Porto Alegre - Cerca de 45% dos professores do ensino privado gaúcho apresentam problemas de saúde física ou mental relacionados ao trabalho. A pesquisa, intitulada Condições de Trabalho e Saúde dos Trabalhadores do Ensino Privado no RS, apresentada ontem na sede do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS), revela que 49% dos docentes dizem fazer tratamento com medicamentos. A grande maioria dos professores (78%) apontou cansaço e esgotamento frequentes nos últimos seis meses. O vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos do Ensino Privado do RS (Sinepe) Hilário Bassotto, mostrou-se preocupado e pretende se aprofundar nos resultados da pesquisa. "O capital humano é nossa maior preocupação."
Foram ouvidos 1.680 professores do ensino privado gaúcho em 23 cidades, abrangendo todas as regiões do Estado. "Nas entrevistas, identificamos o início dos períodos letivos, os fins de semestre e o fim de ano como momentos onde este cansaço e esgotamento são mais intensos", disse Wilson Campos, coordenador técnico da pesquisa, psicólogo pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em saúde coletiva pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Conforme o especialista, o assédio moral foi mencionado como um dos mais sérios e crescentes problemas de saúde relacionados ao trabalho. "É um dos fatores que causa sofrimento mental, emocional e desgaste físico no trabalho." As principais fontes de assédio moral no trabalho docente indicadas pelos professores são provenientes dos alunos (33%), chefes imediatos (31%), chefes superiores (31%), colegas professores (23%), pais de alunos (19%) e demais funcionários (10%).
O pesquisador destaca o alto índice de docentes que se sentem pressionados excessivamente no trabalho. "Essa situação é agravada pelo fato de 70% dos professores sempre ou frequentemente realizarem tarefas docentes fora de seu horário de trabalho." O levantamento informou que 74% dos professores exercem mais de oito horas por semana de atividades docentes como preparação, correção, atividades extraclasse sem remuneração adicional.
Ritmo
Apenas 9% dos pesquisados não apresentaram dores freqüentes no período dos últimos dois meses. "Podemos concluir que o trabalho está prejudicando a saúde do professor devido ao ritmo e a forma como está a organização do trabalho nas instituições."