
Sapucaia do Sul - A comerciante Nica Harmz, 33 anos, está em busca de recursos financeiros para levar sua filha Stephanie, 10 anos, que tem paralisia cerebral, para fazer um tratamento com células tronco na China. Mãe e filha devem embarcar em fevereiro na companhia de uma fisioterapeuta que, além de auxiliar na saúde da menina, vai promover a comunicação com a equipe do hospital Beike, em Qingdao (China). São necessários R$ 70 mil reais e a família está confiante, já que boa parte da verba foi conseguida por meio da solidariedade.
O fato de não falar inglês não foi em nenhum momento uma barreira para Nica, que ficou sabendo da possibilidade do tratamento na China por intermédio da história de duas meninas de Novo Hamburgo que foram para lá. ‘‘Busquei um site de tradução na Internet, preparei e enviei a documentação dela juntamente com os exames para o hospital. A reposta foi muito rápida, em cerca de dez dias estava com todas as informações sobre a viagem e o tratamento’’, contou a mãe, que é natural de Santa Rosa e veio para Sapucaia do Sul com o marido quando a garota tinha 2 meses em busca de tratamento.
EXAMES - Tefinha nasceu saudável. Segundo a mãe, a menina teve parada cardiorespiratória e aspirou líquido do parto, o que ocasionou a paralisia cerebral. ‘‘Aos dez anos, ela tem idade óssea e neurológica de seis. Mas entende tudo. Fizemos exames e a visão e audição são 100% normais. Ela tem movimentos, mas falta coordenação motora’’, comentou a mãe. Tefinha acompanha a mãe no trabalho e é muito comunicativa e risonha, interagindo bem com as pessoas. Ela já esteve na Apae de Sapucaia, mas hoje se trata em Canoas por conta do convênio da família. Na cidade existem atividades para seu desenvolvimento, como fisioterapia, fonaudiologia, hidroterapia e até equoterapia.
Com o tratamento de células tronco, Nica espera que a filha possa firmar a cabeça e quase sentar sozinha. ‘‘Algumas pessoas já falam em caminhar, mas é preciso paciência. Se ela der esses dois passos, será maravilhoso.’’
Rifas e apoio de amigos e
desconhecidos
São R$ 70 mil para financiar as passagens, chegada ao hospital, alimentação da mãe e da fisioterapeuta por 30 dias e o tratamento. Por meio da rifa de um notebook, uma câmera digital, uma panificadora e uma bicicleta (materiais doados) já foram arrecadados R$ 20 mil. Outros R$ 5 mil foram depositados por amigos e desconhecidos em contas bancárias. A mãe também está contando com a aplicação de um projeto que destina R$ 37.200,00 anuais a tratamentos especiais em Sapucaia. ‘‘Esse ano, o valor iria para a Tefinha. Como mãe de uma criança especial, sei que isso seria um avanço maravilhoso. O projeto foi aprovado por unanimidade na Câmara de Sapucaia na semana passada e só estamos aguardando a assinatura do prefeito’’, disse Nica.
Serão seis aplicações de células tronco
Segundo Nica, serão necessários 30 dias na China para o tratamento. ‘‘Ela vai receber seis aplicações de células tronco, além de fisioterapia e estimulação. "Nesse hospital, o procedimento é feito há 10 anos e fiquei sabendo que 900 estrangeiros já passaram por lá. É preciso ir tão longe porque essa questão ainda é muito discutida em vários países’’, disse a mãe, destacando que nesse caso se tratam de célula vindas de cordão umbilical.
Na busca do tratamento, Nica se inspirou na história das famílias de Olívia Marques de Souza Pierotto Alves, 3 anos, a Olivinha, e Fernanda Rossoni Vargas, a Fernandinha, 8 anos, de Novo Hamburgo, que retornaram no dia 31 de dezembro ao Brasil, vindas de Qingdao (China), onde foram submetidas a tratamentos com células tronco contra a paralisia cerebral. Ambas sofreram acidentes em piscinas. A partir do retorno ao Brasil elas iniciam uma nova etapa do tratamento.
Foto: Tiago da Rosa/GES