
Chile - A bordo de botes Zodiac de 13 lugares, os passageiros do navio Mare Australis desembarcam na Ilha Magdalena, para duas horas de livre convívio com centenas de pinguins. Só precisam respeitar as áreas delimitadas para o passeio e resistir à tentação de alimentar os animais.
Emocionados, os turistas interrompem a caminhada para dar passagem àquelas pequenas criaturas, de andar trôpego e desengonçado, que atravessam à sua frente, lenta e despreocupadamente, a caminho do mar. Nessa ilha, no sul do Chile, são os pinguins de Magalhães que dão as ordens e, por isso, têm a preferência no inusitado cruzamento de trânsito. Protegidos pela Corporación Nacional Forestal, organização chilena de defesa da vida animal e silvestre, 170 mil pinguins se encontram na ilha, todos os anos, para se reproduzir.
Esse raro momento em que os seres humanos deixam de ser os donos da situação fez parte da expedição marítima à Patagônia feita a bordo do Mare Australis na temporada que terminou em março. O navio de bandeira chilena reinicia a programação anual de cruzeiros, assim como diversas outras embarcações na região, em setembro, com roteiros distintos que partem de Ushuaia, na Argentina, ou Punta Arenas, no Chile.
A viagem a bordo do Mare Australis começara três dias antes em Ushuaia, a pequena capital da Terra do Fogo, o fim do mundo, como dizem os argentinos, e já tinha oferecido uma série de atrações inesquecíveis aos seus passageiros. O navio, com não mais de 135 passageiros de 12 nacionalidades, navegou entre fiordes e geleiras eternas; visitou o mítico Cabo Horn, no extremo sul do continente, onde os oceanos Atlântico e Pacífico se encontram, e proporcionou um belo passeio na lendária Baía Wulaia, lugar onde o naturalista britânico Charles Darwin teve contato com aborígenes yámanas, no século 19, e que ainda permanece repleto de sítios arqueológicos.
Muitas outras emoções ainda estavam reservadas após a breve parada em Punta Arenas, às margens do Estreito de Magalhães, no Chile, onde parte dos turistas desembarcou e outro grupo iniciou viagem.
Fauna e flora
Os guias comandados por Fuentes ensinam tudo sobre a rica flora da Patagônia, durante um passeio pelos bosques subantárticos da região. Mostram, por exemplo, o calafate, que dá uma fruta azulada com a qual se faz uma ótima geleia.
Mas para nós, brasileiros, acostumados à vasta vegetação de nosso país, o que atrai mesmo são os milhares de pinguins em plena fase de reprodução, os elefantes-marinhos, os golfinhos que se exibem ao lado do navio em diversos trechos da viagem, e, com sorte, até as baleias que, vez ou outra, aparecem para um show particular, sem falar no voo elegante de albatrozes e cormorões.
Blocos de gelo
Se o encontro com os animais enche o navio de exclamações, a sensação é a mesma ao ver de muito perto os glaciais — que produzem estrondos permanentes, com o desprendimento de grandes blocos de gelo. Na primeira parte da viagem, entre Ushuaia e Punta Arenas, os turistas foram convidados a descer aos botes para
navegar pelo belo Fiorde Alacalufe até chegar ao Glacial Piloto, famoso por sua coloração azul piscina.As informações são do Caderno de Turismo do Jornal NH
Os guias explicam quea cor indica a idade do glacial, neste caso próxima dos mil anos. Ouve-se um estrondo e parte do gelo despenca no mar, deixando eufóricos os turistas. Na segunda metade do roteiro, entre Punta Arenas e Ushuaia, oMare Australis passa por glaciais ainda mais bonitos. Todos correm ao convés com as máquinas fotográficas.
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