
Canoas - O cárcere privado de maior duração na história policial do Estado está longe de terminar. A previsão é da Brigada Militar, que negocia a rendição do vigilante Rodrigo Leandro Luz, de 32 anos, e a liberação de sua ex-esposa, Josiane Pontes, de 29 anos. Ela é mantida como refém desde as 23 horas de sexta-feira.
Desde o início, o local foi cercado pela polícia. Houve negociação constante, mas o impasse permaneceu. O major Eduardo Amorim afirma que os negociadores entram em contato com Luz de cinco em cinco minutos. No domingo, eles conversaram também com Josiane. O vigilante chegou a dizer várias vezes que iria se entregar, mas ainda não saiu da casa nem liberou a mulher. Durante esta madrugada, houve apenas um pequeno movimento policial no local, porém a situação permaneceu inalterada.
Às 7 horas de segunda-feira, a situação no bairro Guajuviras, em Canoas, completou 56 horas de duração. Antes, o caso de cárcere privado mais longo era o de um táxi-lotação em Porto Alegre, que durou 27 horas, em 2002.
Às 23h15 de domingo, o subcomandante da Brigada Militar, coronel Jones Calixtrato Barreto dos Santos, concedeu uma entrevista coletiva à imprensa informando que o impasse prosseguia. Ele informou que também foi feito contato por telefone com Josiane, que estava bem. Luz foi descrito por Jones como mais calmo do que no primeiro dia. O policial militar também informou que a BM mantém a tática de negociar até o final, acrescentando que a dificuldade de acesso à casa e a incerteza sobre a localização dos ocupantes no interior dificultariam uma ação tática. A polícia também acredita que haja um pequeno estoque de alimentos dentro da casa.
Um vizinho de Josiane gravou um vídeo que mostra a movimentação dos agentes do Gate, familiares e negociadores da Brigada Militar. O registro é da tarde de sábado. Assista às imagens.
O subcomandante Jones afirmou durante todo o domingo que acredita em um desfecho sem uso de ação tática. Para ele, as negociações estão evoluindo. Mas ele chegou a comentar que Josiane ainda corre risco, apesar das ameaças de Luz terem cessado. Não há prazo para rendição do sequestrador, que quer garantias de que sairá com vida da casa onde foi feito o cativeiro da ex-mulher. O Grupo de Ações Táticas Especiais tem o diálogo como maior estratégia.
Na tarde de sábado, Luz chegou a exigir um colete à prova de balas e a presença da sua psiquiatra. Hoje o vigilante não fez novas exigências. Acordado há pelo menos 45 horas, o homem demontra muita resistência física, sem aparentar exaustão. Soube-se, neste domingo, que Luz tem antecendentes criminosos por receptação e furto de veículo.
Foto: Vinícius Carvalho/GES
Com informações dos repórteres Cláudia Boff e Emerson Machado, do jornal Diário de Canoas