

Porto Alegre - Devido à proximidade com a Argentina, o Rio Grande do Sul deverá ser o estado do Brasil com o maior número de casos da nova gripe. A afirmação é do secretário da Saúde, Osmar Terra, que anunciou ontem o reforço nas fronteiras com o país vizinho e ainda com o Uruguai com a intenção de conter a doença. A fiscalização já exercida pela Agênica Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em sete pontos será ampliada com o apoio do governo e municípios, totalizando 15 locais. Ao todo, são 90 gaúchos infectados e outros 187 sendo monitorados. A única internação é de uma adolescente de São Gabriel, no hospital universitário de Santa Maria, que está apresentando melhoras clínicas e laboratoriais. O primeiro óbito do País pela influenza A(H1N1) foi registrado em Passo Fundo, no último domingo, de um morador de Erechim.
"Vamos ampliar o controle, reforçando as equipes da Anvisa com funcionários do Estado, municípios e até com o próprio Exército, que auxiliará na fiscalização’’, salientou. Conforme dados da SES, praticamente todos os casos são de pessoas que estiveram na Argentina. No entanto, o secretário adverte que não há motivo para pânico. "Esta é uma forma de gripe benigna e na maioria dos casos os pacientes são tratados em casa.’’ De acordo com o diretor da Anvisa, Paulo Coury, que esteve ontem em Porto Alegre, a partir de agora todos que cruzarem a fronteira, seja em transporte coletivo ou ônibus de turismo, terão que preencher um formulário denominado Declaração de Saúde do Viajante, para que seja possível rastrear e localizar o passageiro em caso de necessidade.
Terra solicitou ao Ministério da Saúde aumento de R$ 1 milhão por mês nos recursos do Fundo Nacional de Saúde ao Estado nos meses de inverno, levando em consideração que o RS deverá registrar mais casos da gripe A que os demais. Um número maior de postos de saúde será aberto até as 22 horas, na próxima semana, para reforçar o atendimento.
Descartada suspeita em escola estadual da cidade
A Vigilância em Saúde de Novo Hamburgo confirmou ontem que a aluna da Escola Estadual Maria das Neves Petry, no bairro Industrial, não está com a influenza A (H1N1). Dos outros quatro casos monitorados na cidade, um foi descartado e os demais aguardam o resultado dos exames. De acordo com a coordenadora da Vigilância em Saúde, Solange Shama, apenas nesta quarta-feira cinco outras situações que geraram dúvidas em médicos das redes pública e privada foram desconsiderados.
Até agora, dois casos da nova gripe foram confirmados no Município, mas os pacientes já cumpriram o período de isolamento domiciliar e foram liberados. Em reunião na manhã de ontem, o Comitê Técnico para Enfrentamento da influenza A (H1N1) decidiu encaminhar uma norma técnica de atendimento a todos os profissionais de saúde da cidade. O grupo formado por médicos clínicos, infectologistas e sanitaristas da Secretaria da Saúde (SMS), irá monitorar e acompanhar a evolução do vírus.
A titular da Secretaria Municipal da Saúde, Clarita de Souza, uma das integrantes do comitê, esclarece que as primeiras ações são para informar a população e preparar os médicos das clínicas privadas e particulares de atendimento. "Uma rede preparada e uma população bem informada são os primeiros passos para ter sucesso nesse tipo de situação." O comitê também vai prestar reforço no suporte técnico para todas as unidades de saúde de Novo Hamburgo.
Quase 700 infectados no País
O Ministério da Saúde confirmou ontem mais 14 casos no Brasil. O País contabiliza agora 694 pessoas infectadas e outras 1.049 sob suspeita. Deste total, 428 (61,7%) foram de pessoas que viajaram ao exterior e 176 (25,4%), de transmissão autóctone, ocorrida no Brasil. Os principais países onde os brasileiros contraíram a nova gripe são: Argentina, Estados Unidos e Chile. Ontem, uma mulher de 46 anos que viajou para Buenos Aires morreu na cidade argentina de Paso de los Libres, deixando Uruguaiana em alerta. Segundo o Jornal da Fronteira, na aduana integrada os funcionários trabalham de máscaras e todos os ônibus, carros e caminhões que cruzam a Ponte da Amizade são inspecionados. A cidade brasileira tem um caso confirmado e dois suspeitos.
Clínicas passa a atender em barracas
Em Porto Alegre, depois de o Hospital Conceição passar a atender em contêiner, o Hospital de Clínicas põe hoje em funcionamento barracas para triagem de suspeitas da doença. A medida visa a evitar contato entre pacientes da emergência com possíveis infectados. Inicialmente, o atendimento será prestado das 7 às 18 horas, em por uma equipe da casa e outra do Hospital da Aeronáutica. O serviço será realizado por meio de parceria com o 5.º Comando Aéreo Regional de Canoas.
COMO LIDAR COM ISSO
- Recomendações da Defesa Civil do RS
- Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal, lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar
- Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e boca com um lenço, preferencialmente descartável
- Não usar medicamentos sem orientação médica
- A viajantes que se destinam às áreas afetadas
- Usar máscaras cirúrgicas descartáveis durante a permanência no local e substituir as máscaras sempre que necessário
- Evitar locais com aglomeração de pessoas e o contato direto com pessoas doentes
- Evitar tocar olhos, nariz ou boca
- Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes e roteiro de viagens recentes às áreas afetadas
- Não usar medicamentos sem orientação médica
- Aos viajantes procedentes de áreas afetadas
Viajantes procedentes, nos últimos dez dias, de áreas com casos confirmados de influenza A (H1N1) em humanos e que apresentem febre alta repentina, superior a 38 graus centígrados, acompanhada de tosse e/ou dores de cabeça, musculares e nas articulações, devem:
- Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima
- Informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem
Foto: Clósvis Prates/Divulgação.