Tramandaí - A temporada de veraneio chega ao fim e a vida volta à rotina. E não é apenas o veranista que ficará com aquele gostinho de quero mais. A agitação dos dias quentes também vai deixar saudade entre os vendedores na orla de Tramandaí. No Calçadão da avenida Emancipação comerciantes começam a sentir a falta da animação dos visitantes de diferentes localidades, inclusive de fora do País. As ruas lotadas de pedestres e carros e o bate-papo da galera devem ser menos intensos. Boa parte dos veranistas deixou a cidade ontem mesmo e outros partirão ao longo da semana.
O movimento de volta para casa começou pouco depois da hora do almoço. O trânsito da Free Way começou a se intensificar a partir das 14 horas. Muitos motoristas preferiram fugir de engarrafamentos e garantir um retorno tranquilo.
A aposentada Jorgina Retzlaff, 74 anos, aproveitou a manhã de tempo bom e foi se despedir do mar. Ao meio-dia de ontem ela voltou ao seu apartamento na cidade litorânea, fez as malas e entrou no carro rumo a São Leopoldo. "A natureza nos abençoou com este mar maravilhoso. A despedida não poderia ser melhor. Só não fico mais porque o meu prédio está muito vazio e eu estou sozinha. Meus netos já voltaram."
TRABALHO - O vendedor de cangas Deosdete Gomes Pereira, 41, ainda pretende ficar um mês em Tramandaí. Ele chegou de Minas Gerais em outubro para vender roupas de praia e só volta depois da Páscoa. Até lá, espera muitas clientes. "Tenho um mês para trabalhar. Aos finais de semana ainda dá bastante movimento. O pior é aguentar a saudade da família, mas vale à pena."
Para quem trabalha e mora em Tramandaí a saudade é dupla. Além de cair o movimento no comércio local, diminui a agitação dos veranistas. "A partir de hoje (ontem) acalma mais. Vou sentir falta do movimento na cidade. Vamos ficar só até o próximo final de semana abertos. Depois voltamos à rotina", disse a atendente de quiosque Sara da Rocha, 40.
Dono de restaurante já observa queda de 30%
O dono de um restaurante da avenida Emancipação, Osni Neves, começou a perceber no empreendimento os reflexos da despedida de temporada. Na última semana, o movimento caiu 30%. "Costumo dizer que o nosso secretário de turismo é o tempo. Se for divulgado que dará praia no final de semana, sei que teremos ainda alguns bons dias por aqui", falou, a respeito da expectativa de receber clientes ainda nos próximos finais de semana.
Doação de artefatos para museu
O Museu Antropológico Leonel Mantovani, localizado em Osório, ganhou na última semana um reforço. A Secretaria Municipal de Cultura recebeu armas antigas que passam a integrar o acervo do espaço. Os artefatos, entre eles uma Colt Vigiante imitação, com aproximadamente um século, e uma baioneta do fuzil alemão Malzer,de 1908, foram doados pelo coronel e morador da cidade Fenelon Marimon da Cunha.
Morador de Osório há 20 anos, o coronel diz querer contribuir para o resgate histórico do município. Cunha adianta que ainda possui uma espada da Guerra do Paraguai, que era de seu avô, outra baioneta e uma espada. Ele pretende também doar os artefatos.
O Museu Antropológico fica na avenida Marechal Floriano, 810, e está aberto a visitação de terça a sexta-feira, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h30 e aos sábados das 8h30 às 11h30. Mais informações podem ser obtidas pelo fone (51) 3601.2179.
Domingo para ficar com saudade
Termômetros marcando 25 graus, bandeira amarela, água limpa e com temperatura amena tornaram o domingo em Tramandaí propício para os pequenos brincarem à beira-mar. Curtindo seu primeiro verão, Luíza, 1 ano, adorou o contato com a areia e a água salgada. A menina acompanhada da mãe, a promotora de Justiça Roberta Araldi, 32, era só alegria. "É a primeira que trago. Ela adora tomar banho com a água do mar e brincar na areia. E hoje está maravilhoso."
Quem também não perdeu tempo foi a estudante Beatriz Ribeiro, 9. A garota logo que chegou à orla de Tramandaí fez uma amiga e correu para o mar. "Estou com saudades dos meus colegas da escola, mas queria ficar mais na praia", pedia a menina, para o pai permanecer mais alguns dias. O pedreiro Claudiomiro Ribeiro, 32, levou além de Beatriz o filho Eduardo, de um ano, para brincar na água. A família de Estância Velha passou apenas o final de semana no litoral e iria embora ontem no final da tarde. "Quem sabe voltamos", falou Ribeiro.
Muitos adultos também se esbaldaram com o dia típico de verão. A caixa Cláudia dos Santos, 42, e a funcionária pública Vera Vargas, 55, admiravam o mar no final da manhã, ontem. "Está tão lindo que não tenho vontade de ir embora", falou Cláudia.
Balanço aponta 2 mil salvamentos
O balanço divulgado neste final de semana pela Brigada Militar revela que o verão 2009/2010 foi o que mais registrou salvamentos nos últimos cinco anos. De 19 de dezembro até 27 de fevereiro houve 2.088 resgates somente nas praias do litoral norte. Sete pessoas morreram por afogamento e outras cinco foram assassinadas neste período.
Dados da Operação Golfinho revelam ainda que a Brigada fez 2.617 prisões. Destas, 103 eram pessoas que estavam foragidas do sistema prisional.