

Tramandaí - Mesmo com a informação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais renováveis (Ibama) divulgada ontem, de que não há mais óleo no mar, seguem os alertas da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) de banho impróprio de Tramandaí ao balneário de Mariápolis, pelo menos até segunda-feira - quando sairá o resultado do teste de amostras de água.
Ainda assim, o sábado foi de movimento na orla gaúcha e o cenário promete se repetir neste domingo, com o tempo bom e temperaturas em torno de 21°C e 27°C. Ontem, muitos veranistas ignoraram a determinação da Fepam de evitar a areia e a água depois do vazamento de petróleo em uma manobra de descarga do produto na quinta-feira, em Tramandaí.
Fiscalização na praia
A fiscalização por equipes da Fepam ocorreu durante todo sábado. Inclusive acompanharam o sobrevoo realizado pelo Ibama, que visualmente não encontrou óleo na orla. Um dos responsáveis do serviço de emergências ambientais da Fepam, Luiz Fernando Guaragni, afirma que as condições de balneabilidade em Tramandaí e Imbé só serão alteradas após nova avaliação da água. “Fizemos coletas da água em dez pontos entre a foz de Imbé até Capão Novo, para verificar presença do óleo. Há uma mancha formada por algas marinhas, queremos descartar a presença de óleo junto a ela, mas é o presidente da Fepam quem vai anunciar mudanças.”
Instaurada inquérito policial
O vazamento dos 1,2 mil litros de petróleo da monoboia 602, da Transpetro, a 6 quilômetros da costa, em Tramandaí, virou caso de Polícia. Poucas horas após o derramamento, o caso foi registrado na Delegacia de Tramandaí. O gerente dos Terminais Aquaviários do Sul da Transpetro – subsidiária da Petrobras –, engenheiro ambiental Vicente Maurer, se apresentou no local acompanhado de um advogado. O delegado Peterson Benitez ouviu o responsável e o liberou. “Pelo artigo 54 do Código Penal, configura-se crime ambiental. Foi instaurado inquérito para apurar os fatos.” A multa à Transpetro pode chegar a R$ 50 milhões.
Com aval, surfistas caíram na água ontem
Prevista para este final de semana, a segunda etapa do Circuito Gaúcho de Surfe 2012 foi promovida pela Associação de Surfe de Tramandaí (Astri), confiante no aval dado pela Secretaria de Meio Ambiente da cidade. “Estávamos em um impasse até ontem (sexta-feira), mas conforme informações da prefeitura, a área onde o evento ocorre, ao lado da plataforma, não foi afetada”, argumenta o presidente da Astri, Márcio Ramos, que estava chateado com a desistência de praticamente metade dos competidores. “Temos cerca de 60 inscritos. Mas inicialmente a previsão era de 120. Como confirmamos as provas em cima da hora, atletas de outras praias mais distantes, como as de Santa Catarina, por exemplo, acabaram não vindo”, explica.
O fabricante de pranchas Rafael Aguiar, 28, foi um dos poucos que se deslocou da Praia da Ferrugem, em Garopaba, sul de Santa Catarina, para o circuito no Rio Grande do Sul. “Até onde fomos treinar, não vimos nenhuma mancha e não senti cheiro de óleo”, afirma.
Já o surfista e administrador de empresa Dimi Gafko, 29, morador de Porto Alegre, discorda da observação dos colegas de esporte. “Lá para o fundo senti cheiro de graxa. Acabei de sair da água com a parafina da prancha manchada de piche’’, conta, lembrando que o produto é um tipo uma cera de vela utilizado para aderência e tração do surfista no equipamento.