

Porto Alegre - A vida de um treinador de futebol é dura. Para o técnico Caio Jr., no Brasil a função não pode ser desenvolvida por um ser humano. É algo mais que consistente. Talvez deva ser ocupado o cargo por um extraterrestre, um alienígena, um “Sobrenatural de Almeida”, a carinhosa definição dada pelo escritor Nelson Rodrigues aos fatos inexplicáveis do futebol. Mas Caio está impossível. Ele anda impossível. Do jeitão calmo, quieto e dócil de quem entrou pela primeira vez no Estádio Olímpico, em 1980, para se tornar um atleta profissional, até os dias de hoje, foi grande à mudança em sua rotina.
Agora vê em cada declaração contrária às suas convicções um inimigo fortemente armado. E se utiliza de um velho antídoto: agredir antes de ser agredido. Ao retornar para o segundo tempo, no Colosso da Lagoa, Caio foi ríspido com a equipe. “O time tem que mostrar pegada. Sem vontade não se faz nada nesta vida. A defesa bateu cabeça no gol do Ypiranga”, justificou. Pronto! Foi o que bastou para disparar a sua metralhadora para todos os lados.
Azuis