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Vencedores do Oscar: poucas surpresas e um fiascão

Notícia da noite nos EUA foi o anúncio errado de melhor filme.

Teve fiascão no Oscar nesta madrugada. A 89a. edição do prêmio estava indo previsivelmente, consagrando o musical La La Land. Até que Warren Beaty, ao anunciar o prêmio final, de melhor filme, se equivocou e, aparentemente, leu o nome errado. Foi anunciado La La Land. No meio da comemoração, a organização retificou e anunciou Moonlight.

Com isso, La La Land seguiu sendo o maior premiado, com seis estatuetas (o musical ganhou melhor diretor, atriz - Emma Stone, trilha sonora, canção original, design de produção e fotografia). Foi um grande resultado, embora estivesse concorrendo em 14 categorias. Não chegou a se equiparar aos musicais mais oscarizados, como Amor Sublime Amor (West Side Story), que ganhou dez prêmios em 1961.

No Oscar da diversidade, após a polêmica da escassez de afrodescendentes nas categorias do ano passado, houve prêmios para Mahershala Ali, de Moonlight (ator coadjuvante) e Viola Davis (Um limite entre nós). E Moonlight ganhou melhor filme, mas não sem ter sido escanteado inadvertidamente no momento final, o que deve render infinitas discussões no país de Donald Trump.

De resto, a noite não chegou a ter surpresas. Bons filmes foram lembrados na premiação, embora, como seja característico do prêmio da Academia, alguns vencedores não tenham sido necessariamente os favoritos da crítica. Manchester à Beira-Mar ganhou roteiro original e Melhor Ator (Casey Affleck, até surpreendendo), fazendo justiça a uma produção independente que era quase uma peça teatral.

Teve até prêmios para os favoritos dos nerds, embora em categorias menores. A Chegada levou edição de som. Esquadrão Suicida ganhou maquiagem. Animais fantásticos foi figurino.

Valeu também pela premiação a Zootopia, grande animação da Disney, bem narrada e com temática legal.

A seguir, os principais vencedores.

Melhor Filme

"Moonlight - Sob a luz do luar"

Melhor atriz

Emma Stone, "La La Land"

Melhor diretor

Damien Chazelle, "La La Land"

Melhor ator

Casey Affleck, "Manchester à Beira-Mar"

Melhor ator coadjuvante:

Mahershala Ali, "Moonlight - Sob a luz do luar"

Melhor maquiagem e penteado:

"Esquadrão suicida"

Melhor figurino:

"Animais fantásticos e onde habitam"

Melhor documentário:

"O.J. Made in America"

Melhor edição de som:

"A chegada"

Melhor mixagem de som:

"Até o último homem"

Melhor atriz coadjuvante:

Viola Davis, "Um limite entre nós"

Melhor Filme estrangeiro:

"O apartamento" (Irã)

Melhor curta-metragem de animação:

"Piper"

Melhor Animação:

"Zootopia"

Melhor design de produção:

"La la land - Cantando estações"

Melhores efeitos visuais:

"Mogli"

Melhor edição:

"Até o último homem"

Melhor documentário em curta-metragem:

"The white helmets"

Melhor curta-metragem:

"Sing"

Melhor fotografia:

"La la land - Cantando Estações"

Melhor trilha sonora:

"La la land - Cantando estações"

Melhor canção original

"City of stars" ("La la land - Cantando estações")

Melhor roteiro original:

"Manchester à Beira-mar"

Melhor roteiro adaptado:

"Moonlight - Sob a luz do luar"

Morreu o ator Bill Paxton, de Aliens e Titanic

Ator sofreu complicações após cirurgia, informou a família.

Arquivo/
Ator norte-americano Bill Paxton, que morreu aos 61 anos
Foi divulgado neste domingo (26/2) que no sábado morreu o ator norte-americano Bill Paxton, 61 anos. Texano, ele ficou famoso no cinema a partir dos anos 80 em superproduções e filmes de ação. Ele estrelou Twister, sucesso sobre caçadores de tornados, e também apareceu em Aliens, Titanic e True Lies. Na tevê, protagonizou o seriado Amor Imenso.

A notícia da morte foi divulgada inicialmente pelo site norte-americano de celebridades TMZ. A informação depois foi confirmada pela família em nota oficial, comunicando que ele morreu após complicações de uma cirurgia, embora não tenha sido especificada qual. O TMZ afirma que foi uma cirurgia cardíaca que acarretou complicações pós-operatórias, que teriam resultado em um AVC fatal.

Confirmado o diretor do novo filme do Batman

Matt Reeves havia sido anunciado semanas atrás, depois desistiu e agora mudou de ideia.

Divulgação
Ben Affleck em uma das imagens de divulgação do filme Batman vs Superman, de 2016
A revista norte-americana de cinema Variety está noticiando que a Warner fechou contrato com o diretor Matt Reeves (Cloverfield, Planeta dos Macacos: O Confronto) para assinar o próximo filme do Batman, que será estrelado por Ben Affleck. Em princípio, a produção estava prevista para 2018.

O filme solo da nova fase do homem-morcego tem passado por turbulências. Após a saída do diretor Chris Nolan e do ator Christian bale da série no cinema, Ben Affleck assumiu o papel pela primeira vez em Batman vs Superman, no ano passado. Ele também fez ponta em Esquadrão Suicida, ainda em 2016, além de estar no elenco do filme da Liga da Justiça, que estreia agora em 2017. Affleck também iria dirigir o filme do Homem-Morcego de 2018. Porém, há algumas semanas anunciou que desistiu do projeto como diretor, permanecendo no papel principal. Já Reeves chegou a ser anunciado há duas semanas, mas depois desistiu. Agora, a Variety noticia que as negociações tinham emperrado. A notícia também informa que o estúdio não deu data de lançamento ainda.

 

Concorrentes ao Oscar: Manchester à Beira Mar

Filme com estrutura de peça de teatro tem jeitão de independente, mas tem grandes nomes na produção.

Divulgação/
Manchester à Beira-Mar é uma daquelas produções que aparecem em época de Oscar. Concorrendo em seis categorias, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor ator, tem um jeitão de independente, embora tenha bastante gente famosa no elenco.

A história acompanha o taciturno Lee Chandler (Casey Affleck), um zelador de prédio em Massachusetts, EUA, que parece levar a vida em ponto morto, sem se interessar por nada nem ninguém. É só quando ele é chamado pelo hospital de sua cidade natal, Manchester-by-the Sea (daí o título), que o espectador começa a ter vislumbres de um passado traumático. Seu irmão morre logo no início do filme, e ele se vê frente ao dilema de ter que assumir a guarda do sobrinho adolescente, apesar de ter fugido da cidade por causa de outro drama pessoal. Ambos, o tio e o jovem, terão um convívio tenso e precisarão aprender a conciliar suas tragédias.

Este é o terceiro filme do diretor Kenneth Lonergan, que é mais famoso como roteirista (são dele os scripts de Gangues de Nova York, de Scorsese, e A Máfia no Divã). Um dos grandes pontos altos é a narrativa com poucos diálogos e muitas nuances nas cenas, cheias de climas e subentendidos. Mais do que as falas, são os olhares e os silêncios que contam a história.

Com uma estrutura narrativa quase de peça de teatro, não é de surpreender que o filme participe do Oscar em três categorias de atuação (além de Affleck como melhor ator, também concorrem como coadjuvantes Lucas Hedges e Michelle Williams), assim como roteiro original (do próprio diretor). Em uma dinâmica típica do grande teatro norte-americano, os momentos climáticos estão quase todos dentro de diálogos.

Manchester à Beira-Mar é bem conduzido e com uma temática madura, mas nem por isso se safa de alguns exageros. A começar pelas próprias trajetórias dos personagens principais, o roteiro tem um pé no dramalhão. Os toques melodramáticos acabam contrastando com as sutilezas narrativas. Casey Affleck consegue construir um grande personagem entre silêncios e pausas, mas também é preciso admitir que o irmão de Ben Affleck parece ter herdado de família uma certa preferência por fazer ar de cachorro largado.

Com seu andamento mais lento, deprê e contemplativo, o filme pode até irritar aquela galera que tenha ido ao cinema só pelo hype. Mas a crítica, de certa maneira, é injusta, porque Manchester não é, na verdade, uma daquelas produções para o circuitão. Estaria mais à vontade em cinematecas e salas alternativas – inclusive já tendo sido escanteado para horários restritos. É um daqueles filmes cabeça que a Academia decide prestigiar para mostrar que Hollywood também sabe fazer boa dramaturgia.

Leve lenço e travesseiro. Esconda as giletes.

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