03 de Julho de 2009 - 12h45

Pina Bausch, a morte e a vida

Por Patrícia Spindler

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Nesta semana, mais precisamente no último dia 30, tivemos uma perda significativa para o mundo. Talvez o universo da dança e das artes em geral tenham mais conhecimento disto, mas seus apreciadores em geral também vão sentir sua falta. Pina Bausch (68 anos), bailarina e coreógrafa do Wuppertal Tanztheater, grupo alemão, morreu quatro dias após ter sido diagnosticada com câncer. Até uma semana antes, Bausch estava com sua Companhia pelos palcos do mundo. Como umas das maiores coreógrafas do século XX influenciou gerações de artistas das artes cênicas em função do seu trabalho em dança-teatro.

Por que falar de Pina Bausch aqui neste blog? Porque Pina, sua obra e sua maneira de criar foram um caminho possível para compor as minhas criações. Me explico: minha dissertação de mestrado em Psicologia Social, pela UFRGS (defendida em 2007), foi realizada através de uma pesquisa que teve nesta personagem, nas suas produções e de seus bailarinos, não só a inspiração, como as ferramentas necessárias para a sua construção. Em termos gerais, minha pesquisa consistiu em pensar algumas questões em relação aos modos de subjetivação contemporâneos, ou seja, como as pessoas se subjetivam, se comportam em relação ao seu corpo por exemplo, pensam, sentem, agem e reagem atualmente.

Por ter sido bailarina boa parte da minha vida, conhecia alguns aspectos da obra de Bausch e identifiquei que poderia falar de questões contemporâneas que queria contemplar no estudo. Foi uma bela aprendizagem que teve seus desafios, principalmente na aproximação de áreas tão distantes como a psicologia e a dança dentro do mundo acadêmico.

Para Pina Bausch a arte e a vida não eram separadas, questão que pouco pensamos e menos ainda associamos na nossa forma de vida ocidental. Nos seus espetáculos isto não é somente visto como experimentado. Tanto pelos excelentes bailarinos (alguns com quase 70 anos, Pina dançou até pouco tempo atrás), como pela platéia, que ficava absorvida nas apresentações que duravam por volta de três horas. Minutos depois de uma determinada cena bastante sensível, de uma leveza quase inacreditável, a platéia entoava gargalhadas pelo humor ou pela aparente incoerência da atitude e dos movimentos dos atores no palco. Mas eles nem sempre ali ficavam, porque se misturavam com a platéia que estava completamente afetada, provocada pelo que se passava em toda a atmosfera do teatro.

O mosaico de referências de Pina e seus bailarinos atores é riquíssimo. Eles viajam para se apresentar pelas grandes cidades do planeta e a cada percurso convivem e buscam a vida através dos hábitos, das crenças, das histórias de cada povo e nesta pesquisa elaboram elementos para as novas criações coreográficas.
Principalmente por este forma de criar a partir das sensações e experimentações vivenciadas, que minha pesquisa pretendeu buscar a vida nas cenas tão intensas de Bausch que evidenciam os modos que as pessoas escolhem para viver no nosso mundo. Cenas clichês e, ao mesmo tempo, provocadoras na busca de outras referências e de outros sentidos para os palcos da vida.

* Novidade: acima, está divulgado um e-mail para contatos sobre o blog.





Foto: AP/Divulgação
3 Comentários
Letícia B. De Castro
Porto Alegre, 08/07/2009 às 12:03
A recíproca é verdadeira colega. Adoro as reflexões propostas por ti, especialmente as que tocam no meu maior e eterno MOMENTO- criança. Voltei a ser uma desde que minha filha nasceu - só com mais responsabilidade. Mas até agora a vida de mãe tem-se mostrado uma delícia. Beijo
Rafael Hoffmann
Novo Hamburgo, 08/07/2009 às 10:31
É maravilhoso "te" ler.
Vera
Osório, 07/07/2009 às 15:55
Bonita e merecida a homenagem que prestaste à Pina. Abraços.Vera
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