Canoas - O titular da 1.ª Delegacia de Polícia de Canoas, Guilherme Pacífico, encerra hoje o inquérito policial sobre a suspeita de intoxicação em recém-nascidos no Centro Obstétrico do Hospital Universitário da Ulbra. Além dos 11 casos de sedação já divulgados, pelo menos outros dois em 2009, anteriores ao episódio, já são considerados pelo delegado, que não descarta novas ocorrências nos dois anos em que a técnica de enfermagem Vanessa Pedroso Cordeiro, 25 anos – suspeita de aplicar sedativos nos bebês – atuou na casa de saúde. Deve ser divulgado hoje, segundo ele, o resultado da perícia que confirmará se o líquido da seringa encontrado na pochete da jovem é morfina.
Como resultados conclusivos sobre a participação da suspeita no crime, Pacífico cita a forma como os casos foram apresentados. "Tivemos a confirmação da atuação dela em depoimento de colegas e, inclusive, em cartas resgatadas dela", afirma.
"Sua forma de conduta, além da situação estável dos bebês, mostram a evolução dos casos que no seu modus operante era como se tivesse premonições de que os recém-nascidos estavam passando mal." Pacífico diz que na ausência da técnica em Enfermagem, a casa de saúde refez os procedimentos. "Tirando-a do cenário, foi constatada normalidade por todos." Ela deve ser indiciada por tentativa de homicídio qualificado por envenenamento.
PRISÃO - O advogado Sérgio Cadena Assumpção conta que visitou Vanessa sexta-feira e ela se mostrava abalada com a acusação de envenenamento. "Ela nega o crime. Tentaremos pedir o habeas-corpus no Tribunal de Justiça". O pai e o marido da suspeita também foram vê-la na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre, ontem, mas se disseram muito abalados para falar com a reportagem.
Um dos novos casos teria sido no Regina
Procurado por alguns pais, que foram atendidos pela suspeita em períodos anteriores ao episódio, o delegado Guilherme Pacífico diz que passou a investigar casos de intoxicação semelhantes."Já temos confirmado um caso de debilidade dos bebês no HU e outro no Hospital Regina, também ocorridos este ano. A análise dos prontuários mostra a presença de Vanessa." A administração do Hospital Regina não foi localizada ontem para comentar a informação.
O chefe de investigação, Sérgio Zolim, acrescenta que, em ambos os casos, a aplicação de sedativos não-prescritos para recém-nascidos não chamou atenção por terem ocorridos de forma isolada."Seguiremos investigando sua vida profissional pregressa. Acredito que o número de casos poderá dobrar."