considerado que não está apto a sair, em março de 2011 deixará a instituição de qualquer maneira, uma vez que já terá cumprido os três anos.
O titular da 4a Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, Enizaldo Plentz, que comandou as investigações à época dos fatos, considera que, solto, representará risco à comunidade. ‘‘Ele tem uma personalidade violenta. A maior vítima será a sociedade’’, defende. O ofício policial lhe dá uma certeza: é necessário promover mudanças na legislação. ‘‘É preciso modificar o Estatuto da Criança e do Adolescente nos seguintes termos: em caso de crimes hediondos, inafiançáveis, a pena deveria se estender além da maioridade, permanecendo segregado durante um tempo maior’’, opina.
"Em dois meses, ele vai matar de novo"
Defensor de penas mais duras para crimes de morte cometidos por menores de idade, o promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim, que atuava em Novo Hamburgo e acompanhou todo o desenrolar do caso em março de 2008, afirma não ter dúvida alguma de que ele vai reincidir na rotina de delitos. ‘‘Em dois meses, ele vai matar de novo, porque é um psicopata, já nasceu criminoso. Tem muita gente que vai achar um absurdo o que eu estou dizendo, mas é verdade, ele é um criminoso nato’’, avalia. ‘‘E se não for preso, dentro de um ano vai estar morto’’, acrescenta.
Amorim revela que sempre conversou abertamente com o adolescente. ‘‘Ele sempre me respeitou, mas aparenta não ter muita noção do valor da vida, como a maioria dos criminosos. Matar uma pessoa ou um rato para ele é a mesma coisa’’, compara. O promotor também defende uma ampla reforma no atual sistema a que hoje os menores de idade estão sujeitos. ‘‘Temos que ter um sistema semelhante ao inglês, em que, em crimes de morte, não interessa a idade biológica, é punido como se fosse maior de idade’’, revela.
O aumento de crimes violentos, a exemplo do assalto que culminou na morte de uma advogada na última quarta-feira, é um contumaz argumento que o faz manter sua posição favorável à pena de morte. ‘‘Mas não só pena de morte, pena de morte com dor’’, expõe. ‘‘As tornozeleiras eletrônicas, por exemplo, economizariam na construção de presídios e proporcionariam uma fantástica redução dos homicídios, já que revelaria se estavam ou não na cena dos crimes’’, justifica.
Leia matéria na íntegra na versão impressa do Jornal ABC Domingo
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TEREZINHA
Parobé, 22/03/2010 às 18:00
Meu Deus do céu... O que nos espera?
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Joao Carrasmano
Araricá, 22/03/2010 às 14:38
Pena capital para este tipo de gente. Se é que podemos classificá-lo como ser humano. Só pelo olhar deste (...) tu sente um vazio enorme. E a família? Nossa base de vida está se esvaindo. E as cláusulas pétreas. Ah, se fosse diferente.
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Jose Bezerra
Novo Hamburgo, 22/03/2010 às 13:19
Comentario aguardando moderação.
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Maria
Ivoti, 21/03/2010 às 21:29
Não sei como um advogado dorme sabendo que colocou um psicopata nas ruas. É lamentável! O pai dizer que o filho é um guri normal e inteligente até é compreensível, mas as autoridades não podem compactuar com essa ideia maluca. Os que defendem essas pessoas deveriam sentir na pele a dor do crime...
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Lilian Mello
Novo Hamburgo, 21/03/2010 às 18:48
Concordo com promotor Amorim 100%. E desde quando uma pessoa pode ser considerada normal depois de ter confessado matar 6 pessoas!!! Isso não tem NADA de normal (segundo entrevistada mãe ao NH hoje) Pelo amor de Deus!!! Isso é um absurdo!!!
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laura
Novo Hamburgo, 21/03/2010 às 16:14
Já que é um rapaz tão inteligente, que está preparado a voltar a sociedade, o Dr Rafael Ermel deveria deixá-lo ficar em sua casa por uns tempos. Afinal, não há o que temer já que ele está recuperado.
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Glauber
Novo Hamburgo, 21/03/2010 às 15:05
Concordo com o Promotor Amorim, para casos como este deveria ter pena de morte com dor.
O advogado Rafael Ermel deveria ter vergonha na cara em dizer que este marginal é um trabalhador.
O povo deve ir pra rua protestar, e fazer mudar as leis, para manter marginais como este a vida toda na cadeia.
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Nina
São Leopoldo, 21/03/2010 às 14:05
Sr. promotor, concordo plenamente com a pena de morte com dor, para crimes absurdos como este.Pois o criminoso estará ciente da sua punição.Assim espero que este criminoso não seja solto,pois fará tudo de novo, a sua frieza é transparente.
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Édison
Novo Hamburgo, 21/03/2010 às 13:50
(...)
O povo brasileiro é muito medroso, conformista e alienado. Vamos para a rua protestar!
Cadê os nossos direitos de pessoas de bem?
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EZEQUIEL
Novo Hamburgo, 21/03/2010 às 13:35
Estou a favor do promotor, pois vários advogados falam que seus clientes estão aptos a voltar rua, quando presos.
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jester
Novo Hamburgo, 21/03/2010 às 13:35
se os pais deram a educaçao correta imaginem se nao o tivessem feito.com certeza o AMORIM tem razao logo sera um de nos nas maos deste guri.quem sabe o guri vai morar na casa do advogado que o defende.
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Inês
Novo Hamburgo, 21/03/2010 às 13:31
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Douglas
Novo Hamburgo, 21/03/2010 às 11:51
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Douglas
Novo Hamburgo, 21/03/2010 às 11:50
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GAUCHO
Porto Alegre, 21/03/2010 às 10:07
Olha, o promotor tem toda razão (...)
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