Novo Hamburgo - Na véspera do Dia Internacional da Mulher, buscamos entre muitas guerreiras uma que conseguisse expressar seu amor pelo trabalho. E diante de tantos exemplos, uma se destacou. Não pelo fato de ocupar um cargo de diretora, mas por sua força em prosseguir na exímia tarefa de comandar o cargo que antes era de seu pai, o empresário Enoré Antonio Bondan, falecido em 2006. A empresa Himaco, que está há mais de 40 anos no ramo de máquinas injetoras termoplásticas, é gerenciada pela diretora e filha de Enoré, Luciane Bondan. Uma mulher que superou as dificuldades e mostrou que o mais importante é ter equilíbrio na vida para que o sucesso possa ser alcançado. "As relações pessoais devem estar em harmonia e sintonia com as relações profissionais. Senão, nada vale a pena", comenta Luciane.
Como você vê a evolução das mulheres no mercado de trabalho, principalmente no que diz respeito aos cargos de chefia?
Luciane - As mulheres hoje têm muito mais oportunidades de entrar no mercado de trabalho e de alcançar cargos de chefia em função de toda uma evolução do mercado. Ao mesmo tempo, as mulheres estão mais ousadas, encarando e enfrentando as dificuldades com muito mais determinação. Antigamente as mulheres queriam revolucionar suas posições e convicções. Hoje, elas têm provado e mostrado sua capacidade ao mercado. Assim, estão sendo mais respeitadas e obtendo credibilidade de toda sociedade.
Você, como mulher e mãe, consegue conciliar as tarefas pessoais com as profissionais e ainda gerenciar uma grande empresa como a Himaco?
Luciane - Sou casada e tenho três filhos. Conciliar as tarefas pessoais com as profissionais é apenas uma questão de organização e definição de prioridades para cada momento e situação. Gerenciar tanto uma empresa quanto as atividades domésticas dependem do trabalho de toda uma equipe, e as equipes que tenho em casa e na empresa são muito boas.
Na sua opinião, existe um diferencial na mulher ao gerenciar uma empresa? Luciane - Acho que o diferencial da mulher que gerencia uma empresa está no currículo que ela constroe ao longo de sua jornada profissional, aliada a uma personalidade voltada à liderança e também a muita determinação. Diria que a determinação, o querer ser líder é o que faz a diferença.
E quais seriam as dicas para se chegar ao cargo de chefia?
Luciane - Além das mencionadas (determinação, liderança, foco), a ética deve estar sempre presente. Além do mais, precisa muito apoio da família (em função da dedicação ao trabalho) e também ter uma política de conciliação, sem perder o pulso.
Existe uma mulher bem-sucedida profissionalmente que a senhora admire?
Luciane - Admiro todas as mulheres que acordam cedo, dão atenção a sua família e vão trabalhar. Passam os dia trabalhando e ainda chegam em casa sorrindo.
O que diria às mulheres no Dia Internacional da Mulher sobre a relação delas no cargo de chefia?
Luciane - Que alcancem seus objetivos, mas que não percam a ternura. Que tenham sabedoria para definir as prioridades entre a família e o trabalho. O importante é ter equilibrio na vida.
Na sua opinião, as mulheres comandam melhor e com mais facilidade um ambiente de trabalho?
Luciane - Depende. Acho que as mulheres têm sim uma sensibilidade maior, o que faz que o ambiente de trabalho seja mais leve e descontraído. Mas tanto homens como mulheres que gerenciam e comandam empresas, em sua grande maioria, fazem bem seu papel e chegaram a esta posição por méritos, os quais independem de seu gênero.