

Novo Hamburgo - Relatório inédito divulgado ontem pelo Departamento Estadual de Trânsito do Estado (Detran/RS) revelou os extremos da violência no trânsito gaúcho (clique na figura para ampliar). De bom, o levantamento descobriu 131 cidades onde não houve acidente com morte de janeiro de 2007 até julho deste ano, seis delas na região. De ruim, apontou Novo Hamburgo como a 6.ª no ranking das com maior registro de óbitos: foram 55 no período da pesquisa. São Leopoldo ocupa a 7.ª colocação e Canoas a 10.ª.
A pesquisa, chamada 1.º Diagnóstico de Violência no Trânsito, é considerada inédita e inovadora no País, por conta de detalhes como horário dos acidentes, tipo dos veículos envolvidos e o perfil dos condutores. "Isso foi possível devido a uma parceria entre o Detran e a Secretaria Estadual da Segurança Pública, pois estamos fazendo um cruzamento de dados", explica o chefe de gabinete do Detran/RS, Luis Fernando Linch. O levantamento será divulgado trimestralmente.
REDUÇÃO - Secretários e dirigentes de trânsito dos municípios participaram do encontro, que para Linch foi positivo. "Comemoramos, pois os incidentes de trânsito diminuíram. A isso atribuímos várias ações, como a educação no trânsito por parte de diversos órgãos, a constante fiscalização e a Lei Seca", menciona, destacando que a maioria dos incidentes aconteceu em vias dentro dos municípios.
Para o especialista em Segurança Pública e professor de legislação de trânsito, major Ordeli Savedra Gomes, as estradas estaduais e federais que passam por esses municípios influenciam na estatística. "Se analisarmos Novo Hamburgo, a BR-116 apresenta um fluxo muito intenso." Para melhorar os índices, diz, é preciso ainda muita fiscalização e educação no trânsito.
Novo Hamburgo em 6o no ranking
Com 253.067 habitantes, Novo Hamburgo teve 55 incidentes de trânsito com morte de janeiro de 2007 a julho de 2009. Para o secretário de Segurança e Mobilidade Urbana, Luiz Fernando Farias, a 6.ª colocação não é tão negativa assim. "Se levarmos em conta o número populacional, estaríamos em 24.º lugar", avalia, contando que a secretaria tem se preocupado com fatores preponderantes, como a sinalização, fiscalização e educação no trânsito. "Estamos investindo nisso. Para formar o cidadão de amanhã e mobilizar os que estão nas ruas hoje."
A RECEITA DO ÍNDICE ZERO
Alto Feliz - O município de 2.934 habitantes faz trabalhos em parceria com a Brigada Militar, educando as crianças desde pequenas, segundo o prefeito Maurício Kunrath. Nesse ano já instalou sete quebra-molas
Lindolfo Collor - Não há acidentes de trânsito com grandes danos na cidade onde moram 5.279 pessoas, porque o perímetro urbano é pequeno, afirma o coordenador de Trânsito Adão Jorge Alves da Silva
Riozinho - O prefeito Airton Trevisan da Rosa disse que a cidade de 4.406 habitantes faz trabalhos de conscientização e de valorização da vida
São José do Sul - O prefeito Anildo José Petry atribui o resultado pela cidade de 1.899 moradores ser calma e não ter criminalidade
São Leopoldo em 7o com 54 vítimas
São Leopoldo registrou 54 mortes e ocupa a 7.ª colocação no estudo. O comandante da BM local, tenente-coronel Carlos Magno Schwantz Oliveira, acrescenta que a maioria dos acidentes ocorre à noite. Nesse ano, já são oito mortos no trânsito.
Região cortada por rodovias perigosas
De acordo com o Detran, 25% dos acidentes com morte acontecem nas rodovias federais. As rodovias estaduais contabilizam 31% dos acidentes com óbitos. Outro dado é que abril foi o mês mais violento do ano, com 119 mortes.
Yeda devolve pedágios à União
Jennifer Morsch
Dentro de 30 dias, a União deverá retomar os trechos de rodovias federais delegadas ao Estado, passando a assumir os seis polos de pedágios das concessões que envolvem estradas federais. Dos sete polos de concessões do Estado, apenas o de Gramado não será repassado ao governo federal, porque não tem trechos de estradas federais. Os de Carazinho, Caxias do Sul, Lajeado, Metropolitano, Santa Cruz do Sul e Vacaria serão assumidos pela União, que vai administrar cerca de 1,6 mil quilômetros de rodovias.
Com a decisão, o governo do Estado abre mão da arrecadação dos contratos firmados com os seis polos de pedágio compostos por estradas estaduais e federais. O diretor da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Paulo Oiama, disse que a medida não vai alterar em nada o serviço prestado pelas concesionárias aos usuários.
Dentro do Polo Metropolitano, a praça de pedágio da RS-474, no trecho de Santo Antônio da Patrulha em direção a Taquara, está incluída. O anúncio foi feito na manhã de ontem pela governadora Yeda Crusius, acompanhada do Secretario de Infraestrutura e Logística Daniel Andrade e o diretor do Departamento de Estradas e Rodagens (Daer), Vicente Paulo Mattos de Britto Pereira, no Palácio Piratini.
Notificação na semana que vem
A decisão será publicada hoje no Diário Oficial e as concessionárias serão notificadas na próxima semana pelo Daer. Os contratos com as concessionárias continuam vigentes e os serviços aos usuários das estradas permanecerão, agora sob administração do governo federal.
A governadora justificou a decisão à impossibilidade do Estado pagar a nova ação de cobrança judicial das concessionárias, no valor de R$ 1 bilhão, referentes aos desequilíbrios nos contratos de concessões acumulados desde 1998. Também é uma forma de liberar os trechos à União, para que destine recursos às duplicações e melhorias, até então executadas pelo Rio Grande do Sul, como é o caso das BRs 386, 116 e 290, se o Duplica/RS não tivesse sido barrado pelo governo federal.
Concessionárias surpreendidas
O diretor da ABCR, Paulo Oiama, foi surpreendido pela decisão. "Embora seja uma medida unilateral do governo do Estado, é prevista nos convênios de delegação assinados em 1996, nos quais também há a garantia de que os serviços que as concessionárias prestam à comunidade serão regulares e contínuos’’, disse.
A atitude de Yeda teria sido uma resposta à cobrança extra-judicial encaminhada pela associação ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) em relação ao passivo de R$ 1,7 bilhão das concessionárias.