Haiti - Um juiz de Porto Príncipe ouvirá nesta segunda-feira os dez americanos acusados de tráfico de menores e decidirá se devem ser julgados no Haiti ou em seu país, informou a ministra de Comunicação e Cultura haitiana, Marie Laurence Lassec.
Os dez americanos são membros da ONG New Life Children´s Refuge e estão detidos na Direção Central da Polícia Judiciária, onde aguardam para prestar depoimento.
Lassec explicou ontem que a guarda da fronteira foi quem barrou no sábado passado o ônibus no qual estava o grupo de crianças haitianas porque estavam acompanhadas de adultos aparentemente estrangeiros.
"(As crianças) não tinham nenhuma documentação com eles. Portanto, a Polícia contactou a direção em Porto Príncipe e a volta do ônibus foi ordenada", disse a ministra.
Em declarações à imprensa, a titular de Comunicação ressaltou que o Haiti tem seu sistema judiciário e seus procedimentos e pediu respeito às normas do país.
Lassec acrescentou que a Direção de Assuntos Sociais informará também hoje sobre as investigações realizadas para determinar quais crianças têm pais ou familiares.
Aparentemente, vários dos menores confirmaram que têm pais e deram inclusive seus endereços e telefones, o que desmentiria a versão da New Life Children´s Refuge, uma organização de confissão batista radicada no estado americano de Idaho.
Lassec também explicou que as autoridades haitianas são conscientes de que após o terremoto houve muitas tentativas de roubos de crianças e, por causa disso, a vigilância nas fronteiras e no aeroporto da capital foi reforçada.
A ministra disse que, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), havia crianças haitianas sendo vendidas por US$ 25 mil.
O secretário de Estado de Segurança Pública do Haiti, Aramick Louis, pediu hoje que a Polícia "aumente a vigilância sobre deslocamentos de crianças".
"Há uma grande demonstração de solidariedade em relação ao Haiti. Apreciamos isso, mas é nosso dever garantir que tudo seja feito segundo as leis," afirmou Louis.
Foi anunciado nesta segunda-feira que uma equipe espanhola, com ajuda das forças de segurança haitianas, analisará cinco mil amostras genéticas de crianças que procuram seus pais e de famílias que denunciaram a perda de seus filhos depois do terremoto de 12 de janeiro.
Acompanhada da embaixadora haitiana na Espanha, Yolette Azor-Charles, a secretária de Estado de Cooperação da Espanha, Soraya Rodríguez, comunicou hoje em Madri que o Governo espanhol ofereceu gratuitamente ao Haiti o programa DNA-Prokids da Universidade de Granada, que identificou cerca de 200 crianças em 12 países desde 2006.
A embaixadora estimou em 400 mil o número de crianças em situação de abandono em seu país, "aparentemente órfãs".
Composta por células epiteliais da boca, a amostra biológica é numerada com um código e unida a uma ficha com dados pessoais, suas impressões digitais e uma foto.
Tudo isso será enviado ao laboratório de medicina legal da Universidade de Granada, que apenas gere a informação, já que o dono do material é o Governo haitiano. Ali, os dados serão analisados e cruzados com uma segunda base de dados em busca de coincidências genéticas.
Com a ajuda da Polícia haitiana, o recolhimento de dados será feio em locais como hospitais, orfanatos e acampamentos móveis.