
Novo Hamburgo - É comum ver carros trafegando pelas ruas da cidade com pessoas sem o cinto de segurança no banco de trás. O difícil é conscientizá-las de que correm sério risco quando o veículo se envolve em acidente. Conforme pesquisa da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, 74% não usam o equipamento no banco de trás. Ao todo, 80% das mortes registradas no banco da frente poderiam ser evitadas se, na hora do acidente, os passageiros de trás estivessem de cinto de segurança.
O descaso, a crença de que acidentes só acontecem com os outros ou a aposta na falta de impunidade podem ser apontados como os principais motivos pelo abandono do equipamento que normalmente salva vidas. O enfermeiro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Taquara, Antônio César Machado, 37 anos, atendeu várias vítimas que "voaram’’ do banco de trás para o painel ou ao parabrisa do veículo. "Na maioria dos casos são crianças. Elas não têm reflexo para se defender no momento do acidente e são jogadas com facilidade para dentro ou fora do carro, não importando a velocidade do veículo."
Mesmo correndo riscos, grande parte dos motoristas não exige a colocação do equipamento. "Raramente uso dentro da cidade. Apenas lembro do cinto para todo mundo quando estou em viagem’’, admitiu o empresário Luiz Oliveira, 51 anos. O gerente comercial Dilamar Pauletti, 30, avaliou como descuido a falta do uso do cinto por parte de passageiros de seu carro, mas revelou que a baixa fiscalização facilita a irregularidade: "Se eu tivesse que pagar multa, passaria a obrigar o uso do cinto no outro dia.’’
Fiscalização
A Guarda Municipal de Novo Hamburgo está intensificando a fiscalização. Segundo o assessor Vilson de Souza, as operações serão cada vez mais rigorosas, especialmente nas proximidades das escolas. "No ano passado, notificamos cinco motoristas em junho. Neste ano, já foram 59". Segundo ele, os dados não são específicos se o cinto não estava sendo usado no banco dianteiro ou traseiro.
Números alarmantes
Conforme a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), um estudo sobre os impactos dos acidentes de trânsito verificou que um adulto de aproximadamente 60 quilos é arremessado contra o banco da frente pesando mais de uma tonelada numa colisão a 50 quilômetros por hora. De acordo com dados da Associação Brasileira de Medicina de Trânsito (Abramet) e da SBOT, a cada três vítimas de acidentes de trânsito sentadas no banco traseiro, uma necessita de tratamento hospitalar.
As lesões mais frequentes ocorrem no crânio, tórax e abdome (36%); coluna cervical, perna, joelho, tornozelo e pé (34%); e mão, punho, cotovelo e ombro (30%). Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), a cada ano, 2,4 mil crianças com até 14 anos de idade morrem em acidentes de trânsito no Brasil. Na estimativa do Ministério da Saúde, nove em cada 10 mortes poderiam ter sido evitadas com o uso de equipamentos de segurança adequados: a cadeirinha ou o cinto de segurança.
Dica para o uso correto
De acordo com a Abramet, crianças e adolescentes geralmente não se adaptam ao cinto de segurança até atingir a estatura mínima de 1,45 metro, o que ocorre aproximadamente aos 10 anos de idade. Dica para saber se o cinto está adequado: basta observar se a faixa transversal passa sobre o ombro e diagonalmente pelo tórax, e a faixa abdominal fica apoiada nas saliências ósseas do quadril ou sobre a porção superior das coxas. Um das principais funções do cinto no banco traseiro é evitar a ejeção dos passageiros, pois quando são arremessados para fora do carro, há 75% de risco de morrerem. Outra importância fundamental desse item é para quem ocupa o assento dianteiro.
Fiscalização
Desde junho, os órgãos do Sistema Nacional de Trânsito iniciaram campanhas educativas sobre o transporte de crianças. A Guarda Municipal de Novo Hamburgo está fazendo este trabalho por meio do seu grupo teatral e de panfletos entregues em blitzes. Entretanto, a fiscalização, conforme a nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito, será iniciada em junho de 2010. A resolução diz que: crianças com até um ano devem utilizar, obrigatoriamente, o bebê conforto ou conversível. Com idade superior a 1 ano e inferior a 4 devem utilizar a cadeirinha. Com mais de 4 e inferior ou igual a 7 anos e meio devem usar o assento de elevação. As maiores de 7 anos e meio e com idade inferior ou igual a 10 anos devem usar o cinto do veículo.
Obrigatório
O uso do cinto de segurança nos bancos de trás dos veículos é tão obrigatório quanto na frente, seja em rodovias ou nas cidades. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no artigo 65, determina que "é obrigatório o uso do cinto de segurança para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional". Também estabelece, no artigo 167, que não usar o cinto é infração grave, com multa de R$ 127,69 e perda de cinco pontos na carteira. A falta de conhecimento e a impunidade, no entanto, acabam por contribuir com a falsa crença de que não é preciso usar o cinto nos bancos traseiros.
Foto: Diego da Rosa/GES.
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Michel
Novo Hamburgo, 15/07/2009 às 09:37
É simples: alta velocidade, sem o cinto de segurança, embriaguez, causou acidente? Atendimento só particular. pois este povo brasileiro só entende as coisas quando pesa no bolso. Infelizmente em nosso PAÍS nem diploma resolve. Falta educação para tudo.
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