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Saúde pública | sexta-feira, 9 de julho de 2010 - 08h34
Governo do Estado prepara ações na guerra contra a dengue
Na região, Canoas, Imbé e São Leopoldo são consideradas cidades infestadas.
Danielle Dalbosco/Da Redação
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Epidemia de dengue é questão de tempo no RS, diz secretária
Porto Alegre - "Vai acontecer. É só uma questão de tempo". Foi com esta fala que a secretária Estadual da Saúde, Arita Bergmann, abriu a apresentação que alertou secretários municipais e representantes da Vigilância em Saúde sobre uma possível epidemia de dengue na região metropolitana. O governo do Estado promoveu a reunião ontem, na sede da Escola de Saúde Pública do RS, na Capital, a fim de apresentar o panorama atual da dengue no Estado e preparar as equipes para enfrentarem a doença, cujo auge deve ser no verão. A iniciativa foi tomada devido aos seis primeiros casos de dengue autóctone (contraída na cidade) em Porto Alegre. Outras quatro cidades da região metropolitana já têm o mosquito: Canoas, Alvorada, Viamão e São Leopoldo. Imbé também está na lista.

DISSEMINAÇÃO
A chefe da Divisão Epidemiológica do Estado, Marilina Bercini, explica que é preciso formar um plano de contingência, pois depois que casos surgem na Capital, a disseminação da doença é quase certa. "Temos de nos preparar desde agora", declara. A reunião teve como objetivo preparar as equipes para uma possível e provável epidemia e promover um debate sobre como deve ser o enfrentamento, quais recursos se tem e o que ainda é preciso ser melhorado. "É uma situação eminente. Já vimos que em outras regiões do País a situação foi catastrófica pela congestão no sistema de saúde", alerta Marilina.

Plano de contingência
Ao final do encontro com por volta de 150 gestores de saúde de Canoas, Novo Hamburgo, Sapiranga, Morro Reuter, Triunfo, Campo Bom, entre outras cidades, ficou decidida a criação de um grupo que vai pactuar um plano de contingência. Estão previstos pelo menos 53 mil casos de dengue na região metropolitana se a situação se confirmar e for de pequena magnitude. Se for média, 142 mil casos devem surgir, e se for grande, 214 mil casos devem ser registrados.

Número de casos aumentou
O número de casos de dengue aumentou 120% no Brasil em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 737.756. O Ministério da Saúde fez levantamento epidemiológico entre 1.º de janeiro e 1.º de maio deste ano e apontou que os casos se concentram em sete Estados: Acre, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo. O município com maior incidência é Belo Horizonte. Segundo o Ministério, houve intensificação das ações nestes Estados que receberam equipamentos para aplicação de inseticidas, remessas de insumos e remédios.

Semente de flor é arma contra o mosquito
S. S. do Caí - A mais nova arma da prefeitura de São Sebastião do Caí contra a proliferação da doença são sementes de crotalária, uma flor amarela originária da Índia, que exige pouco cuidado e sobrevive em solos pobres. A flor atrai um tipo de libélula que põe seus ovos nos mesmos locais onde são colocados os ovos do mosquito Aedes aegypti. As larvas da libélula se alimentam das larvas do mosquito e a própria libélula adulta também come o mosquito da dengue, ajudando a eliminar os riscos.

As sementes começam a ser distribuídas em envelopes com 20 unidades nos estandes do Departamento de Meio Ambiente e da Secretaria Municipal da Saúde neste final de semana, durante a programação das Alegres Manhãs de Sábado, na Avenida Egídio Michaelsen, quadra entre as esquinas da Rua Tiradentes com a Coronel Guimarães. O secretário municipal de Saúde Fernando Cofferri lembra que as sementes de crotalária são apenas um reforço de ação. Não substituem os cuidados que cada morador deve ter na sua residência.

SITUAÇÃO NO RS
No RS são 62 municípios infestados, com grande concentração na região noroeste, que conseguiu conter a situação de urgência em 2007. Ijuí, município com 80 mil habitantes, chegou a apresentar 400 novos casos em uma semana, naquele ano. Em 2010, 4.588 casos de dengue foram notificados em todo o Estado, 115 importados e 656 autóctones. Segundo a chefe da Divisão Epidemiológica do Estado, a região metropolitana sinaliza hoje grande chances de imitar a situação ocorrida no Noroeste, razão que motivou o encontro de ontem.

ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO
- Manter o status dos municípios não infectados
- Minimizar a circulação do mosquito nas cidades infectadas
- Mutirões de limpeza
- Recursos de fora do Estado para compra de tendas de hidratação para pacientes
- Garantir o fluxo de informação na mídia, fazer campanhas
- Criação de Gabinetes de Crise nos municípios
- Organizar e estruturar a rede hospitalar e de ambulatórios
- Capacitar profissionais para diagnóstico precoce
- Envolver os demais setores públicos nas campanhas de prevenção e combate aos focos

AÇÕES NA REGIÃO
Campo Bom - A educação em saúde é o foco. Agentes visitam as escolas e a comunidade a fim de ministrar palestras para orientar a população. Existem 77 armadilhas montadas para capturar ovos do mosquito e 43 pontos estratégicos são visitados quinzenalmente. A assessora de saúde Rejane Cury classifica o trabalho como agressivo, e declara que ele será intensificado nos próximos dias, com o auxílio de três estagiários

Dois Irmãos - Ao todo são 35 armadilhas distribuídas por todos os bairros da cidade. Os 15 pontos estratégicos ficam na rodoviária, cemitério, depósitos de construção, floriculturas e outros locais com grande propensão de criação do mosquito. As equipes vistoriam os pátios, analisam as amostras e visitam casas denunciadas por moradores. Segundo a agente de endemias da cidade, Edna Monteiro Costa, a população está consciente dos riscos e funciona como um braço dos agentes na fiscalização

Estância Velha - O diferencial de Estância Velha é o ecoponto. Um local para coleta de pneus velhos e sem uso, a fim de dar um destino adequado e evitar que se tornem focos do mosquito. Além disso, 54 armadilhas estão montadas em todos os bairros da cidade. Segundo Ricardo Amado, coordenador das equipes, uma equipe de vigilância se dedica só à prevenção da dengue e monitora dezenas de pontos estratégicos quinzenalmente, além de atender a denúncias de moradores

Igrejinha - Frequentemente os agentes da cidade fiscalizam pontos estratégicos, como cemitérios e oficinas mecânicas. Além disso, é feito um trabalho de visitações em residências, de conscientização e de informações, por meio da distribuição de cartilhas

Ivoti - O agente Irineu José Mohr e a enfermeira Alexandra Fick participaram da reunião ontem e explicam que as ações de Ivoti estão de acordo com as exigidas. Vinte pontos estratégicos são visitados quinzenalmente, ferros velhos e oficinas têm atenção especial e 37 armadilhas estão distribuídas pela cidade. Nunca foi registrado foco do Aedes aegypti

Nova Hartz - De acordo com a Vigilância em Saúde, em um primeiro momento não haverá intensificação do trabalho porque no município não há focos do mosquito da dengue. Agentes de saúde realizam visitações em pontos estratégicos e fiscalizam as armadilhas, além do trabalho de conscientização na comunidade

Novo Hamburgo - É considerado não infectado e segue o programa Nacional de Combate a Dengue. Visitas domiciliares são feitas em caso de denúncias e 156 pontos estratégicos são visitados de 15 em 15 dias para que os agentes fiscalizem cemitérios e orientem os donos de floriculturas, borracharias e outros locais com grande risco de criação do mosquito. Nas escolas é feito um trabalho preventivo e 132 armadilhas feitas de pneu com água estão montadas na cidade. Semanalmente, os agentes recolhem as larvas e repõem a água

Parobé - Conforme o coordenador da Vigilância Sanitária, Mário Dias, a equipe de combate à dengue tem cinco agentes de saúde, que investigam supostos casos, orientam a população e monitoram mais de 60 pontos na cidade. Parobé deve intensificar o Levantamento de Índice (LI) e do Registro Geográfico (RH) para montar um mapa de prevenção

Rolante - Todos os locais do município que apresentam risco são monitorados quinzenalmente, incluindo escolas e o interior da cidade. Além disso, 22 armadilhas estão distribuídas a fim de constatar se há presença do mosquito. Segundo o fiscal sanitário Flávio Fauda, a vigilância sanitária conta com a ajuda da Secretaria de Obras e da Defesa Civil, que quando encontram situações como água parada em terrenos baldios ou construções, notifica as equipes de prevenção da dengue

São Sebastião do Caí - Entrou em alerta depois que dois focos de larvas do mosquito Aedes aegypti foram encontrados no Centro e no Loteamento São Rafael, em duas das 25 armadilhas montadas no município. Quatro equipes de agentes de saúde estão fazendo uma varredura em um perímetro de 300 metros, a partir das duas armadilhas, para determinar como os insetos chegaram ao local. A campanha de prevenção será reforçada pela prefeitura e se aparecer mais um foco, Caí passa a ser considerado município infestado pelo Aedes aegypti

Sapiranga - A cidade também segue o protocolo do Programa Nacional, distribuindo armadilhas e visitando pontos estratégicos de 15 em 15 dias. Locais que apresentam grande concentração de larvas de outros mosquitos têm atenção especial, onde os agentes fazem um acompanhamento mais de perto

Taquara - O município já possui Plano de Contingência Municipal e os trabalhos de prevenção serão intensificados nas escolas e em pontos estratégicos. "A cidade não tem foco do mosquito da dengue, por isso não há a necessidade de aumentar o número de agentes", declara a secretária municipal de Saúde, Simone do Amaral. Segundo ela, uma vez por semana os profissionais monitoram as 40 armadilhas contra o mosquito

Três Coroas - É uma das poucas cidades da região que tem todos os domicílios visitados pela equipe de combate à dengue. Os pontos estratégicos, como cemitérios e borracharias, são controlados pelos agentes de saúde e nestes lugares também são instaladas armadilhas. A cidade nunca registrou casos de transmissão da doença e tampouco foram encontradas larvas do inseto

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