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Notícias | Canoas Economia

Comércio projeta crescimento, mas ainda corre atrás do prejuízo

Expectativa dos empresários é otimista quanto à injeção dos recursos do 13º. Gastos assustam clientes

Publicado em: 27.10.2021 às 03:00 Última atualização: 27.10.2021 às 16:07

Em um ano marcado por altos e baixos relacionados à pandemia, o varejo gaúcho consegue ver uma luz no fim do túnel e prevê um saldo positivo, mas modesto ao final de 2021. Entidades setoriais apostam em um crescimento acima de 4% nas vendas de fim do ano. Apesar da perspectiva de bons resultados, os números ainda ficam abaixo do patamar de 2019, antes da pandemia. Ou seja, a projeção é positiva, mas os comerciantes ainda estão correndo atrás da máquina para superar um 2020 marcado por lojas de portas fechadas durante longos períodos.

Daiane Rodrigues recebe clientes atrás de enfeites natalinos na Victor Barreto
Daiane Rodrigues recebe clientes atrás de enfeites natalinos na Victor Barreto Foto: PAULO PIRES/GES
O avanço da imunização contra a Covid-19 - que no Estado já alcança mais de 75% da população adulta com o esquema vacinal completo -, e o aumento da circulação de pessoas nas ruas, contribuem muito para o incremento das vendas varejistas. No início deste segundo semestre, os números do comércio voltaram a crescer.

"A circulação de pessoas foi normalizada, graças à redução de casos de Covid-19 por conta da vacinação. O comércio, por conta da pandemia, desenvolveu e aprimorou suas estratégias digitais de comunicação e deverá obter bons resultados, combinando esses recursos com o bom atendimento na loja física, proporcionando experiências positivas para o cliente", avalia o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Canoas, Marcos Negrini.

Para Negrini, sendo data é a mais importante do ano para o varejo, o Natal traz enfim a "esperança" de resultados bastante positivos para este 2021. "Para que isso aconteça é necessário dar atenção à correta exposição dos produtos, às estratégias de comunicação e promocão e à equipe, que deverá estar treinada e motivada, apta a alcançar ótimos resultados e aumentar a taxa de conversão da empresa", defende.

Já o presidente do Sindilojas Canoas, Denério Neumann, diz que 2020 é um ano a ser esquecido. Otimista, ele acredita em um cenário de crescimento até pelo que tem escutando de lojistas que atuam na cidade. "Teremos certamente um cenário bem mais positivo que aquele visto em 2020. As pessoas estão saindo mais de casa e, com isso, gastando mais. Não dá para imaginar um pior cenário que o visto em 2020".

A estimativa do presidente do Sindilojas é de um crescimento, mínimo, entre 5 e 10% para o período. O maior desafio para a recuperação do setor, segundo ele, é o aumento no preço dos produtos, que tem prejudicado a retomada. "Acredito não ser possível ainda ter um cenário pré-pandemia, como ocorreu no final de ano de 2019, mas o importante é termos um recomeço. No ano que vem, acredito que a situação melhore mais".

Pedidos

Trabalhando há três anos no Centro de Canoas, Daiane Rodrigues, 33 anos, está confiante para um Natal de boas vendas. Um dos primeiros estabelecimentos de Canoas a ter decorações natalinas na fachada, a loja vende, desde a semana passada, todo o tipo de enfeite para a celebração. As árvores são as mais procuradas pelos clientes.

"Até o clima, na hora de atender o cliente, a gente sente que é bem diferente daquele do ano passado", aponta a funcionária. "Os clientes entram para pedir bolinhas, estrelas, árvores. Dá para sentir que as pessoas querem mesmo entrar no clima da data."

Cenário dá perspectiva e fôlego para os lojistas

De forma geral, na comparação entre 2021 e 2020, se observa a retomada das vendas do comércio, reflexo da flexibilização das restrições que foram impostas entre março e maio neste ano. A partir de junho, quando as atividades tiveram maior liberdade, o varejo reagiu.

"O crescimento das vendas na ordem de 10,1% no primeiro semestre desde ano, na comparação com o mesmo período de 2020, é uma boa notícia", diz o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Vitor Augusto Koch. Porém, é importante lembrar que a base comparativa entre os dois anos não é forte, tendo em vista os longos períodos em que os lojistas tiveram as portas de seus estabelecimentos fechadas. Ainda assim, retomar o crescimento das vendas é fundamental para amenizar as perdas e dar fôlego aos lojistas.

"Já a comparação entre 2021 e 2019 é muito desigual. São cenários completamente diferentes. Há dois anos, não tínhamos a pandemia e a situação econômica do Brasil era mais estável e com projeção de forte crescimento. Diante de tudo que passamos a partir de março de 2020, podemos dizer que hoje as coisas estão melhorando. Além do controle da pandemia, devemos estar atentos aos efeitos da inflação. A elevação dos preços sempre tem impacto direto no comércio".

À espera do 13º salário dos clientes

A comerciante Laura Cristina Menezes, 40 anos, brinca que está difícil de vendar até pano de prato na loja em que trabalha no Calçadão. Tudo isso deve mudar com a chegada de novembro e do pagamento do 13º. "A partir do começo do mês, já começa a melhorar, mas deve ficar bom mesmo lá pelo dia 20", opina. "Tenho certeza que neste Natal consigo até tirar comissão", aposta.

Vice-presidente da Câmara de Indústria e Comércio e Serviços de Canoas, Ellen Neumann também prevê que o pagamento do 13º deve ser decisivo nesta retomada. "Acho que não dá para esperar uma circulação no comércio igual a 2019 ainda, mas estamos otimistas", garante. "Penso que no ano que vem vamos podemos falar em retorno à normalidade".

Vestuário celebra

O Sindicato das Indústrias do Vestuário do Rio Grande do Sul (Sivergs) aponta que o setor conseguiu alcançar o patamar de faturamento de 2019, mas o crescimento geral apontado pelas empresas consultadas no estudo mensal do sindicato é da casa dos 20%, o que deve ser confirmado após datas significativas que ainda estão por vir, como a Black Friday e, principalmente, as festas de fim de ano.

Temporários

Os lojistas preveem um forte crescimento da contratação de trabalhadores temporários para atender ao aumento sazonal das vendas neste fim de ano. Espera-se a criação de mais de 95 mil vagas, maior número desde 2013. No RS podem ser contratados quase 10 mil temporários, número significativo para quem está buscando recolocação no mercado de trabalho.

Varejo mira no Natal 2021

Tradicionalmente, o segundo semestre apresenta resultados mais expressivos para o varejo. "Na medida em que observamos uma gradual recuperação da economia e o avanço da imunização, podemos projetar indicadores positivos para as festas de final de ano", avalia Vitor Koch.

Como o Natal é a data mais importante do varejo, o aumento da circulação e o maior capital circulante no mercado, a FCDL-RS trabalha com a projeção de um incremento entre 4% e 4,5% das vendas na comparação com o ano passado. Datas como o Dia dos Pais e Dia das
Crianças já geraram resultados de vendas satisfatórios, segundo o gestor. Para ele há uma demanda de consumo reprimida que pode ajudar os números. "Retomar o patamar anterior à pandemia é um processo que demanda tempo. As condições para que isso ocorra passam pelo controle sanitário e arrefecimento da inflação, com consequente recuo dos preços. Também é necessária a retomada da nossa produção industrial, que ainda sofre."

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