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Blog do Blanke  Por Mauro Blankenheim
Contato: blogdoblanke@sinos.net
9 de Março de 2010 - 13h21
O dia do homem é hoje.
Durante séculos, a mulher lutou por igualdade.E,vamos combinar, que depois de muito batalhar, nos superou. Elas estão à frente em todas áreas: conhecimento,culturais,profissionais,afetivas,blablablá. Até pra guerra armada elas vão. Privilégio que nos tempos idos só "premiava" os soldados. Aqui mesmo na nossa equipe de trabalho, existem 8 mulheres para cada homem. Elas são mais organizadas, mais pró-ativas, mais confiáveis, mas comprometidas, mais detalhistas, mais focadas, mais cumpridoras. E por que não dizer, mais criativas . Desde o conhecido episódio da fábrica que incendiou, ganharam um dia exclusivo, que nós não temos. Um machista diria que dia 8 elas mandam, no resto quem apita é a ge...
2 de Março de 2010 - 10h28
Barão von Rotznase
Chicão, desde o tempo em que era Chiquinho, cultivava hábitos sofisticados como música erudita, cinema de arte, museus e literatura de qualidade. Herança cultural de seu pai, nascido na Europa. No entanto, um desses hábitos destoava completamente da sua personalidade social. Chicão, desde o tempo em que era Chiquinho, se acostumou a ´limpar o salão´ em público. Ou por que não creditasse a esse ato o devido valor escatológico, ou por que se percebia tão preparado, que avaliava limpar o nariz na frente dos outros, como um gesto corriqueiro que não diminuiria o alto conceito de que desfrutava. Era uma verdadeira compulsão. Rolinhos e... pimba !... para ele, era quase tudo automático. Suas unhas...
23 de Fevereiro de 2010 - 10h27
Alto ajuda
De tanto ouvir e ler as pessoas confundirem o uso gramatical correto de mau-humorado e mal-humorado, mal humor e mau humor, estava esperando a oportunidade que julgasse adequada para falar de outro caso bem típico: o esvaziamento dos livros de auto-ajuda que eclodiram no país no fim dos anos 80. Como qualquer outra febre, os tais manuais do bem-viver se esgotaram, não nas prateleiras, mas na sua essência falível e humana, deixando seus adeptos órfãos e desamparados no meio da estrada, sem mais ajuda nenhuma, nem auto, nem a pé, mesmo.

A massiva produção desses livros-macete de como viver felizes, sorridentes, otimistas e vencedores para sempre, se proliferou de maneira tão estonte...
12 de Fevereiro de 2010 - 15h41
Problema
Dani Ci foi para a praia dar uma esticadinha. Afinal, estava cansado da rotina de fazer nada. Preferiu fazer nada no litoral. Levou o papagaio, a mulher, nessa ordem, os filhos, a sogra e uma dama de companhia que cuidava que a sogra não enchesse o saco deles durante o descanso e não pegasse no pé da gurizada que queria mais era relaxar do estresse tedioso de fazer nada na cidade. Dona Melina, a sogra boa de contas, adorava desafiar o bom-humor da garotada fazendo aquelas perguntinhas provocantes que os atormentavam:

 – Quanto é 75 vezes 2, indagava ela, assim na maior, sabedora de que o método de ensino da tabuada tinha mudado fazia tempo e a eficiência da aprendizagem, despe...
2 de Fevereiro de 2010 - 9h24
O ranking das Cocas
Podemos saudar efusivamente a volta irrevogável e torço, irreversível, da Coca em garrafas de vidro. Para um bom connaisseur, o sabor da Coca-Cola dentro do vidro, é top. O trabalho das ONGs serviu para alguma coisa, afinal. Além das sacolas permanentes dos supermercados, trouxe de volta um ícone que parecia sepultado para sempre.

Lembro-me que a minha primeira experiência com a Coca-Cola foi com a Pepsi. Depois de chegar a Porto Alegre de ônibus, quando criança, desci de um bonde e pude experimentar o tal estimulante - era esse o apelo - que tapava as paredes internas e externas do veículo movido a energia elétrica, com aquele clássico cartaz que combinava as cores verde, vermelho...
28 de Janeiro de 2010 - 9h11
Proibido conversão à esquerda
Creio estar entoando um clamor da população motorizada, ao tocar na ferida do nosso trânsito.

Tá certo que temos uma quantidade anormal de veículos para a média da população brasileira, o que é uma bênção. Nosso povo ainda se destaca pela capacidade de gerar riqueza.

Mas certamente a estrutura que imaginávamos, nos anos 80, mais evoluída para atender essa demanda progressiva agora, ficou no papel. Lembro que uma época falaram em trazer um técnico alemão para erradicar o problema. Espero que não seja o Beckenbauer, que nem técnico é. Acredito mais nos nossos especialistas, quando se trata de resolver os problemas da nossa gente.

Faz 25 anos pelo menos, que nenhum mo...
26 de Janeiro de 2010 - 15h51
Bafodalho, o gângster amador
Bafodalho era um contraventor afro-teuto-ítalo-lusitano. Resultado genético da pluralidade das nossas etnias regionais, herdara tal alcunha fruto de seu hábito de mascar um dente de alho o tempo todo. O fazia para mascarar o hálito proveniente de uma amigdalite recorrente que suas Bafetes julgavam insuportável e seus colegas de bandidagem, descredenciador para a atividade respeitável abaixo da linha limítrofe da sociedade politicamente correta.

O alho lhe conferia um certo ar varonil que compensava seu jeito sonso de enfrentar detratores e adversários. Além disso, ele era alérgico à fumaça dos charutos, ritual básico das reuniões deliberativas do Conselho. Seu nariz chegava a duplic...
14 de Janeiro de 2010 - 16h36
Cover ou over?
Um espectador criativo. É tudo o que essas internacionalmente premiadas bandas-cover dos Beatles querem, ao se apresentarem a ecléticas plateias oriundas da Beatlemania.

Que a audiência seja suficientemente capaz de abstrair dançando, vendo sem enxergar, ouvindo sem ver, escutando sem olhar e sentindo sem perceber. Afinal, é quase como assistir a um filme biográfico em que o principal ator não carrega os traços físicos do biografado, à altura do que Jamie Fox faz em Ray. O longo show que aterrissou mês passado na Orpheu de São Leopoldo, tem critério: das três partes, a primeira foi destinada às músicas de harmonias singelas que revestem os rocks mais básicos,do-re-sol.

Um...
13 de Janeiro de 2010 - 18h5
Carências
Não é nada original nessa época do ano, escrever sobre lesados afetivos. Mas, vamos lá, talvez nos reste algum viés ainda pouco explorado. As festas, auguradas de Boas Festas, nos deprimem, na maioria dos casos, ou porque não temos boas lembranças,ou porque as temos, e elas são apenas lembranças. Além de tudo, as lembranças se apresentam mais desejáveis do que a realidade. Muitas pessoas que faziam a festa em outros tempos conosco já não podem mais nos acompanhar e isso nos desloca um tanto.

Parece provado que o melhor que pode suceder ao ser humano é o amor. Observe aquela sua vizinha separada, que depois de cinco longos anos de solidão aparentemente definitiva, pintou com um novo ...
12 de Janeiro de 2010 - 14h24
Inspiração
De onde vem a mágicasolução para escrever e criar? De onde caem os frutos que possamos amassar para transformá-los numa geleia? De onde vêm as palavras soltas ou agrupadas em conceitos e ideias suficientemente coesas e coerentes para sustentarmos o interesse arguto do leitor?

É duro quando a tela se apresenta em branco e a mente também. Algumas pessoas se dedicam muitos anos a limpar a mente. Para nós, isso acontece sem esforço nenhum. Me lembro que antes da tela era a folha de papel e a máquina de escrever. Comecei a escrever realmente meus primeiros textos oficiais e profissionais, como estagiário, dedografamente – a exemplo do que ocorre até hoje – numa Hermes Baby azul-marinho, ...
22 de Dezembro de 2009 - 16h24
Buuu éééééé ínháááááá ummmmm
Cidão correu atrás. Ligou dezenas de vezes nos horários mais psiquiátricos. Três e quinze da madruga, seis e dez da matina, meio dia. Implorou. Beijou o chão que Aline pisava. Deixou recadinhos pidões na secretária, enviou torpedinhos mimosos e um buquê profissional – de floricultura – cheio de mosquitinhos; afirmou que tinha mudado, que agora teria se encontrado com a sua verdadeira essência e já nem era mais ele.

Era outra pessoa. Aline deveria conferir a mudança e constatar por si própria a materialização do novo Cidão. Ela que já andava saudosa até mesmo dos seus beijos automotivos, não resistiu. Cedeu. Cedeu aos apelos do namorado, da paixão e do seu coração contristado. Sim, p...
8 de Dezembro de 2009 - 14h14
O beijo no semáforo
Cidão e Aline voltaram. Mas voltaram com tudo. Tanto que qualquer sinaleira era pretexto para uma nova pegada. Nossa cidade é pródiga em semáforos de longos tempos. Logo, era o paraíso para os dois namorados vivendo um romance déjà vu. Foi ali, na Vicente da Fontoura, esperando o sinal abrir para quem converte à esquerda, que o Cidão colocou o câmbio em ponto morto e tascou, com o pé no freio, o maior ósculo na namorada. Coisa assim de dois minutos, mais ou menos.

Sorte deles que todo mundo na fila, atrás, queria subir pra Bento e absolutamente ninguém meteu aquele buzinaço didático, seguido daquele olhar recriminador, neles. Puderam terminar o intercâmbio de saliva sem qualquer pre...
1 de Dezembro de 2009 - 10h17
Política acreditada
Não sei bem por que me veio à cabeça ontem uma lembrança dos meus 10 anos. Em 1964, iniciado o regime político de exceção, o governo brasileiro lançou uma campanha chamada "Ouro para o bem do Brasil", que na minha cabeça era apenas, de memória, "Ouro para o Brasil", circunstância que hoje se atém apenas às nossas participações nas Olimpíadas. O que me espanta é que naqueles tempos, 45 anos atrás, nosso povo confiava cegamente nos governantes, em todos os seus níveis, municipal, estadual e federal. Tanto assim que recordo a cena em que minha mãe colocava, com sentimento, mas com convicção resignada, numa caixa corrugada, no mesmo local da urna das eleições - sim, antes de 64, o povo brasileir...
1 de Dezembro de 2009 - 9h58
Sempre fui fã do Grêmio
As pessoas que me conhecem logo vão achar que estou sendo oportunista. Ledo engano.

Me conhecem pouco, então. Os que me conhecem melhor sabem que estou sendo
absolutamente sin-ce-ro. Onde vocês pensam que eu estava em dezembro de 1983?
Grudado na TV vendo o Renato dar aquele show no Japão, contra um time alemão como nós, de nome Hamburgo, como nossa cidade. O que prova que a paixão está acima de tudo. E em 1981, nosso primeiro campeonato nacional? Lembram da frase do Baltazar? "Deus está reservando algo de melhor para mim". Como Deus não falha, Baltazar fez o gol da vitória no Morumbi, naquela jogada do Renato Sá.

Sei tudo sobre o Grêmio. Mais do que muito torcedor...
24 de Novembro de 2009 - 18h4
Dr.Walter vai à luta (continuação)
Liloca já tinha ligado umas cinco ou seis vezes. Quem estava constrangido agora era o próprio Walter que não encontrava mais desculpas plausíveis para deixar de atendê-la. Além disso, ela tinha mudado a estratégia. Já não era mais um encontro a dois para colocar a agenda em dia. Liloca tinha engatado uma galera pra tomar aquelas ´bira´. Assim evitaria qualquer suposição dele sobre suas reais intenções.

Walter abriu a armadura. Marcaram num barzinho da Rua Grande em São Leo, pra não dar na cara. Fim de tarde, calorzinho, a quinta-feira caía. Do grupo que estava reunido, não conhecia ninguém, com exceção da Liloca que estranhamente optou por não lhe apresentar a moça que ocupava o can...
17 de Novembro de 2009 - 14h38
Intimidade
Doutor Walter era um promotor astuto, sisudo, conservador, até. Tinha uma postura impecável, inarredável nas suas convicções. Não se desviava dos seus propósitos cristãos. Tinha enviuvado recentemente de maneira precoce. Sua esposa, dez anos mais nova, o deixara sozinho a cuidar dos três filhos.

Vestia sempre terno cinza-grafite, um pouco da cor da sua vida. Até que então... "Dr. Walter, tem uma moça, senhora, na linha 1, diz que é sua amiga de escola, uma tal de Liloca", informou a telefonista, bastante constrangida. "Li-lo-ca...", murmurou ele, puxando pela memória. "Tá, pode passar..."

"E aí, Waltão!!!", saudou ela. "Como é que vai essa força, esse peito cabeludo aí, ain...
10 de Novembro de 2009 - 11h20
O inconsciente Barrichello
De fato, o único inconsciente na relação com Rubinho é o povo brasileiro.
Coletivo, esse inconsciente. Barrichello é um piloto vencedor. Um vitorioso. Com uma família estável e feliz e um patrimônio amealhado depois de 15 anos direto na Fórmula 1, que ultrapassa de longe os 100 milhões de dólares, Rubinho
só não é capaz de apagar as frustrações do brasileiro que o elegeu, no começo, como sucessor de Senna, depois, representante nacional, na mais bajulada categoria do automobilismo mundial, enquanto reluzia a estrela de Schumacher, outro fuori serie, como Ayrton.

Rubinho pauta sua atitude no circo das corridas com uma postura ética, de bom colega. É respeitado por todos, quer...
3 de Novembro de 2009 - 11h17
O cliente da videolocadora
Salete entrou esbaforida loja adentro:

– Souberam do Seu Artur?

– Que foi, devolveu uma caixa sem o DVD dentro outra vez?

– Não, morreu.

– Morreu? Mas sexta ainda aluguei o Apocalypse Now pra ele... entra no arquivo dele.

– Que é que tu acha que eu tô fazendo? Putz, 79 reais, morreu.

– Peraí, morreu... ele ainda deve ter algum filme em mãos, dá pra usar como pretexto pra cobrar esse saldinho.

– Saldinho porque eu não tô descontando do teu salário. 79 reais é muita grana.

– Tem que chegar junto - se mete o Fabinho -, senão não recebe.

Fabinho tinha sido motoboy de um escritório de cobrança. Sempre era metido ness...
27 de Outubro de 2009 - 13h42
A Lua e a Hebe
Certo dia, acometida de uma crise existencial tipicamente feminina, coisa da menopausa astrológica, cerca de 4.500 milhões de anos, a Lua sentou-se à frente
do toucador e inquiriu o espelho, com as mãos no rosto, orgulhosa de suas cicatrizes faciais adquiridas ainda na puberdade, herança de uma varicela mal administrada: espelho, espelho meu, existe alguém mais esburacada do
que eu?

- Infelizmente, sim, meu satélite favorito, é uma cidade brasileira e gaúcha chamada Novo Hamburgo, bem ao Sul da América do Sul. Mas não queira competir, você não tem chance. A Lua, que já andava complexada por ter rodado no trabalho de conclusão para se tornar aprendiz da RS-118, suspirou frust...
20 de Outubro de 2009 - 10h18
Dieta ética
Hugo, Deise e Sofia formavam um trio inseparável. Os primeiros namoravam há seis anos. Sofia curtia uma amizade de pacto de sangue com Deise, desde a maternal e uma paixão platônica correspondida com Hugo, supunha. Nos últimos meses, resistir atravessar a fronteira da honra estava cada vez mais difícil. Enquanto Deise não parava de se queixar da inapetência de Hugo, Sofia se sentia cada vez mais atraída pela cerca que não deveria pular. Hugo por sua vez, não parava de se chapar, vivia no mundo da lua embalado por verdadeiras velas de marijuana, que se por um lado anestesiavam o romance, por outro o impediam, fora do ar, de delinear a silhueta da namorada que havia crescido substancialmente n...
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