
Gramado - Uma geladeira que serve como armário e um radinho de pilha são os únicos luxos de Olga Francisca Dias, 84 anos, que reside na estrada Gramado-Canela (bairro São José), na divisa dos dois municípios. Mas nos últimos tempos ela alimenta outros sonhos comuns de qualquer pessoa, como um televisor, aparelho que jamais teve em sua vida por nunca ter tido energia elétrica em sua morada.
Ela passou a sonhar com “a luzinha em casa” quando o filho mais novo se inscreveu no Plano Universalização da Energia Elétrica, no escritório da RGE. “Foi dado um prazo de 150 dias, mas já passou. Eu ligo para o 0800 e sempre me dizem que está em estudo”, relata Luiz André Amaral da Silva, 34 anos.
“Não é difícil puxar a luz!”
Olga e o filho não entendem como o serviço ainda não foi executado, pois as duas moradias não ficam distantes mais do que 100 metros da estrada Gramado-Canela. “Não é difícil puxar a luz até aqui. A rede principal fica perto”, afirma Luiz. “Nós não temos condições de pagar um serviço particular”, acrescenta.
“Nunca tive luz”
Olga nasceu no bairro Três Pinheiros, em Gramado, e se transferiu para o atual endereço quando casou com Graciliano Maria Dias, há mais de 70 anos. Ficou viúva e casou com Aristeu Padilha da Silva, que faleceu há sete meses, aos 95 anos. Ela ainda guarda os recibos de compra do terreno, feita em 1959. “Isso aqui não tinha nada de moradia por perto”, relata. Neste tempo, ela nunca teve condições de contratar a extensão da rede de luz. “Isso era muito caro”, afirma, citando que a esperança está no programa Luz para Todos.
Conformismo
A luta do filho para que a casa deles tenha energia elétrica, às vezes contrasta com o desânimo de d. Olga.Tanto que ela nem faz planos de ter algum eletrodoméstico especial, talvez um televisor. Mas se a luz vier, o que ela quer é ligar a geladeira na tomada, aparelho que hoje serve como armário. O conformismo dela chega ao ponto de nem ir atrás da possível pensão a que teria direito em decorrência do falecimento do segundo marido, há sete meses.
Com a chegada da energia elétrica, Luiz pretende apressar a construção da sua casa, nos fundos da residência da mãe.E vai trazer toda a mobília que possui na casa que aluga no bairro São Luiz, em Canela, onde residia até poucos meses atrás, antes de fazer companhia à mãe. Funcionário de uma fábrica de móveis na Várzea Grande, Luiz fica o dia inteiro fora de casa. Neste período, outro irmão, que está desempregado, faz companhia à mãe.
RGE informa que serviço será executado logo
A RGE, através da sua assessoria de imprensa, informa que a ligação da rede de energia elétrica na residência de Olga Francisca Dias está prevista para ser executada imediatamente, com conclusão estiamada para o dia 5 (domingo). A companhia ressalta que este serviço está incluso no Programa de Universalização da Energia Elétrica, que prevê o acesso de novas ligações em baixa tensão, até 50 kw de carga instalada, sem ônus para o cliente.
Como driblam a falta de luz?