Novo Hamburgo - Um Estado recheado de internautas, com baixa população de crianças, muitos idosos e viúvos. Esse é o perfil do Rio Grande do Sul, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ontem, o órgão divulgou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009. O Estado era o 2.º no Brasil com menor índice de crianças de zero a 4 anos (6,2%) e ocupava a 2.ª colocação no item envelhecimento, com 13,7% da população com mais de 60 anos. Por aqui também estava a 2.ª maior concentração de viúvos do Brasil (6,8%) e o 4.º maior índice de divorciados – 6,6%. A Pnad 2009 investigou 399.387 pessoas em 153.837 domicílios do País, abordando temas como população, migração, educação, trabalho e novidades como a investigação do uso de celular e Internet.
ANÁLISE
Para o sociólogo e doutor em comunicação social Norberto Kuhn Júnior, da Feevale, embora o RS tenha uma das maiores acelerações no processo de inversão da pirâmide etária (cada vez menos crianças e mais idosos), a tendência é nacional. "A partir de 2020, 2030, a mudança vai estar consolidada", afirma. Um dos fatores que contribui para este processo é a mudança da percepção do que representa a família. "Historicamente, a realização dos homens e mulheres passava por ter filhos e constituir família. Hoje ainda é importante, mas este mecanismo está compartilhado. As pessoas se realizam com o consumo, por exemplo", explica.
Acesso à Internet cresce 112,8%
A rede mundial de computadores passou de febre a ferramenta indispensável. O IBGE constatou que a Internet em 2009 foi acessada por 41,7% da população acima de dez anos, o que equivale a 67,9 milhões de pessoas. O índice representa um crescimento de 112,8% em relação à pesquisa de 2005, quando o Brasil tinha 31,9 milhões de usuários.
Embora a Internet já tenha se popularizado entre as pessoas com mais idade, ainda é o público jovem quem mais utiliza essa ferramenta. Na faixa entre 15 e 17 anos, 71,1% navegaram na rede mundial no ano passado. O segundo lugar é do grupo 18 a 19 anos, com 68,7%.
SAIBA MAIS
Enquanto na população até 24 anos houve redução de 642 mil pessoas, na faixa etária de 25 a 59 anos, houve aumento de 1,8 milhão de pessoas. A população com 60 anos ou mais também cresceu, com o ingresso de 697 mil pessoas nessa faixa etária em 2009 em relação a 2008
Pela primeira vez, a Pnad investigou entre os trabalhadores por conta própria e os empregadores, se o empreendimento tinha CNPJ. No ano passado, 14% dos trabalhadores por conta própria trabalhavam em empreendimento com registro no CNPJ, enquanto para os empregadores o percentual foi de 68,4%
O trabalho infantil está diminuindo. Havia 5,3 milhões de trabalhadores de 5 a 17 anos de idade em 2004, 4,5 milhões em 2008 e 4,3 milhões em 2009. A região nordeste apresentava a maior proporção de pessoas de 5 a 17 anos de idade ocupadas (11,7 %) e a sudeste, a menor (7,6 %)
Quanto ao ensino na região metropolitana de Porto Alegre, 89,5% (do ensino fundamental) e 78% (no ensino médio) dos estudantes frequentam a rede pública, o mesmo não ocorre em relação à educação infantil e ao ensino superior
Terceira idade - A cada dia é mais comum encontrar pessoas como a viúva Juraci Moreira (foto), que esbanja saúde e bom humor. Aos 82 anos, ela faz ginástica todas as semanas e ainda dança em um grupo da terceira idade. "Há sete anos fiquei viúva e comecei a cuidar da minha vida", conta. O outro segredinho para manter o corpo e a mente sã, conforme a moradora de Estância Velha, é ir à igreja semanalmente. "A fé deixa a gente muito mais feliz."
RS é 6º em
COMPUTADORES
Em se tratando de bens de consumo, os destaques da pesquisa foram carros e computadores. O Estado era o 5º com mais veículos por domicílio (50,4%) e o 6º com maior número de computadores (41%). Esse índice refletiu uma outra constatação: na região metropolitana, com 1,37 milhão de habitantes, 48,3% das residências tinham computador, 38% com acesso à Internet. Esse percentual é 10,6% superior à média nacional.
Elas são maioria
Em 2009, o número de domicílios particulares era de 58,6 milhões e a população brasileira chegou a 191,8 milhões, 51,3% mulheres e 48,7% homens. Mas apesar delas serem maioria, são eles quem, conforme o IBGE, ainda ficam mais tempo sozinhos. No Estado, 41,2% das mulheres são solteiras, enquanto entre os homens a taxa é de 44,5%. Segundo o economista do IBGE William Kratochwill, embora existam mais mulheres do que homens, são elas quem puxam a frente na hora de oficializar a relação. "As mulheres gostam das coisas mais corretas", explica.
|
walter schlupp
São Leopoldo, 09/09/2010 às 17:46
tenho presenciado cenas deprimentes no tratamento de recenseadores por domicílios que não os querem receber. a imprensa poderia ajudar na conscientização da população (...)
|