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Política | sexta-feira, 12 de março de 2010 - 17h21
Lula nega que sua presença em obra da Petrobras seja parte de campanha
Para o presidente, foram investimentos como esse que determinaram saída da crise.
Agência Brasil
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Brasília - Investimentos como o que a Petrobras está fazendo na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, região metropolitana de Curitiba, foram determinantes para que o Brasil fosse o último país a ser atingido pela crise financeira internacional e o primeiro a sair. Assim definiu, nesta sexta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a conclusão da primeira etapa das obras de ampliação e modernização da refinaria.

Lula respondeu a insinuações que, segundo ele, a imprensa fez, levantando suspeita de que sua presença na conclusão da primeira etapa das obras da Repar poderia ser classificada como pré-campanha, já que ele foi acompanhado da pré-candidata do PT à Presidência, a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff. "O que engorda o porco é o olho do dono. Se o presidente e o governador não saírem às ruas, as pessoas não vão saber o que está acontecendo".

"Vendo o rosto dos trabalhadores aqui, hoje, fico orgulhoso, porque não faz muito tempo que a Petrobras tinha que mandar embora 27 mil trabalhadores porque o Tribunal de Contas da União [TCU] tinha mandado um aviso que tinha suspeita de irregularidade e essa obra tinha que ser suspensa", afirmou referindo-se à recomendação do tribunal para a suspensão de obras com suspeita de irregulares e que constavam da lei orçamentária de 2010.

Lula disse que um presidente não pode se submeter a esse tipo de pressão se o resultado de sua ação for para prejuízo de alguém. "Se tem que fazer investigação, apure, mas não vamos fazer com que um trabalhador fique desempregado porque alguém suspeita que alguma coisa está acontecendo", disse.

Ele também justificou o seu veto à decisão do Congresso de suspender obras. "Isso, na verdade, era para ser aprovado. Não foi aprovado porque um senador esqueceu de ir votar e outro companheiro que ia votar, deu comparecimento lá e foi jantar. Nessa hora, colocaram em votação."

Para ele, a manutenção dos empregos foi o mais importante. "Quando desci aqui, fiquei com orgulho, porque não tem nada mais sagrado do que ganhar com suor do seu sangue o pão de cada dia, de sua família. E é isso que muita gente não quer compreender no país", afirmou. Ele enfatizou que a Repar, hoje, é o maior canteiro de obras do Paraná.

Lula lembrou que os Estados Unidos e a Europa perderam, cada um, 7 milhões de postos de trabalho no auge da crise financeira e o Brasil, ao contrário, gerou postos de trabalho, num total de 950 mil.

"Tem gente que, até hoje, não está convencido de que eu deveria ser presidente da República por eu ter sido torneiro mecânico. Mas esse país mudou, porque aprendemos a gostar de nós, não queremos ser tratados como cidadãos de segunda categoria. Tinha um tempo em que o FMI [Fundo Monetário Internacional] dizia o que fazer da nossa economia".

O presidente disse que, no auge da crise, "quando muitos faziam manchete dizendo que o mundo ia acabar e o trabalhador não queria comprar, tive a coragem de ir à televisão e dizer pra o brasileiro consumir."

A ministra Dilma Rousseff disse que, no passado, se houvesse uma crise como a que se deflagrou no final de 2008 e com reflexos em todo o mundo ao longo de 2009, o governo teria paralisado uma obra do porte da Repar. "Mas só tem um jeito de combater a crise. No início da crise, pelo incentivo ao consumo, por exemplo, o país saiu de uma reserva de US$ 205 bilhões e, hoje, sai da crise com US$ 241 bilhões."

A Repar é o maior investimento do sistema Petrobras em unidade de refino – US$ 5,4 bilhões . São 19 novas unidades que vão produzir coque de petróleo, gasolina, diesel, gás de cozinha, propeno e hexano, além de promover a melhoria da qualidade dos derivados produzidos.

No início de suas operações, em 1977, a refinaria possuía capacidade de processamento de 20 mil metros cúbicos de petróleo por dia. A capacidade, hoje, é de 32 mil metros cúbicos, que equivalem a cerca de 200 mil barris/dia. As obras de modernização da Repar geram 15 mil empregos e a conclusão dos trabalhos está prevista para o final de 2011.

Ainda hoje, o presidente estará em Londrina, no norte do Paraná, para participar da cerimônia de assinatura de contratos do programa Minha Casa, Minha Vida.

Foto: Agência Brasil

Tags/ palavras-chave:FMI, governo, União, crise, Congresso, Lula, empregos, Estados Unidos, Brasil, consumo, obras, gasolina, gás, diesel, investimento, televisão, trabalho, lei, prejuízo, programa, PT
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