
Porto Alegre - "Não está morto quem peleia", uma frase gaúcha adotada por Internacional e Grêmio para suas grandes batalhas, serviu bem para o goleiro Felipe, do Corinthians. Nesta quarta-feira, um ano e 20 dias após ser crucificado pela perda do título da Copa do Brasil, para o Sport, no Recife, o camisa 1 pôde, enfim, sentir o gostinho de levantar a taça da competição. Chamado de frangueiro não faz muito tempo, agora ganhou apelido e bandeira dos torcedores: "A Muralha".
"Ganhamos com parcela de todo mundo. Fomos incríveis", comemorou, chorando, emocionado, após nova noite de belas defesas. "Está vendo, trabalhando se conquista tudo, parabéns", ouviu de Mano Menezes, num abraço caloroso.
Felipe carregou o peso daquela derrota por muito tempo. Chegou a perder a posição de titular por alguns jogos. Não sabia, mas na verdade estava sendo preservado pelo técnico Mano Menezes após a falha no segundo gol dos pernambucanos. "Realmente fiquei muito magoado com aquela derrota, pois fui crucificado sozinho, fui o único a ter o nome pichado no muro do clube", disse o goleiro. "Mas nunca desisti, procurei falar menos e trabalhar mais".
Aconselhado por amigos e algumas pessoas próximas do clube, Felipe evitou entrevistas fora do campo. Suas palavras estavam prejudicando seu ambiente no grupo e criando clima de revanche com os adversários - vale lembrar das polêmicas com goianos e botafoguenses no ano passado, quando chupou uva verde e imitou o chororô. Ouviu atentamente às recomendações e começou a desenhar sua volta por cima com o preparador de goleiros Mauri Costa Lima
Antes, deixava os treinos antes do fim e chegou a ser apontado como preguiçoso. Agora, até exagera. "Ele se transformou num profissional exemplar", elogiou Mano Menezes.
HISTÓRIA - Realmente, mais calado, Felipe mudou. Foram apresentações de gala na temporada e, como prêmio, as taças de Campeão Paulista e da Copa do Brasil além do reconhecimento da mídia de que merece chance na seleção. O bom momento já fez clubes da Europa, como o Benfica, manifestaram interesse em sua contratação. "Minha vontade é ficar, disputar a Libertadores e fazer história no Corinthians".