
Nova Petrópolis - Os Thiele de Nova Petrópolis guardam os segredos de como levar à mesa o sabor único do figo, há pelo menos 40 anos. Eles fazem parte do grupo de produtores familiares que participarão da 37.ª Festa do Figo, que ocorre amanhã e domingo na localidade de Linha Brasil.
Durante a quinta-feira, a mãe Noêmia, 57 anos, e o filho Clóvis, 36, com o apoio de mais dois funcionários, trabalhavam juntos para colher 800 quilos da fruta. Para se proteger do sol e das alergias provocadas pela seiva da planta, o jeito é usar chapéu, sapato fechado, calças e blusas compridas. Ao lado do trator, responsável por levar a produção ao local de armazenagem, um tarro de alumínio cheio de água. "A gente usa para lavar as mãos quando estão sujas do leite da fruta ou na hora de fazer um früschtick (lanchinho)", diz Noêmia. O município possui 67 produtores que comercializam o fruto de 42 hectares, obtendo 370 toneladas.
Chuva de granizo e calor prejudicam safra
Em torno de 90% da produção de figo de Nova Petrópolis é destinada para a industrialização na Cooperativa Piá. A família Thiele planta a fruta em 1,5 hectare e deve colher neste ano uma produção de sete mil quilos. A colheita será 30% menor em relação ao ano passado, devido a uma chuva de granizo que atingiu a cidade há um mês. Por conta disso também, é difícil encontrar uma folha que não esteja queimada em meio ao pomar.
Segundo Cláudio, outro fator que atrapalha a colheita de 2010 é o verão rigoroso. "O calor deixa o figo miúdo, porque a fruta acaba desidratando", explica. No entanto, isso não muda o sabor típico do produto. A cada dois dias os agricultores precisam realizar uma nova colheita porque os frutos vão amadurecendo aos poucos. Parte vai para a venda in natura, feita na propriedade rural.
Foto: Rodrigo Rodrigues/GES