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BR-116 - 08/02/2012 06h55
Atualizado em 08/02/2012 10h20

Só no mês passado frota de carros aumentou em 4.756 na região

Por causa disso, mesmo nas férias, os congestionamentos seguem na rodovia.


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Da Redação

Foto: Claiton Dornelles/GES
Engarrafados: nem em janeiro e fevereiro motoristas se livram do tumulto na BR-116
Engarrafados: nem em janeiro e fevereiro motoristas se livram do tumulto na BR-116

Novo Hamburgo  - Já foi mais tranquilo dirigir pela BR-116 durante os meses de janeiro e fevereiro. Conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RS), só no mês de janeiro deste ano a frota das maiores cidades cortadas pela rodovia – Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo – aumentou em 4.756 veículos, pulando de 1.183.718, em dezembro, para atuais 1.188.474. Esse contigente faz parte dos mais de 5 milhões veículos em circulação no trecho de estrada mais movimentado do Estado.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, no período de férias, o movimento na 116 baixa 20%. Significa que, de uma média diária entre março e dezembro de 120 mil veículos, janeiro e fevereiro registram em torno de 100 mil veículos por dia. “Dez anos atrás, a redução de carros na BR-116 era mais significativa nesse período. E a tendência é que cada vez seja menos expressiva”, avalia o chefe da 1.ª Delegacia da PRF, Paulo Júnior. Ele considera que os 20 mil automóveis a menos em trânsito em janeiro e fevereiro estão associados ao recesso das universidades. “Tira apenas os estudantes das faculdades da região, como Ulbra, Unisinos e Feevale. Fora isso, o fluxo das cidades não para no verão”, observa.

Quem espera encontrar nessa época do ano uma BR-116 com trânsito fluido para curtir um cinema na Capital no fim de tarde de sexta-feira, por exemplo, não escapa do congestionamento que torna a viagem de em torno de 40 quilômetros um longo trajeto a ser percorrido em pelo menos uma hora.

Segundo o Núcleo de Comunicação da PRF, por não haver pedágio ou sistema de contagem de veículos no trecho da BR-116 entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, a medição exata de automóveis em circulação na rodovia só é feita mediante a contratação de empresa para este serviço.

TREM

A extensão da Linha 1 da Trensurb até Novo Hamburgo deverá servir de alternativa para parte dos usuários da BR-116 que se deslocam aos municípios do eixo da rodovia e à Capital. Os novos 9,3 quilômetros a partir de São Leopoldo, estruturados em via elevada, comportarão no total cinco estações e a expectativa é que tudo esteja pronto no fim deste ano. Já o transporte de passageiros deve começar no primeiro semestre de 2013.

Tranqueira no rumo à praia

Apesar de ainda fluir melhor durante os meses de janeiro e fevereiro em relação ao restante do ano, o trânsito na BR-116 não deixa de registrar momentos de trânsito lento no período de férias. Acidentes e a debandada para o litoral nas sextas-feiras – entre as 17 e 21 horas – fazem com que os motoristas enfrentem congestionamentos pontuais. Segundo o chefe da 1.ª Delegacia da PRF, Paulo Júnior, mesmo no verão o grande fluxo de automóveis faz com que, nos horários de pico, a velocidade seja abaixo do que determina a rodovia (máxima de 80 quilômetros por hora). “A maior ocorrência são pequenos acidentes por falta de atenção, como troca de faixa sem sinalizar”, aponta.

BR-448 DEVE ABSORVER 40% DO FLUXO

O supervisor da unidade do Dnit em São Leopoldo, Carlos Adalberto Pitta Pinheiro, considera prematura a possibilidade de saturamento da BR-116 em dez anos devido ao aumento de frota. Ele destaca que, além da previsão da BR-448 (Rodovia do Parque) absorver 40% do tráfego a partir de 2013, outros projetos buscam dar fluidez ao tráfego. “Está em estudo de viabilidade técnica e econômica a extensão da Rodovia do Parque até a RS-240, em Portão, ou até a RS-239, em Estância Velha. E a minuta do projeto básico de melhorias da BR-116 já está em avaliação pela superintendência do Dnit”, comenta. Quando pronta, a BR-448 deverá absorver 40% do fluxo de veículos atual da BR-116. Porém, o inspetor João Antônio Brasil, do Núcleo de Comunicação da PRF, comenta que é impossível determinar quantos motoristas vão optar pela Rodovia do Parque no futuro. O mesmo acontece com quem se desloca entre Novo Hamburgo e cidades atendidas pela Trensurb. “Se fala que mais ou menos 30 mil pessoas serão beneficiadas com a extensão do trem a Novo Hamburgo, mas não se sabe quantas usam veículos e vão trocar o carro pelo trem”, pondera Brasil. Ele acredita que a duplicação da RS-118 também será uma opção para desafogar o trânsito do Vale do Sinos com destino ao norte da Capital e Alvorada.

Terceira faixa

Aproveitando o período de menor fluxo de veículos, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) realiza a ampliação da terceira faixa da BR-116, no trecho da Estação Niterói até a ponte do Rio Gravataí, sentido interior-Capital. A obra ocorre das 21 às 5 horas, inclusive sábado e domingo, para que esteja pronta antes da retomada do maior movimento, em março. “A previsão é de abrir ao trânsito na semana que vem, dia 13 ou 14. Vai depender do tempo para fazermos o revestimento asfáltico”, pondera o engenheiro do Dnit Luciano Santarém. Ele salienta a importância da obra. “Sem o prolongamento da terceira faixa em Canoas, o gargalo rodoviário da BR-116 causa prejuízo até as imediações da BR-386. Com a ampliação da pista, vai aumentar a capacidade na região, mas especialmente em Canoas”.

Um carro para cada dois gaúchos

A situação econômica favorável da população brasileira nos últimos anos e a facilidade de financiamento impulsionaram a aquisição de automóveis no país. O professor Jardel da Silva Nunes, do curso de Transportes Terrestres da Ulbra, comenta que o Rio Grande do Sul chegou a 5 milhões de veículos em 2011, representando uma proporção de um carro para cada dois gaúchos, se considerado o total de 10.693.929 habitantes no Estado, conforme dados do Censo 2010. A circulação destes carros nas ruas e rodovias preocupa o especialista. “O aumento da frota não acompanha a engenharia de tráfego. As vias não foram planejadas para atender o fluxo grande de veículos”, avalia.






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