
África do Sul - Não é todo dia que um jogador de futebol nascido no Brasil, mas que obteve cidadania de outro país tem a chance de atuar contra a seleção brasileira.
Muito mais difícil ainda é a probabilidade disso acontecer em dose tripla. E em uma Copa do Mundo. Nesta sexta-feira, porém, Deco, Liédson e Pepe poderão ter essa oportunidade, vestindo a camisa de Portugal.
O duelo, que será disputado no estádio Moses Mabhida, em Durban, vale a primeira posição do grupo G do Mundial da África do Sul. Nenhum dos três jogadores, por isso, quer ficar de fora do confronto, ainda mais porque a seleção portuguesa não tem vaga nas oitavas de final matematicamente assegurada, embora esteja muito perto de conseguí-la.
Pepe e Deco já tiveram a experiência de enfrentar o Brasil, mas em amistosos. O zagueiro - que atua como volante pela seleção "adotiva" - esteve em campo no último jogo entre as duas equipes e não guarda boas lembranças. Afinal, a seleção brasileira venceu por 6 a 2 em Brasília em novembro de 2009, na reinauguração do estádio Bezerrão.
Pepe declarou recentemente que tem "muita vontade" de jogar nesta sexta para se "vingar" daquela goleada. Por não estar em sua melhor forma física, ele deverá começar a partida no banco de reservas.
Quem também é dúvida para o duelo é Deco, que sente dores no quadril que o tiraram do jogo contra a Coreia do Norte. O meia, que está perto de acertar seu retorno ao futebol brasileiro, para atuar pelo Fluminense, já teve a oportunidade de enfrentar o Brasil em três ocasiões, e leva vantagem no retrospecto.
Apesar de ter atuado na goleada sofrida em 2008, Deco jogou nas vitórias de Portugal por 2 a 0 em 2007 (a primeira derrota sofrida por Dunga como técnico da seleção brasileira) e por 2 a 1 em 2003.
Por sinal, em seu confronto de estreia contra o Brasil, marcou de falta o gol da vitória lusa.
Apesar de ter o coração divido, o meia afirmou que defenderá Portugal com "alma e coração" nesta sexta, mas garantiu que não comemorará se marcar um gol.
Quem jogará contra o Brasil pela primeira vez é Liédson. Ao contrário de seus companheiros de seleção também naturalizados, ele ficou conhecido em seu país de origem por ter defendido grandes clubes como Coritiba, Flamengo e Corinthians antes de seguir para o Sporting de Lisboa, em 2003.