
Canoas - "Minha filha, Maria Clara, nasceu na segunda-feira perfeita e bem. Depois de um tempo, notei que ela estava molinha. As enfermeiras vieram logo e a levaram. Fiquei a noite inteira sem ter notícia e desesperada. Depois me disseram que estava na UTI e que a causa estava sendo investigada. Nunca imaginei que pudesse ser uma pessoa que tivesse dado um remédio que minha filha não precisava. Quero justiça." Este foi o desabafo da dona de casa Maria Rozieti Uchôa, 25 anos, após saber o que ocorria com crianças nascidas no Hospital Universitário da Ulbra (HU), em Canoas.
Mais dez casos semelhantes foram investigados por uma equipe da 3a e 1a Delegacias de Polícia, na sexta-feira. Materiais foram apreendidos e a técnica em enfermagem Vanessa Pedroso Cordeiro, 25, foi presa em flagrante por tentativa de homicídio qualificado. Ela está no presídio Feminino Madre Pelletier, em PortoAlegre, suspeita do envenenamento.
O crime, avaliado como "monstruoso" pelo delegado titular do caso, Guilherme Pacífico, pode ter mais desdobramentos. A suspeita trabalhava há dois anos no HU e faz plantões no Hospital Regina, em NovoHamburgo. "Precisamos saber se as práticas foram apenas no período que tomamos conhecimento", comentou o delegado. O advogado de Vanessa, Sérgio Cadena Assumpção, disse que ela é inocente e já pediu liberdade provisória para sua cliente.
Conforme a diretora-geral do hospital, Eleonora Walcher, os 11 bebês foram envenenados com morfina (anestésico) e diazepan (tranquilizante). "Esses remédios não são utilizados em recém-nascidos, o que também mostra uma intoxicação." Segundo o diretor administrativo do Hospital Universitário, Luciano Mello, todas as possibilidades de contaminação ou infecção foram descartadas por uma equipe médica do HU e pelas equipes de vigilâncias sanitária e saúde municipal e estadual.
Foto: Luciano Bergamaschi/GES