São Paulo - Um pedreiro que ninguém acha, a transmissão ao vivo do julgamento, a falta da simulação do crime do ponto de vista da defesa e a permissão para o confronto de laudos técnicos com nabos e cenouras. São muitos os obstáculos que o juiz Maurício Fossen deve enfrentar hoje, a partir das 13 horas, para fazer o júri que decidirá se Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá atiraram do 6º andar Isabella, em 29 de março de 2008, em São Paulo.
O criminalista Roberto Podval tem certeza de que será impossível obter para seus clientes, diante do clima que cerca esse caso, um julgamento "justo, correto e honesto". A começar pelo fato de que a testemunha que ele julga essencial, na lista de 20, não ter sido encontrada pelos oficiais de Justiça. Trata-se do pedreiro Gabriel Afonso Neto, que teria dito que gente estranha invadiu a obra onde ele trabalhava, ao lado do prédio habitado pelos Nardonis na noite do crime.
ADIAMENTO - A disposição da defesa de adiar o julgamento não espanta o Ministério Público Estadual. O promotor de Justiça Francisco José Taddei Cembranelli afirmou que está preparado para as alegações para tentar adiar mais uma vez o júri. Para Cembranelli, nada justifica o não julgamento. Se o julgamento for adiante e, em caso de condenação, dificilmente os réus terão o direito de recorrer em liberdade. Se forem absolvidos, o juiz Maurício Fossen terá de emitir um alvará de soltura ao término da sessão. Defesa e acusação calculam que o júri deve durar de quatro a cinco dias. (AE)