24 de Julho de 2010 - 12h32
Tecnologia para cefalópodes
Por André Moraes
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Se você começou a ler este artigo para entender o título, vamos facilitar logo sua vida. Cefalópode quer dizer polvo (quem lembrou da zoologia lá do colégio sabia essa). É que depois do bicho profeta da Copa, perdeu a graça escrever "polvo" em títulos. Ninguém aguenta mais ler sobre isso. É só o que há. Então, para renovar o assunto, vamos ao papo sobre cefalópodes.
Na verdade, o papo é sobre tecnologias e probabilidades. Todo mundo ficou impressionado com os "acertos" do polvo Paul quanto aos resultados de jogos. Mas todos compartilham a concordância tácita de que se trata de palpites aleatórios. Casualmente, o polvo é o sujeito que acertou todos. Tinha também um periquito adivinhando, mas a ave errou o campeão. Nunca tente concorrer com um molusco.
O cefalópode é o mais recente exemplo de um princípio investigado há cerca de 15 anos pelo guru de tecnologia Ray Kurzweil. Em seu livro The Age of the Spiritual Machines, o autor especulava sobre computadores de um tipo diferente, que fossem capazes justamente de uma espécie de adivinhação. A ideia seria resolver um problema não a partir da premissa inicial, mas das soluções possíveis. O negócio é brabo de entender. É mais ou menos assim. Você quer saber quanto é 2 mais 2 (tudo bem, até o polvo saberia essa, mas é um exemplo, certo?). Computadores normais exibem a resposta 4 por meio de uma tabuada que fica armazenada na memória da máquina (caso de certas calculadoras) ou então fazem uma operação algébrica, geralmente decompondo o algarismo em casas à maneira dos ábacos.
Pois o computador sugerido por Kurzweil não faria isso. Ele "pescaria" a solução de um conjunto de todas as respostas possíveis. Para somar 2 e 2, ele partiria de todo o conjunto dos números naturais, descartando as respostas que não fossem satisfatórias para a pergunta inicial. Parece um jeito estranho de calcular, mas Kurzweil sustentava que funcionaria melhor para questões complexas. Pouco depois das especulações do autor, começaram as pesquisas sobre computadores quânticos, que prometem funcionar assim.
A pegadinha é que nos tais computadores quânticos e na máquina de Kurzweil o desafio é filtrar rapidamente a informação certa no mar de possibilidades – coisa que nem se tem certeza de que dê para fazer. Como na Copa. Com todo mundo palpitando, em quem você vai confiar? No seu sogro que foi campeão da várzea ou no Galvão Bueno? No polvo?
É. Futebol é uma caixinha de surpresas.