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Comunidade | quinta-feira, 29 de julho de 2010 - 09h02
Diversidade cultural dá o tom à São Leopoldo Fest
Ritmos e culturas se misturam n afesta que comemora a imigração alemã.
Aline Adolphs e Aline Marques/ Da Redação
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São Leopoldo - Celebrar a cultura alemã é o principal objetivo da São Leopoldo Fest, o que pode ser observado na música, na culinária e nos trajes que circulam pela festa. A diversidade, porém, é algo que vem sendo destacado pela organização. Este ano, há espaço para bandinha, grupos folclóricos e cucas, mas há também para o samba, o hip hop, a música gaúcha e a música gospel, como na noite de ontem, que levou milhares de evangélicos e fãs deste estilo musical ao Largo Rui Porto, onde a atração principal foi o cantor André Valadão.

Durante a tarde, muitas pessoas se reuniram em volta do palco da diversidade cultural para assistir às apresentações folclóricas, como a de Educação Infantil Amor Perfeito. A dança típica alemã é apresentada pela escola há 11 anos e ontem as crianças, com idades entre 4 e 6 anos encantaram mais uma vez. "Gosto muito de dançar. Minha família toda veio me ver’’, disse Mellanie Bittencourt, 6 anos, uma das dançarinas da escola.

Um alemão bem brasileiro entre os estandes

Um alemão da gema percorre os corredores da São Leopoldo Fest todos os dias. O músico e compositor Christof Vonderau, que ontem ministrou um workshop sobre música para cinema, participou da abertura do evento e integra, ainda, o júri do Festival de Música. Aos 50 anos, Vonderau mora em Berlim mas conhece o Brasil há mais de 30, desde que, fã de Baden Powell, veio ao País para conhecer melhor a nossa música. Hoje, ele passeia pela São Leopoldo Fest e se admira com a bandinha e trajes típicos. "Não há bandinha em Berlim, só na Bavária’’, ri. "Na Alemanha, não sentimos esta pureza da raça. Sempre houve mistura. Minha avó paterna mora na Rússia, a materna, na Polônia e meus sobrinhos são mulatos’’, conta ele, que adorou ouvir palavras em alemão ditas por afrodescendentes que encontrou na festa.

Baiana apresenta uma ciranda de ritmos

Ontem também foi dia de ciranda, coco e maracatu na São Leopoldo Fest. A cirandeira Lia de Itamaracá mostrou um pouco da cultura nordestina e representou mais um ponto de diversidade na festa. Lia cantou para cerca de 400 pessoas no Picadeiro Sesc. Baiana da ilha de Itamaracá, ela vem excursionando pelo País acompanhada de sua banda de percursionistas e cantoras de apoio.
Aos 66 anos de idade e 55 de carreira, Lia diz que pode existir conexão entre a cultura alemã e os ritmos nordestinos. "Dá para misturar todas as culturas na música. É como o nome do meu disco, uma ciranda de ritmos’’, diz ela. De mente aberta, a cirandeira também apoia os novos grupos de maracatu que vêm surgindo. "A evolução da música deve ser bem recebida por todos.’’

Arte e informação

As artes plásticas e a conscientização ambiental também estão presentes. No Salão de Artes Plásticas promovido pelo Núcleo de Artes Visuais da Secretaria de Cultura estão expostos, dentro do Ginásio, cerca de 50 trabalhos entre telas e esculturas em diversas técnicas criadas por artistas locais. Artista amadora, Ana Maria Morbach viu na São Leopoldo Fest a oportunidade de mostrar seu trabalho pela primeira vez em público. "Gosto de desenhar desde pequena mas nunca pensei em expor meu trabalho’’, diz. Também dentro do ginásio está o estande do Instituto Martim Pescador. Durante todo o horário da feira monitores repassam informações sobre o rio e projetos de recuperação das águas.

Visitantes contestam o espaço

Para alguns visitantes, a diversidade deste ano está restringindo o espaço da cultura germânica. "As casinhas de antigamente com os comes e bebes feitos pelas omas não existem mais. Esta festa não é mais da cultura alemã e sim popular e deveria ocorrer em outro mês’’, protesta a descendente de alemães e estudante de design, Luize Müller, 31. Segundo o coordenador do Centro Cultural José Pedro Boéssio, Jari da Rocha, a cultura alemã está sendo constantemente lembrada no evento, seja na presença da Bandinha do Vovô ou na encenação da chegada dos imigrantes, que será dia 31, mas a festa tem preocupação também com a diversidade. "Alemanha e Brasil mudaram. Queremos fazer um resgate histórico da cultura alemã, mas sem esquecer da contemporaneidade.’’

Foto: Tiago da Rosa/GES

Tags/ palavras-chave:design, São Leopoldo, Brasil, cultura, cinema, música, evangélicos, festa, estilo, feira, trabalho, júri
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