Todos temos algum grau de dificuldade com divergências. Não só com divergências de opiniões, mas também com divergências entre o que é dito e o que é sentido pelo nosso interlocutor. Entre o que é pensado e o que é revelado como verdade. Entre o objetivo e o subjetivo.
Você já experimentou a sensação de confundir-se após um encontro em que as pessoas estão dizendo algo, mas você "sente" que existe mais por trás que não está sendo revelado: Então não está sozinho. Isso acontece com todos nós, com variáveis diferentes de intensidade segundo a sensibilidade de cada um. Às vezes chega a ser um desafio ajustar internamente estas duplas mensagens. Mensagens divergentes vindas da mesma pessoa. Em geral, deixam de ser duplas e se tornam múltiplas quando dadas, por exemplo, em reuniões, onde várias pessoas estão juntas, sentindo, pensando e expressando verdades contraditórias. Isto porque a comunicação tem suas complexidades.Principalmente porque as mensagens também estão conectadas entre o lado inconsciente das pessoas. E, o velho Freud já disse que esta conexão ocorre simplesmente sempre e em revelia à nossa vontade. Até mais intensamente do que a comunicação consciente. É neste terreno invisível, impregnado de informações, que se estabelecem nossas antipatias e simpatias.
Reconhecendo este fato, fica bem mais fácil entender nossos afetos e desafetos. Um dia uma amiga me disse: - estando sozinha vou muito bem, meu problema é os outros. Claro! Duas pessoas, frente a frente, sempre têm com o que ou do que discordar. E nem sempre a discordância se dá pela via da consciência! A riqueza do nosso universo pessoal é imensa e em cada cabeça transitam inúmeras sentenças.
Seria impossível a existência de um grupo humano, por menor que fosse, sem um pensamento discordante, sem uma opinião contrária. E opiniões discordantes exigem grande flexibilidade. É bonito ver atuar uma pessoa que mantém sua postura, podendo enxergar um outro ponto de vista, com compreensão. Seria esse um exercício de amor: A antítese da postura radical: Assim como o tecido que liga os órgãos de nosso corpo é o conjuntivo, o que nos une no tecido social é a nossa capacidade de sermos afetados e de afetar os outros.
De afeto em afeto tecemos um novo tecido, enriquecido pelo que nos difere. Dizem os orientais que mesmo quando diferenças geram fortes ventos com suas tempestades é preciso manter a postura do bambu para manter o equilíbrio: ser firme e flexível.