
Canoas - Uma semana após a prisão da técnica em Enfermagem Vanessa Pedroso Cordeiro, 25 anos, suspeita de aplicar sedativos não-prescritos em recém-nascidos no Centro Obstétrico do Hospital Universitário da Ulbra, a casa de saúde informou ontem, durante entrevista coletiva, que não foi encontrado qualquer indício do envolvimento da jovem com a morte de bebês menores de um ano de idade ocorridos nos últimos dois anos. Ao todo, 43 casos foram analisados por médicos do próprio hospital.
Vanessa continua presa na penitenciária feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre. O inquérito policial deve ser concluído na próxima segunda-feira, dia 23. Nove dos 11 bebês vítimas de sedação já receberam alta. Os dois que seguem internados na UTI Neonatal apresentam circunstâncias clínicas não relacionadas ao episódio.
A diretora-geral do Hospital Universitário, Eleonora Gehlen Walcher, explicou que foram analisados todos os prontuários de óbitos em 2008 e 2009 que ocorreram durante o horário de serviço de Vanessa. Em 2008, foram 43 casoss (34 deles neonatais). Em 2009 foram mais 11 mortes, sete delas nos primeiros 28 dias de vida. "Verificamos que a presença dela ocorreu em oito situações, todas elas em 2008, nenhum em 2009", afirmou Eleonora. "Buscávamos uma causa de óbito compatível com intoxicação ou parada respiratória de uma criança sadia. Esse perfil não existe. O que se perdeu foram os mesmos que se perdia antes", disse.
PREMATUROS - "Desses óbitos ocorridos em 2008, apenas uma tinha peso de 2,6 quilos, que morreu por trauma, uma causa externa. Todos os outros eram prematuros de muito baixo peso, onde a sobrevida mundial é de apenas 14%", acrescentou a diretora, lembrando que o HU é referência regional para casos neonatais de maior risco. "Ao longo de 2008, tivemos uma média de 16 óbitos para mil atendidos no hospital, o que é compatível com os demais serviços de alta complexidade. Ninguém manda para o Hospital Nossa Senhora das Graças bebês com menos de 1,5 quilo. Isso explica porque dos 56 óbitos de Canoas em 2008, 43 são - e teriam que ser - no HU", afirmou. Todos os prontuários foram encaminhados na íntegra à Polícia Civil.
O titular 1ª Delegado Polícia, Guilherme Pacífico, responsável pelo caso, contou que até o momento trabalha-se apenas com os 11 casos de intoxicação. "O inquérito ainda não trabalha com mortes", disse ontem. "Na eventualidade de haver eventos de morte, oficializamos o Departamento Médico Legal sobre a viabilidade técnica de exumação para exames toxicológicos. Esta resposta oficial ainda não recebemos."