
Israel - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorreu hoje o Museu do Holocausto de Jerusalém e será o primeiro chefe de Estado brasileiro a visitar a Autoridade Nacional Palestina e viajar à cidade de Belém.
Lula, que chegou à região no domingo, iniciou a jornada com uma visita ao Yad Vashem (Museu do Holocausto) e, referindo-se ao massacre dos judeus na Alemanha nazista, afirmou que "a humanidade tem que repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: ´Nunca mais, nunca mais, nunca mais´".
O presidente visitou o centro, parada obrigatória para os dignitários de alta categoria que visitam o Estado judeu, junto com a primeira-dama Marisa. Depois, participou de uma cerimônia oficial no chamado Salão da Memória, acompanhado pelo presidente israelense, Shimon Peres, e pelo rabino do Conselho do Yad Vashem, Meir Lau.
A sala é coroada por um teto de concreto e no piso estão escritos os nomes dos 22 campos de concentração nazistas. Lula acendeu uma vela em memória dos seis milhões de judeus assassinados pelo nazismo e colocou uma coroa de flores com as cores da bandeira do Brasil no local.
"Acho que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória para todos os seres humanos que queiram dirigir uma nação", disse o presidente.
"Todos nós que lutamos pela democracia e pelos direitos humanos não podemos em nenhum momento permitir que volte a ocorrer algo como o Holocausto. A humanidade não pode permitir e tem que repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: ´Nunca mais, nunca mais, nunca mais´", acrescentou.
Após ir ao Yad Vashem, Lula se reuniu, ainda em Jerusalém, com os promotores da Iniciativa da Paz de Genebra, com um grupo de parentes israelenses e palestinos de vítimas do conflito e com representantes da ONG Passia. Já a visita à Universidade Hebraica foi cancelada.
À tarde, o presidente foi à cidade cisjordaniana de Belém, tornando-se o primeiro chefe de Estado brasileiro a visitar a Autoridade Nacional Palestina (ANP), criada após os Acordos de Oslo de 1993.
Lá, encontrou o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, com quem deve jantar esta noite, e assistiu ao encerramento de um encontro empresarial. Em sua agenda também figurava uma visita à Basílica da Natividade, apontada pela tradição cristã como o local do nascimento de Jesus. O compromisso, no entanto, foi cancelado por "motivos de agenda".
Lula pernoitará em Belém, um gesto muito incomum entre governantes estrangeiros. Amanhã de manhã, o presidente segue para Ramala, capital administrativa da Cisjordânia, onde deve assinar acordos de cooperação com Abbas.
Ele também deve depositar flores sobre o túmulo do palestino Yasser Arafat, morto em 2004. A decisão de render tributo ao mítico histórico líder e não ao fundador do sionismo, Teodoro Herzl, enterrado em Jerusalém, gerou polêmica. O ministro de Assuntos Exteriores de Israel, o ultraortodoxo Avigdor Lieberman, se ausentou do discurso proferido por Lula ontem no Parlamento israelense.
Em entrevista à edição digital de hoje do jornal "Yedioth Ahronoth", Lieberman classificou a atitude do presidente brasileiro como "inaceitável", mas preferiu "não dramatizar" e ressaltar o "êxito" da visita.
Por volta das 13h (8h de Brasília) de quarta-feira, Lula deixará a Cisjordânia viajará para Amã, onde terá uma reunião de trabalho com o rei da Jordânia, Abdullah II.
Por sua vez, a ONG palestina Stop the Wall aproveitou a visita para chamar a atenção sobre os laços comerciais e militares do Brasil com Israel, que, na opinião da organização, legitimam a ocupação dos territórios palestinos.
"É inaceitável forjar acordos comerciais com um país cujas companhias se beneficiam intrinsecamente dos assentamentos e da ocupação", assegurou o coordenador da organização, Yamal Yuma.
A ONG fez um apelo ao Brasil para que não coloque em prática o tratado de livre-comércio entre o Mercosul e Israel, que entrará em vigor no dia 4 de abril. A organização também quer que o país trabalhe para criar um embargo de armas e o boicote a produtos fabricados nas colônias judaicas.