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Economia

Como o juro no menor patamar histórico afeta governo, empresas e famílias

Taxa Selic deve cair para 7% esta semana, nível inédito no país
04/12/2017 12:31 04/12/2017 12:32

Após cinco anos, a taxa de juros básicos no país deve quebrar um novo mínimo histórico esta semana. A expectativa do mercado é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em 0.5 ponto percentual esta semana, para 7%. Em 2012, comemorou-se a redução da taxa básica, a Selic, a 7,25%, ainda hoje o menor nível da história.

O retorno dos juros baixos vai impôr mudanças fundamentais de hábitos arraigados em investidores, companhias e no próprio governo. As famílias que aplicam terão que enfrentar o fim de um dos raros confortos dos brasileiros na crise: ver o dinheiro render muito ao longo dos anos sem precisar arriscar nada. Já as empresas podem se beneficiar de um alívio no caixa, com custos menores para o pagamento de dívidas e a facilitação da captação de recursos junto a investidores. O governo, por sua vez, também será beneficiado com um certo fôlego pelos juros menores para arcar com os compromissos de dívida.

INVESTIDORES

O caminho de volta aos menores juros da história está obrigando os investidores a reverem suas aplicações e deixarem para trás o que economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall, chama de "Bolsa CDI", ou seja, o rendimento sem precisar arriscar nada. Nos anos em que a Selic esteve em um nível de dois dígitos, era possível obter ganhos de 1% ao mês aplicando nos papéis considerados os mais seguros do mercado, os títulos do Tesouro, facilidade que levou milhões de pessoas a pensarem em investimento como sinônimo de renda fixa.

Agora, os investidores já começam a se mexer em busca de diversificação, aumentando a exposição a ativos de maior risco, como fundos multimercado e ações - afinal, já há muito fundo DI perdendo até para a poupança. A recalibragem exige cautela, segundo especialistas, sobretudo neste momento de incertezas.

GOVERNO

Para o governo, o patamar de juros é um componente crucial porque determina o gasto de rolagem da dívida, a atração de investidores e, indiretamente, a arrecadação (já que influencia diretamente a atividade econômica). Mas ele depende do amparo da condução da política fiscal.

A queda de juros alivia o caixa de curto prazo do governo, uma vez que o serviço da dívida fica mais barato, mas também é uma ferramenta essencial de controle a médio e longo prazo.

Projeção do economista Rafael Bistafa, da Rosenberg Associados, mostra que a relação entre dívida bruta e PIB praticamente dobraria daqui a dez anos, alcançando 140%, se os juros reais (descontada a inflação) se mantivessem até 2027 nos patamares do ano passado. O cálculo considera a projeção da inflação e de juros nos 12 meses seguintes. E isso sem se estabilizar - ou seja, continuaria crescendo nos anos seguintes. Pior: essa projeção presume um cenário de estabilidade do crescimento (3% ao ano) e a aprovação da reforma da Previdência e outras medidas que garantam o cumprimento do teto de gastos nos próximos dez anos. Como comparação, se o Brasil conseguir manter os juros reais em 3,6% na próxima década, a relação dívida/PIB se estabilizaria em 95% em 2025.

EMPRESAS

A redução dos juros está aliviando o caixa das empresas brasileiras e facilitando a captação de recursos junto a investidores. Números da Anbima (associação que reúne instituições financeiras) mostram que as empresas estão acessando o mercado sobretudo para rolar dívidas ou fazer frente à geração de caixa ainda fraca. Este ano, apenas 11,8% dos recursos captados via debêntures serão destinados a investimento, contra 26,5% em 2013. Uma fatia de 34,6% será destinada ao capital de giro, contra média de 15% dos últimos seis anos.

Cálculo da A&M mostra que as empresas deveriam economizar cerca de R$ 2 bilhões com o pagamento de juros com a Selic a 7,5%. Caso essa taxa fosse mantida para o ano que vem, com o estoque de dívida atual, a economia somará algo entre R$ 5 bilhões e R$ 7 bilhões em 2018. Como a Selic deve chegar agora a 7%, a economia será ainda maior.

Nas captações, o benefício tem sido mais imediato. De acordo com Ricardo Carvalho, da Fitch, no auge da crise, as empresas brasileiras precisavam pagar até seis pontos percentuais acima da Selic para captar recursos no mercado, o que resultava em juros da ordem de 20% ao ano.


Diário de Canoas
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