Canoas - Ao meio-dia de hoje reabre o centro obstétrico do Hospital Universitário da Ulbra, que permaneceu fechado no final de semana, depois da intoxicação de 11 bebês internados na instituição. Nesta manhã, a diretora Eleonora Gehlen Walcher definirá quais serão as medidas adotadas para evitar que situações semelhantes ocorram. Das 11 crianças, três receberam alta ontem e uma no sábado. A previsão é de que os demais sejam liberados a partir desta segunda-feira.
Eleonora disse ontem que poderá haver mudanças na contratação de recursos humanos, no número de funcionários por paciente e na vigilância do hospital. A diretora estuda uma maneira de melhor proteger medicamentos que são mantidos guardados nos carros de anestesia e usados pelas equipes no HU, inclusive produtos como morfina. Conforme ela, é norma da Vigilância Sanitária que nas unidades onde estão internados pacientes graves os carros fiquem à disposição. "Toda a medicação de suporte fica chaveada nos carrinhos e só quem pode mexer são os enfermeiros com autorização dos médicos. No entanto, quem trabalha com isso tem maneiras de burlar", explicou Eleonora.
Também hoje a diretoria do HU irá conversar com os pais dos bebês e funcionários. "O movimento de sexta-feira foi bastante doloroso para todos nós. Logo ao saber que a polícia vinha ao hospital, mandei fechar as portas e separei os pais dos funcionários em espaços diferentes. Quero pedir desculpas, mas eu precisava fazer alguma coisa", explicou.
Alívio e apreensão entre os pais
O movimento de seguranças na porta do HU era grande ontem. Ninguém, a não ser os pais dos bebês, podia entrar no prédio. Alguns pais e parentes estavam em frente à porta principal e falaram da expectativa para a liberação das crianças. O comerciante Alexandre Fagundes e Silva, 29 anos, mostrava-se ao mesmo tempo aliviado e apreensivo. Ele não vê a hora de levar o pequeno Vitor Alexandre para casa, mas teme pela saúde do bebê no futuro. "Quem me garante que ele não terá alguma sequela?"
A Ulbra informou que os bebês são liberados com consulta agendada para daqui a alguns dias e que eles serão acompanhados periodicamente pelo hospital, mas que não há como garantir que não terão sequelas.