Três Coroas - O dia foi de recomeço e de levantamento dos prejuízos no Vale do Paranhana. Depois do temporal que assolou a região na manhã de domingo, a segunda-feira foi de muito trabalho e união para limpar as cidades. Pelo menos 56 mil pessoas foram afetadas e as prefeituras de Igrejinha, Parobé, Taquara e Três Coroas já se mobilizam em busca de recursos para a auxiliar as vítimas.
Nos municípios, o cenário era muito parecido pelas ruas e bairros por onde se passava. Entulho, galhos de árvores, lixo espalhado. Pessoas em mutirão para encarar o ambiente trágico e de destruição que a chuva causou. Ajudando no levantamento dos estragos causados pela enxurrada de domingo, um helicóptero da Defesa Civil do Estado percorreu, na tarde de ontem, os municípios de Três Coroas e Igrejinha.
O dono de uma loja de materiais de construção conta que a sujeira invadiu toda a loja, deixando mais de 50 centímetros de barro. "Hoje (ontem) estamos apenas limpando, ainda nem fizemos o levantamento das perdas, mas acreditamos que iremos aproveitar apenas 50% do nosso material", disse desolado.
DESTRUIÇÃO - Um dos locais mais atingidos em todo o Vale do Paranhana foi o Loteamento Semaco, em Três Coroas, que se localiza na encosta do Morro da Praia. Um desmoronamento de terra destruiu três casas e deixou outras quatro interditadas. Ontem, a Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros estiveram no local realizando o levantamento da situação. "Foi tudo muito rápido, só deu tempo para sair correndo e a lama invadiu a casa do vizinho, que ficou destruída. Foram momentos de muito pavor", narra o industriário Adelar Fortes, 38 anos, que teve sua casa interditada. A rua onde ele morava, a Curitiba, foi totalmente coberta de lama.
Alerta de novos temporais no Estado
A Metsul Meteorologia adverte que existe a possibilidade de mais chuva forte no final desta terça-feira, mas não em volumes tão grandes como a registrada no domingo. O dia de hoje começa com sol e nuvens e terminará com muito calor, com a temperatura máxima podendo alcançar os 38 graus. Na quarta-feira, a chegada de uma frente fria poderá resultar em temporais, ao encontrar o ar quente, com fortes rajadas de vento. O dia deve começar com muitas nuvens, mas no decorrer do período o sol aparece. A temperatura máxima, entretanto, poderá cair até 10 graus, ficando entre 24 e 26 graus. A quinta-feira terá temperatura agradável pela manhã. À tarde, chega aos 30 graus. A Metsul prevê que o final de semana será de forte calor.
INCOMUM - Na avaliação da Metsul Meteorologia, a chuvarada que caiu domingo no Vale do Paranhana trata-se de um fato que foge da tradição. Para o instituto, o normal é chover bastante na Serra e, por consequência, encher os rios do vale. Desta vez, a chuva ficou centralizada em Três Coroas e Igrejinha, pois nos altos da Serra não choveu com tanta intensidade.
Cidade é vistoriada
Em Três Coroas, o prefeito Rogério Grade decretou situação de emergência. "Hoje (ontem) iremos percorrer todo o município levantando os estragos de bueiros, calçamento, residências e deslizamentos de morros. As vítimas podem entrar em contato com o Centro de Referência de Assistência Social e se cadastrar para receber ajuda", ressalta. Os locais mais atingidos foram Sander e Semaco. Equipes da Brigada Militar, Bombeiros Voluntários e da Defesa Civil auxiliam no levantamento dos estragos e na limpeza.
50 casas atingidas
Em Taquara, o bairro Santa Maria foi o único atingido pela cheia do Paranhana. "Não choveu tanto aqui, mas a enxurrada de Três Coroas fez com que o rio subisse na nossa área e atingisse em torno de 50 casas", disse a coordenadora municipal da Defesa Civil, Helena Weber. Ela confirmou que todas as pessoas que foram desalojadas no domingo já haviam retornado para suas casas na segunda-feira. Helena informou que não houve a necessidade de decretar situação de emergência no município.
Prefeita busca recursos
Em torno de 1,2 mil famílias foram atingidas pela enchente em Parobé. "A situação mais grave foi nos bairros 15 de Novembro, Paraíso e Cohab", frisou a prefeita de Parobé, Gilda Maria Kirsch. Ela viajaria na noite de ontem para Brasília, onde buscaria recursos (R$ 1,6 milhão) a fim de comprar máquinas para fazer melhorias de infraestrutura em diversos bairros da cidade. Parobé está em estado de emergência desde os temporais de setembro de 2009.
70% da cidade ficou alagada
O prefeito de Igrejinha Jackson Fernando Schmidt sobrevoou a cidade ontem, acompanhado da Defesa Civil Estadual. Após o desembarque, disse que 70% da cidade foi tomada pela água no domingo. "A situação mais grave foi o deslizamento de terra no bairro Garibaldi, que derrubou duas casas e parte de uma escola", comentou. Após decretar situação de emergência, Schmidt confirmou que a Defesa Civil enviará para a cidade 500 cestas básicas. "A segunda etapa será o envio de material de construção".
Defesa Civil do Estado enviará ajuda
Levantamento da Defesa Civil do Estado apontou que mais de 56 mil pessoas foram afetadas pela cheia no Vale do Paranhana, principalmente em Três Coroas e Igrejinha. Pela dimensão dos transtornos, o órgão já prevê encaminhar nos próximos dias, para a região, kits dormitório (colchão, lençol travesseiro, fronha e cobertor), kits limpeza (vassoura, balde, detergente, etc) e cestas básicas.
Somente em Três Coroas, a tempestade deixou saldo de 120 pessoas desalojadas, 15 feridos leves e uma morte. Além disso, 20 residências foram destruídas e 50 danificadas - 23 mil pessoas foram afetadas. Em Igrejinha há 2,8 mil desalojados, 25 desabrigados e dois feridos leves. Cinco casas foram destruídas – duas arrastadas pela correnteza das águas – e 33.113 pessoas foram afetadas.
Conforme o subchefe da Defesa Civil do Estado, major Aurivan Chiocheta, no domingo passado choveu quase 200 milímetros em pouco mais de duas horas, provocando o deslizamento de encosta de morros e o aumento no volume de água nos afluentes do Rio Paranhana. As enxurradas invadiram ruas, avenidas e causaram uma série de estragos, além de encherem as vias de entulho.
Vítima enterrada no noroeste
Foi enterrado ontem, no município de Rolador, próximo a São Luiz Gonzaga, o funcionário público estadual Iremar Prates Batista, 49 anos. Ele morreu no último domingo, ao tentar salvar sua mãe Maria da Glória Pautes Batista, que caiu em um córrego no momento temporal. A mãe da vítima foi salva por um vizinho, João Rafael Venturine. Conforme Zenira Santos, que é diretora da Escola Estadual Professor Augusto Roennau, onde Batista trabalhava, ele era um excelente funcionário e tinha uma ótima convivência com os alunos. "Iremar trabalhava como agente educacional e era muito querido por todos", conta.