Pesquisas revelam que as cores são verdadeiros códigos de comunicação sem palavras. É o estudo da psicodinâmica de cores que ressalta a força das mais diversas matizes sobre a psique humana. Explica que, independentemente do lugar do planeta em que nascemos, quando bebês, preferimos azul, amarelo e vermelho, as cores primárias, todas em seus tons mais fortes. Mas é só crescermos um pouquinho que a relatividade deve ser empregada, já que o significado das cores passa a depender do contexto cultural em que elas se apresentam.
Por exemplo, por aqui a gente usa verdinho nos hospitais pra acalmar, enquanto na China a cor verde é considerada muito dinâmica e ativa. Os orientais usam branco quando velam seus mortos e nós o seu oposto preto. Pra eles, o vermelho é a cor da prosperidade, enquanto aqui o vermelho lembra sensualidade.
A cor aparece em tudo o que compramos. Por trás de cada cor, há a clara intenção de vender, emocionar, trazer sensações e passar a alma dos produtos. Roupas, móveis, azulejos, telhados, embalagens, mobiliário doméstico, objetos de uso pessoal, tudo passa pelo crivo deste estudo antes de ser colocado nas lojas. Especialmente as embalagens. Elas devem transmitir o conceito do produto que embalam: preto para lembrar requinte e nobreza, um toque de dourado pra ressaltar esta qualidade, azul claro para evocar limpeza, verde traz a lembrança da saúde, azul escuro da confiabilidade, amarelo da energia, vermelho paixão e por aí vai. Tudo feito para afetar. Emergir afetos em todos nós.
Vejo a embalagem como uma espécie de roupa que o produto veste para passar uma determinada imagem. Nós também nos afetamos uns aos outros com as cores que colocamos em nossas embalagens pessoais: as roupas que utilizamos. Elas nos ajudam a dar um tom próprio em nossa forma de nos apresentar e passam mensagens.
Observo, por exemplo, que, independentemente da moda, mais pessoas usam os tons quentes no inverno, uma forma de compensar o friozinho de fora.
Vamos até mais longe, pois costumamos nomear com cores nossos afetos: verde de raiva, branca de susto, roxa de saudade, vermelho de tanta vergonha, sorriso amarelo. Neste ponto, parece que nos encontramos brevemente com a medicina tradicional chinesa. Ela postula que os sabores alimentam o corpo mas são as cores que alimentam a alma. E para uma alma ser bem alimentada com cores é preciso afinar o olhar. Ajustar o foco. Um foco que olha e vê. Aqui nesta terra há tanto azul de céu, tanto sol, tanto verde que a gente acostuma o olhar. Passa a olhar sem ver.
O mesmo pode acontecer quando esquecemos de olhar pra dentro de nós. O mesmo foco de luz que ajuda a nos alimentar com as cores lá fora, pode nos alimentar com o nosso colorido único. Nossa própria luz. Com ela, nossas cores únicas. Um alimento para compartilhar.