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Notícias | Região Quase pronta

Diferentes frentes de serviço para liberar tráfego na ponte

Inauguração e liberação parcial do trânsito em novembro, como espera governo federal, dependem, principalmente, de conclusão de viaduto. Mas há outro obstáculo para finalizar totalmente a estrutura

Por Leandro Domingos*
Publicado em: 17.10.2020 às 03:00


Com mais de 90% da obra concluída e com o reforço de 250 operários, diferentes frentes de serviço da obra da nova ponte do Guaíba estão sendo feitas simultaneamente para permitir a inauguração e liberação parcial do tráfego ainda em novembro, como pretende o governo federal, apesar de não haver data definida. Atualmente, por exemplo, estão sendo realizadas ao mesmo tempo a terraplenagem, drenagem, pavimentação e sinalização. Uma das principais frentes de trabalho é a construção do viaduto no quilômetro 99 da BR-290, que fará a ligação com a nova ponte. Desde o último dia 13 até 28 de outubro, um cronograma de trabalho intenso foi estabelecido para instalar as vigas do viaduto, que ainda terá que receber lajes pré-moldadas, asfalto e sinalização.

?Iniciada em outubro de 2014, a previsão era concluir a obra em setembro de 2017. A ponte terá uma extensão de 12,3 quilômetros com um total de cinco quilômetros de trecho em aterro e 7,3 quilômetros em obras de artes especiais (ponte sobre os canais navegáveis, elevada e viadutos), atravessando o Parque Estadual Delta do Jacuí. Com 27 metros de largura nos vãos principais, a pista contará com duas faixas de rolamento com acostamento e refúgio central. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prevê que 50 mil veículos utilizem a nova ponte diariamente.

?De acordo com o Dnit, até o momento, já foram investidos no empreendimento R$ 869 milhões, incluindo o que foi destinado ao reassentamento de mais de 500 famílias da Ilha Grande dos Marinheiros. No entanto, ainda faltam ser oficializados alguns acordos com as famílias, o que impede o término de alças de acesso na região das Vilas Areia e Tio Zeca. Uma delas permitirá que motoristas acessem ou saiam de Porto Alegre pela 290, evitando a Avenida Castelo Branco.

Transtorno com a atual

O içamento da atual ponte chega a ser feito três a quatro vezes por dia, causando quase três quilômetros de congestionamento somente na entrada da capital. Não é para menos. Cerca de 43 mil veículos passam pela ponte do Guaíba todos os dias. Com a nova estrutura em funcionamento, só vai passar pelo vão móvel, que continuará em funcionamento, quem quiser.

A nova ponte deve evitar os acidentes frequentes na atual estrutura. Em 25 minutos sobre à espera do içamento, o caminhoneiro Rovani Leão chegou a observar três acidentes. "Nem todo mundo tem a minha paciência. Às vezes, na ansiedade do pare e arranque, alguém dá uma encostada no carro da frente. Aí a tranqueira é maior ainda", suspira o motorista, um dos tantos que querem ver a nova ponte do Guaíba funcionando o quanto antes.

Na avaliação do superintendente-executivo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio Grande do Sul, Leandro Wachholz, a previsão é de uma melhora significativa no tráfego. A atual ponte "freia" o fluxo e interrompe a logística e o desenvolvimento econômico rumo ao sul e o oeste do Estado, bem como a produção gaúcha que vem do sul e oeste para a região metropolitana e norte do RS. "A não ser que aconteça uma obstrução por pane em um veículo, a nova ponte não vai parar, resultando em agilidade para quem quiser sair ou entrar em Porto Alegre", aponta Wachholz.

*Colaborou: Débora Ertel

Faltam ser reassentadas 700 famílias

Desde o início das obras, uma das principais preocupações do Dnit era a desapropriação e desocupação de áreas, tendo em vista que sempre existiram casas e pessoas no caminho da nova ponte. O processo avançava bem até a chegada da pandemia. O Dnit aponta que o programa social desenvolvido em conjunto com a Justiça Federal e o Ministério Público Federal já atendeu quase todas as famílias que residem na Ilha Grande dos Marinheiros. Faltam somente cerca de 10 famílias a serem reassentadas. Por outro lado, ainda há cerca de 700 vivendo nas comunidades Tio Zeca e Areia que, devido às medidas de distanciamento social, em decorrência da Covid-19, não foram reassentadas. Neste caso, ainda é necessário fazer uma audiência pública com os moradores, realizar novas visitas domiciliares para revisar o cadastramento social e só então dar início às audiências conciliatórias. Portanto, a parte do empreendimento que diz respeito a ligação da ponte com os bairros de Porto Alegre está paralisada, aguardando orientações da Justiça Federal.

Contagem regressiva e orientações

A nova ponte do Guaíba está entre as obras mais importantes do País em execução pelo Dnit. Em manifestação recente, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que "a contagem é regressiva para a liberação do tráfego." Quando começar, serão feitas mudanças significativas na configuração do tráfego no entorno da nova estrutura e também para acessar a travessia antiga. O Dnit informa que elabora operação para orientar motoristas ainda durante as obras. E esse plano deve ser divulgado e entrar em funcionamento em aproximadamente 15 dias.

Içamento vai continuar

O içamento do vão móvel da Ponte do Guaíba acontece diariamente. A ponte levadiça é erguida quando a embarcação se encontra a aproximadamente um quilômetro de distância do local. Leva de dez a 20 minutos o tempo para que o navio atravesse o local. Enquanto a travessia é completada, formam-se filas enormes de veículos nos dois lados da ponte. A situação é mais crítica quando o içamento ocorre entre as sete e oito e meia da manhã e entre cinco e sete e meia da noite, horários considerados de maior fluxo, de acordo com apontamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF). As operações estão a cargo da CCR Via Sul. A concessionária assumiu a ponte no início do ano passado. A velha ponte, vale a pena lembrar, vai continuar tendo o vão móvel içado para garantir a passagem dos navios rumo ao Polo Petroquímico de Triunfo e para as companhias de gás, em Canoas. A diferença é que, a partir da conclusão da nova, não será mais necessário que os motoristas trafeguem por ela, de acordo com os técnicos do Dnit.

Um pouco de história

Até a década de 50, a travessia sobre o Rio Jacuí, era feita através de balsas. Foi a partir de 1953 que começou a ser discutida uma alternativa com a saturação das embarcações. A Ponte do Guaíba que todo mundo conhece foi projetada na Alemanha, em 1954. As obras tiveram início em 1955, durando até 1958. Na época, chegou a ser considerada a maior obra do País. Inicialmente com um só trevo de acesso, a construção foi ampliada nos anos seguintes até sua inauguração. De lá para cá, problemas mecânicos em rolamentos, mancais e motores tornaram cada vez mais comum a interrupção do processo, razão pelo qual, no início dos anos 2000, começou a se falar de uma nova alternativa para a travessia. Em 2011, quando o Governo Federal assinou a ordem para o início das obras da nova ponte. Os trabalhos começaram em 2014. A meta era que a obra original ficasse pronta até 2017, conforme o edital.

Saiba mais

A estrutura terá investimento total de aproximadamente R$ 800 milhões. O empreendimento como um todo, entretanto, ultrapassa o R$ 1 bi, o que torna a obra uma das maiores do País;

O empreendimento terá uma extensão de 12,3 quilômetros com um total de cinco quilômetros de trecho em aterro e 7,3 quilômetros em obras de artes especiais, ponte sobre os canais navegáveis, elevada e viadutos;

Com 27 metros de largura nos vãos principais, a pista contará com duas faixas de rolamento com acostamento e refúgio central;

Com 36 metros de altura, a nova ponte será três vezes mais alta que a atual, que tem 12 metros de altura livre;

A construção atravessa o Parque Estadual Delta do Jacuí, o que desde o princípio significou atenção especial durante a sua execução da obra;

A nova travessia do Guaíba está sendo construída sobre a água a partir de peças pré-moldadas. A obra já se valeu de nada menos que 22 mil blocos de concreto;

Todos os blocos foram pré-moldados em um canteiro montado pela construtora Queiroz Galvão montado em um canteiro de obras próximo ao CT do Grêmio, às margens da BR-448;

A Ponte do Guaíba construída originalmente nos anos 50 contava com blocos de 20 mpa, medida de concreto que equivale a 200 kgf/cm². A nova ponte é constituída de blocos com nada menos que 70.

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