Canoas - Com o estoque sanguineo em baixa, especialmente o do tipo O (negativo e positivo), o Serviço de Hemoterapia do Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC) enfrenta, a partir de agora, o desafio de mobilizar as pessoas a doarem sangue antes de se vacinarem contra a gripe A. O motivo é que os imunizados devem esperar 30 dias até que a coleta possa ser efetuada, conforme recomendação do Ministério da Saúde. Diante deste quadro, a Comissão de Sangue do HPSC pretende intensificar as campanhas para doação no município.
A preocupação aumenta em função do início da terceira e da quinta etapas de vacinação, voltadas às populações com 20 a 29 anos (em 5 de abril) e com 30 a 39 anos (em 10 de maio), respectivamente. É que a segunda fase, de 22 de março a 2 de abril, compreende grupos que não são doadores em potencial, como gestantes, crianças e doentes crônicos.
O problema, segundo a coordenadora do Serviço de Hemoterapia do HPSC, Márcia Gomes, é que o nosso sistema imunológico responde às proteínas da vacina, causando interferências nos testes de laboratório, que, assim, podem indicar resultados falsos. ‘‘O exame (alterado pela vacina) pode informar que a pessoa tem hepatite C, por exemplo, sem que ela seja portadora. Isso impediria o uso do sangue desse doador.’’ Com o período de resguardo, busca-se evitar o descarte das unidades coletadas em razão do resultado incorreto.
Para suprir a necessidade do hospital, Márcia informa que tem buscado agendar com o Hemocentro de Porto Alegre uma nova data para coleta de material em Canoas, a exemplo da ação realizada antes do feriado de Carnaval. ‘‘Pedimos que as pessoas compareçam o quanto antes’’, reforça. ‘‘Ontem (terça-feira), tivemos um paciente baleado que precisou de oito unidades de sangue do tipo O positivo’’, comenta, sobre o tipo mais usado em casos de emergência.
IMUNIZAÇÃO - Iniciada no dia 8, a primeira etapa da estratégia nacional de vacinação contra o vírus da gripe A deve imunizar, até o dia 19, aproximadamente 137 mil profissionais da área de saúde no RS, conforme dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. Recebem a imunização aqueles que atuam na atenção básica, em unidades de média e alta complexidade (hospitais que internam casos de gripe A), nas emergências, no diagnóstico laboratorial e na investigação epidemiológica de casos. Estes trabalhadores devem buscar informações sobre a disponibilidade da vacina junto à Secretaria Municipal de Saúde de sua cidade.