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Tradição

Queniana e representante do Bahrein vencem a São Silvestre

Prova aconteceu sob chuva neste domingo em São Paulo
31/12/2017 11:37 31/12/2017 11:40

Miguel Schincariol/Miguel Schincariol/AFP
O etíope Dawitt Fikadu Admasu, que correu representando o Bahrein, venceu a São Silvestre entre os homens
Os africanos levaram vantagem mais uma vez no duelo com os brasileiros na 93º edição da corrida de São Silvestre, que aconteceu neste domingo (31) na capital paulista. Dawitt Admasu, que nasceu na Etiópia mas correu representando o Bahrein, venceu a prova masculina pela segunda vez, já que havia sido campeão em 2014. Ele correu os 15 quilômetros do trajeto em 44m15s. O brasileiro mais bem colocado foi Ederson Vilela, que chegou em 12º lugar.

Entre as mulheres, a vencedora foi Flomena Cheyech Daniel, de 35 anos, do Quênia, com o tempo de 50m18. No ano passado, ela havia chegado em segundo lugar, com o tempo de 49m15s. Entre as brasileiras, Joziane Cardoso foi a mais bem colocada, chegando na 10ª posição.

A argentina Marcela Cordeiro passou os primeiros minutos de prova na liderança, mas Cheyech acabou dando um verdadeiro passeio em suas adversárias. Na subida da Avenida Brigadeiro Luís Antonio, por exemplo, ela chegou a abrir uma vantagem de mais de 200 metros sobre a segunda colocada, a etíope Sintayehu Hailemichael, que terminou com tempo de 50m55s. Em terceiro, ficou a também etíope Birhane Dibaba, com 50m77, que foi campeã da Maratona da Tóquio em 2015. Wude Ayalew Yimer, da Etiópia, e Paskalia Chepkorir, do Quênia, vieram logo atrás.


Miguel Schincariol/AFP
Queniana Filomena Cheyech Daniel venceu a corrida de São Silvestre entre as mulheres
No masculino, depois de 5 quilômetros percorridos, houve um incidente. O bicampeão da São Silvestre (2012 e 2013) Edwin Kipsang Rotich, tropeçou sozinho e acabou se enroscando com o brasileiro Wellington Bezerra da Silva, mas nem a queda tirou o queniano do terceiro lugar, com tempo de 44m43. Belay Bezabh terminou em segundo lugar entre os homens com o tempo de 44m33. Birhanu Balew (também do Bahrein) e Paul Lonyangata (da Etiópia), debutante na prova, chegaram em quarto e quinto lugares, respectivamente.

A prova começou embaixo de chuva fina, mas numa temperatura considerada agradável aos atletas, de 21°C. No ano passado, na largada, os termômetros marcavam 25°. Os cadeirantes deram a largada do evento, às 8h20, seguidos pelas mulheres, que iniciaram a corrida 20 minutos depois. O grupo de elite masculino começou a correr às 9h.

A chuva inicial não atrapalhou os mais de 30 mil participantes da corrida, que tem o mesmo número de participantes da maratona de Boston. Além dos atletas profissionais, o que chama a atenção na São Silvestre são os animados corredores anônimos, muitos vestidos com roupas extravagantes ou fantasiados. Este ano havia mulheres vestidas de Minie, homens com fantasia de tubarão ou usando o macacão vermelho e capacete verde amarelo em homenagem ao piloto Ayrton Senna. Houve até mesmo personagens de Star Wars participando da São Silvestre. Não faltaram fantasias de índias, super heróis, muita purpurina e até uma noiva.

Muitas faixas com nomes de cidades como Itararé, em São Paulo, ou bandeiras de estados Pernambuco e da Paraíba também apareceram na largada. Segundo a organização, havia corredores de todos os estados brasileiros, inclusive o Distrito Federal, e representantes de pelos menos 40 países. A maioria tem idade entre 35 e 39 anos, sendo 70% de homens e 30% de mulheres. Mas havia também 600 corredores com mais de 70 anos.

A chegada, também na Paulista, aconteceu em frente à Fundação Cásper Líbero. Este ano, a largada avançou 150 metros na Paulista e aconteceu entre as ruas Augusta e Padre João Manuel. O novo ponto de largada, segundo a organização, ficou mais próximo ao túnel José Roberto Fanganiello Melhem, dificultando a entrada dos chamados pipocas, corredores que não fazem inscrição, mas pulam as grades para participar da prova. Foram distribuídos durante o trajeto cerca de 720 mil copos de água. A prova, que acontece desde 1925, sempre no dia 31 de dezembro, marca o final do ano esportivo no Brasil.

Africanos dominam prova
Os africanos vêm dominando a São Silvestre nos últimos anos. Em 2016, a queniana Jemima Sumsong, campeã da maratona na Olimpíada do Rio, venceu a prova e bateu o recorde histórico ao completar a corrida em 48min35s. O melhor tempo entre as mulheres havia sido registrado em 2011 pela também queniana Priscah Jeptoo e era de 48min48s. O jejum de vitórias brasileiras no time feminino se mantém desde 2006, quando Lucélia de Oliveira Peres fez o melhor tempo da prova. Em 2016, a brasileira melhor colocada foi Tatiele de Carvalho, que conseguiu a 7ª colocação com 54min01s.

Entre os homens, o vencedor de 2016 foi o etíope Leul Aleme, que concluiu a prova em 44min53s. O brasileiro Giovani dos Santos foi o melhor colocado e chegou em 4º lugar (45min30s). Ele subiu no pódio, no ano passado, pela sexto ano consecutivo. A vitória verde e amarela no masculino não ocorre desde 2010, ano em que Marilson Gomes dos Santos levou o primeiro lugar. Nos últimos seis anos, apenas etíopes e quenianos ganharam a prova.

O maior vencedor - e também recordista com tempo de prova de 43m13 em 1995 - é o queniano Paul Tergat com cinco vitórias e, entre as mulheres, a portuguesa Rosa Mota, que com seis vitórias consecutivas nos anos 1980 é a maior vencedora geral. Entre os brasileiros, o maior vencedor é Marílson Gomes dos Santos, com três vitórias.



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